segunda-feira, 12 de março de 2012

FLORES de LUZ

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Flores de luz
Filhas perfumosas
Brotos do coração...



Mistérios em semeaduras
Transformadas em canteiros
Florescem cheirando à palma
Da mão que as cultivou



Rainhas meigas, formosas
Belas, coloridas flores
Iluminadas criaturas



Doces pétalas suaves
Rebentos,
Cachos de amor!




Graça Campos, 12/03/2012.
CAMPOS, Graça. Poema. Flores de Luz

sábado, 3 de março de 2012

SONHO de VOAR...


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Mulher, desejo ardente de ser...

MIL faces se projetam em uma personagem.
São elas, as Marias
... AH!...
As Marias que não vão com as outras sem destino...

A História aponta as rainhas, deusas, mártires
Lideranças vivas,
e se deram às vidas.
No vivenciar o alvorecer do existir de cada uma

Movem-se, acordam, nutrem, geram
Entrelaçados dons, magia e força

Femininas figuras povoam o meu imaginário
Rastros, marcas se intensificam a se mostrarem
Delicadas prendas/ fortalezas
Discretas, flutuantes a se ocuparem às necessárias instâncias
Sofisticadas, elegantes, provedoras
Pés de saltos ou descalços
Não importa!...


O pisar faceiro transporta a sutileza do espaço que convém.


Contudo, a essa mulher que luta sem cessar,
Ao reconhecimento “SOCIAL”,
Vale rever, pausar, se ver
no espelhar mais íntimo,
Se a imagem refletida ressoa com a busca
de consentir que somos outra a cada segundo que se passa
Não pela aparência de uma ruga e outra,
Sim pela transparência do estalar do gesto!


São novas possibilidades...


Antes a máscara de ferro,
Ontem maquiagem intensificada,
Hoje, direito...
Direitos?

Torto direito!

Diante de tudo, além de tudo,
Aonde ir?
Onde chegar?

Aponta-se uma estrada e, várias trilhas...

Ainda carrego de ferro, tão pesada máscara!
De ser perfeita, super poderosa!

(Acredito não ser essa a forma, como também não existem fórmulas)

Existem novas possibilidades...
Retirar os rótulos que sobrepujam as qualidades, e
se soltar, se dar conta de viver
Pegar o voo de SER apenas MULHER
Abrir as asas e respirar profundo
No alto, no alto nível de sentir
a alma feminina!




Graça Campos (em 03/03/2008)
CAMPOS, Graça. Poema. Sonho de Voar...

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

VEICULANDO...

VEICULANDO

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O cara encheu o copo
Virou a “MANIA”
O bafo embebedou o sinal vermelho
Passou a ser, por ordem do INCONSEQUENTE,
O combustível humano

Atropelou

Matou?

Morreu mais um...



Graça Campos /
CAMPOS, Graça. Poema. VEICULANDO.

COLOMBINA

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Colombina, sedutora,
apaixonou-se pelos retalhos
coloridos do Arlequim
detalhes de seus desejos
vestiu-se de organdi(m)


Colombina, bailarina,
fita o rosto de Pierrot
pálido quase desfeito,
um doce amor, amor tanto,
desses que acalentam o peito
a esperar por um beijo
da amada dançarina
mesmo que seja outro dia


Enquanto detrás da máscara,
faceira e sensual,
Colombina não disfarça
um sorriso lhe escapa
fulgor de um amor ardente...


Chora o triste Pierrot!
Tem o coração partido...

"Até quando, esse meu rosto,
ficará esbranquiçado?


Quando beijar-te os lábios,
vou corar-me de prazer
no despertar mais ousado
assim se declare aos prantos :


Quisera ser o Arlequim
em confetes, serpentinas
de teus sonhos mais bonitos
E de tuas fantasias..”




Graça Campos, 02/03/2011.
CAMPOS, Graça. Poema. COLOMBINA.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A FLORISTA

Acrílica sobre tela
" A FLORISTA" Graça Campos


A FLORISTA

 
Cosmonauta de viagens infinitas
Entre idas e vindas no espaço interior
Onde mora a cor dos versos, 
 Cheiro do amor
 Em pétalas da alma...

No abstrato agarra o vento, bebe da chuva
E se agasalha às nuvens
Dorme sono dos deuses
Colhe possíveis e impossíveis flores do tempo
Vê sonhos
Por entre raios de sol,
Nas asas verdes da espera...

Prenúncio de primavera!



Graça Campos, 03/02/2012
CAMPOS, Graça. Poema. A Florista.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PALAVRAS FINAS


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Houve um tempo de menina
À hora da composição,
Buscava palavra fina
Sementes do coração

Trazia o céu e o mar
Onde as estrelas brilhantes
Convidavam a brincar
Espumas, ondas gigantes.

As colinas verdejantes
Cheiravam a alecrim
Bem alto o sol radiante
Brindava um amor sem fim...

Nos galhos da laranjeira
Encanto e cheiro de flor
De uma ditosa palmeira
Sabiá era o cantor

E o regato cristalino
Cantarolava entre as rimas
Palavras soltas, bonitas
Levando histórias, fascínio

Da aprendizagem da lida
Palavras finas, bordadas
De sentimentos alados
De tantos sonhos da vida!




Graça Campos, 02/02/2012.
CAMPOS, Graça. Poema. Palavras Finas.

ZELO

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Minha avozinha falava pouco.
Olhava, olhava
À roda viva de netos...

Então, aflita com a correria,

Avisava:

“Vai cair, não corre, vai machucar”...

“Nossa Senhora, Nossa Senhora”,
“Misericórdia”!
“Ave Maria”!


Só assim todos a ouviam...



Graça Campos
CAMPOS, Graça. Memórias.
23/01/2012.

sábado, 28 de janeiro de 2012

FOGO SAGRADO


 
Esse sagrado fogo que me queima
O corpo, a alma inteira abrasar
É alimento a sustentar e teima
Farto desejo em busca de amar

É que, no coração, raia invade
Avançam chamas, cismam labaredas
E vem à tona a dor da liberdade
Quando se têm barradas as veredas

Percorro o tempo em torno das vontades
Guiada pela força, evolução
De um pensar clamando a igualdade

Ergo-me em voos, meu sonhar consciente
Chego à exaustão, mas ora ainda insisto
Fênix sou das cinzas renascente!



CAMPOS, Graça. Soneto. FOGO SAGRADO.
22/01/2012. Imagem da web

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

INFÂNCIA

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Por entre as árvores daquele quintal bendito, eu menina tinha sossego de buscar o mundo. Brincava de criar... E me perdia em um tempo sem relógio...

Ali gangorrava em plena liberdade, borboleta em flor. Nos galhos firmes, me apoiava e fazia grandes viagens. Em Minas mar é montanha. Onda gigante. E, velejando, conheci terras longínquas do meu imaginário. Daquele itinerário  fértil de idéias.  Meu quintal foi oceano. Infância mágica, o chão de terra vermelha, anfiteatro onde contracenaram raros e incríveis personagens que ainda hoje, vejo-os lendários a sussurrar-me segredos, ensaiando suas falas.

Chego a sentir o gosto de fruta no pé e o cheiro dos guisados, o aconchego das bonecas a me treinarem a maternidade. Brinquedos brincavam, eu brincava de gente grande. Tudo falava. Tudo era silêncio. As coisas tinham respostas interessantes. Havia circo, palhaço disfarçado nas alegorias. Boiadeiro de fazenda de curral e gado feito de brotinhos de chuchus. Havia um caminho colorido onde  tinha cuidado em pisar. Eu andava entre boninas do bosque nascidas sozinhas...  Entreolhares, entendimento...  Havia o bosque!
Colhia uma por uma, as flores do mato.  Simples e belas boninas do meu quintal fantástico e real...


Graça Campos, 24/01/2012.
CAMPOS, Graça. INFÂNCIA.

sábado, 14 de janeiro de 2012

CAMINHOS

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Quando pisam os pés
À escolha dos passos,
Uns vindo, outros indo
Em busca de laços
Ultrapassam sem ver,
Na pressa de chegar
Até mesmo as pedras
No meio


Caminhos estreitos
Sem saída os becos
Sinuosos sem vida
Labirintos


Escolhas ou fugas
Confusas andanças
Esconderijos
Rijos


Os caminhos convidam
Teimam os pés
Insistem nas marcas
Seguem em frente deixando pedaços
Por todos os lados


Gramados por vezes,
Preservam as solas de outro trilhar
Consolam, desolam
Piedosos, impiedosos
Caminhos de pedras
De flores
Do destino
Corrido,
Percorrido
Sem volta


À margem, pensamentos viajam
Nas asas dos sonhos dos caminheiros
Ficando impressos
Caminhos pisados
Cheirando a histórias
De vidas infindas
Registradas...



Graça Campos, 04/11/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. CAMINHOS.