sábado, 8 de agosto de 2009

Água


Poema e foto: Graça Campos

Eu bebo da fonte e me farto de vida
Um milagre escorre, encanta
Com seu cantar...
Carícia mínima na gota de orvalho
Fio que jorra, fecunda a terra
Caminhos que andam margeando
Cílios verdejantes...
Caules aquáticos, benditos,
Saciedade das matas
Borrifos, riscos em prata
Despencam das nuvens
Reavivando as matas!
E desce a chuva com o rio entre montanhas e prados
E sacia todas as sedes da gente dos animais
Lava-me a alma, me acalma, o corpo banha-me...
Mito sagrado de povos indígenas, africanos e de mim!
Mergulho e eterna sou...
Volto às origens, volvo meu ser...
A cor de minha casa, que cor pintaria se não fossem as Águas?
A chuva choveu
A água rolou
O solo se abriu
A Terra tingiu-se de sangue azul
Da veia que brota o que há de melhor!
Olhinho d’água borbulha gotinhas
É o riso da gente, é milagre, é rebento!
Lágrima de mãe ao nascimento liquefeito...
Derrama solo a fora, vai se tornando regato,
Aprende o canto da fonte
Encontra rio formoso
E vai chorar junto ao mar!
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