sábado, 8 de agosto de 2009

Pai, tantas coisas tenho para dizer de ti...


Graça Campos

A tua imagem posso descrever tão simples e, tão completa de sentimentos valiosos...
Cresci com a presença de um pai que curtiu cada momento de lazer que a vida de viajante permitiu...
Aprendi a receber visitas contando com a lembrança de um sorriso largo e acolhedor...
Era assim o nosso encontro. Saltavas da boleia do caminhão para abraçar os filhos ao retornar do trajeto por esse país afora e nós nos abraçávamos aos montes.
Caminhoneiro, doutor na profissão, seguro de teus passos e do volante que guiavas. Sempre batalhador, deu-nos, além de uma infância confortável e feliz, uma herança das maiores, dessas de bens que enriquecem a alma, a razão, do saber, e que ninguém rouba. Os estudos, prioridade em casa.
Pai, contador de histórias, de tua própria história, de tua infância, da escolinha da fazenda Bacuri onde deu tuas mãos à palmatória por seres canhoto.
Pai tratorista, recém-casado e eu a caminho desta vida, ainda na barriga de minha mãe... Abriste também caminhos pelas Minas , na capital...
Pai brincalhão, cara conselheiro, exemplar...
Quantas vezes precisei de tua proteção e tu me envolveste de apoio, carinho...
Em todos os meus eus estás a marcar tua presença amiga.
Eu, menina, eu adolescente, eu jovem, eu agora, já vovó...
Que privilégio, PAI! Tu és força, coragem e amor...
Ensinaste a perseverar e caminhar tentando acertos. Mas não somos perfeitos.
Não me bastaria dizer que és o melhor. O suficiente é que saibas: tu és o único pai que eu sempre desejei ter.
As tuas lições de vida, tua sabedoria, teu vocabulário usual limpo, firme, culto, sem pejorativos encantam-me, e, queres saber?
Fonte inspiradora, onde a gente costuma desembocar para o mundo a rotina que apreendo ainda hoje contigo...
Adoro ouvir a história daquele dezoito de abril, que já vai longe, mas nunca se perderá no tempo.
Hoje, pai, os teus oitenta e quatro anos de idade traduzem a vida de um moço somado às sábias conquistas de inovações acrescidas de inusitada persona na qual, acima do gênero masculino, destaca-se o Pai amor, cuidadoso com sua cria, sensível, acolhedor, até chorão, quando se lembra de algo emotivo, de seus meninos e meninas que se tornaram homens e mulheres, e acima de tudo, dobrados de reconhecimentos do teu valor.
Obrigada, Pai!


Graça Campos /Belo Horizonte, 08/08/2009.


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