sábado, 8 de agosto de 2009

Vestidos

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Poema: Graça Campos


Os meus vestidos são a transparência de minha alma
Os brancos como a neve, bem comportados
Os charmosos, insinuantes ousam decotes.
Uns mais curtos, outros longos
Acinturados, bem coladinhos ou mais amplos à vontade...
Muitas saias rodopios
No verde esmero esmeraldas
Nos tons azuis confidentes
E alguns grape sensuais
Perolados e os pretinhos
Corpetes aveludados, fitilhos trançados
Amplas saias variadas
As vermelhas, violetas provocantes, sensuais.
Tecidas, também rendadas
Expressam mais que finos tecidos
Podem enganar a todos
Inversa, reversa expressão, meu corpo fala encoberto
Intacto em prata, metal.

Em amarelo e coral abrasam em luz do Sol
Ao fogo de verão singrando a vida
Bem vestida em lilás, babado e renda.
Se for florido ou manchado
Se em tons discretos de cinza
Elegante inverno e sábio
Leves sedas e plissados
Justíssimos, alados...
Perfeitos
Perfumados, suados...
Suados...

Vestido de lese, mangas fofas...
Crepe, chamois alinhados!
E o meu vestido de chita?
E o vestido rasgado?
Sempre estão a me esperar...
Não os desprezo mesmo sendo vaidosa
Pois a roupa transparente
Sabe quando a alma chora
Boto meu vestido velho
Rasgado e sonho um sonho dourado
Cato as folhas de outono
Vou refazer meus vestidos...




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