segunda-feira, 24 de agosto de 2009

SÍNTESE da ARTE




Um jeito especial de viver! Buscar através da beleza e da bondade, a linguagem que se propaga aos olhos e ouvidos, ao tato e ao coração com muito amor. Convidar o outro a ver, sentir, apreciar e refletir algo até então, ainda não experimentado. Trasbordar a bagagem da alma artista em todos os cantos do mundo, porque a verdadeira arte é UNIVERSAL.
Assim pensando, vendo e revendo algo que encanta, surge um caminho iluminado, a trilha que nos torna mais próximos do Criador. Quando estou pintando, sinto que os bons anjos são presentes. E vou caminhando . O desejo me invade para que se faça bom, belo, e justo o trabalho hábil o traçado seguro, a curva incerta, a luz e a sombra, uma flor, um espinho, um castelo ou uma tenda, um boiadeiro, a lavadeira, a alegria e a tristeza o retrato de muitas vidas.
ARTE... Que se poderia afirmar em nome dessa figura feminina tão séria, ao mesmo tempo tão leve, tão sutil, tão ousada, compreensível ou incompreendida?


Sim... Não...


Não se pode complicar o significado do que é dar vida ao que se foi e ao que fica. E resgatar valores magníficos, ao contar histórias e histórias através de imagens.
Falar em nome do amor, da dor; dar som à mudez das coisas e até mesmo voz aos mudos. Gritar aquele grito que, com palavras ou ecos, não acontece, muitas vezes, pelo medo da punição dos “grandes”.Chorar em nome da saudade, dizer mil palavras sem dizer... É extasiar - se diante do mais simples!


Quisera entender o olhar de cada ser e o que lhe vai n’alma quando seu universo íntimo se depara com o descortinar de uma tela...

Quem me dera...



Graça Campos ( 18/05/2001. ) Todos os direitos reservados ao autor. Não autorizada cópia. Indique a leitura através deste blog: http://gracacampos.blogspot.com

sábado, 22 de agosto de 2009

RAÍZES

Foto: Luciana Campos

Qual pintura a doce poeta fala-nos de bravura
Em homenagem à mulher guerreira.
Mulher, simplesmente mulher...

Um canto ressoa no universo das palavras...
Das palavras adornadas pelo som canoro e um cheiro cítrico
Delicioso, naturalmente, mulher...

Uma mistura de tons descortina-se
Transparecendo a nudez de tal linhagem
Perfazendo o caminhar de todas as mulheres...

Mergulha nesse dom e pelas matas se adentra
Personifica-se, reconhece;
Conhece e volta.

Traz-nos à tona, dos tambores o som, natureza e filhos...
Filha da floresta!... Mulher Indígena!
De maquiagem ideal!

Idealiza, defende, realiza...
Qual pintura estará pintada em face...
Faz-se FESTA!...


Graça Campos (em 13/ 03/ 07)
Poema de Homenagem à “Canção para Eliane Potiguara“ por Clevane Pessoa em 08/ 03/ 07 Belo Horizonte, MG
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Pedrelina, “vendedora de bananas”

Texto e tela: Graça Campos




Uma das mulheres maravilhosas das quais adotei inúmeras lições de vida.
Dessa que me inspiram a trilhar do abstrato ao concreto. E por aí, surge na minha tela mental, mais uma imagem que passo a trabalhar entre cores, luz e sombra...
A tela “PEDRELINA” é uma homenagem à mulher coragem, carinho e fortaleza, que enchia as ruas do Serro de “ALEGRIA”, vendendo frutas, em especial, bananas e sorrisos.
PEDRELINA conquistava seus clientes de porta em porta com palavras faceiras:
“Hei, coração, olha a fruta madurinha! Tem ouro e tem prata!” E acrescentava sutilmente:
“E o amor, como vai?”.

Lá vai Pedrelina, vendendo bananas com um filho no colo
e outro no ventre e o balaio de frutas
e o sorriso nos lábios
e o amor no coração...





Graça Campos / Belo Horizonte, 26/11/2007.
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Pedra Redonda

Tela e poema: Graça Campos





Na grande Pedra Redonda
nasce o rio
ele em busca do mar
ela a desejar os céus...
Já foi morada de gente
anfitriã dos peregrinos...

Nossa Senhora, quanto devoto!

Nossa Mãe!
Vou subir à pedra
entoar uma prece
Ó, padroeira santa!

Ouça!

Os botocudos dos ventos gelados estão a pedir

o rio cheio de peixe, o rio cheio de vida...

De cá eu avisto, do caminho real

a Pedra azul Redonda a reinar...

e o rio?
cheio de peixe?
de vida?

SERÁ ???





Graça Campos Belo Horizonte, 22/08/2009

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Minha Babá

Detalhe da pintura em tela "Tereza Rainha"
Graça Campos


A minha babá foi inspiração para “Tereza Rainha "

de repente a gente se vê de volta à infância
vê também os brinquedos
sente o cheiro de fruta no pé
e, num passe de mágica,
abraça as pessoas que tomaram conta da gente.

Tereza!
maravilhosa, sábia, engraçada
carinhosa , leal, protetora
sossegada conta histórias, dá colo,
adivinha o que a criança quer

uma rainha, um presente
saudade boa demais de sentir...
amo você, minha “Tereza Rainha”!


Graça Campos Belo Horizonte, 2007
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

FIM da GUERRA





Ante o despudor de seres desalmados


Uma menina nua fora arrancada


E posta a correr sem rumo à frente


De outros inocentes.



Impiedosos dilaceram indefesos...


Sinto vertigem diante da imagem


A fotografia me sufoca


Queima-me o peito


Abro-me em feridas violentas


Sangra-me a desigualdade


Desumana / mente...



Projeto outras faces sobre aquela foto


Onde o coração apela e clama


Por acalmar os corações meninos...



Vejo acontecer uma alquimia


Desfalecendo o "papel" do homem


Levando para longe o sofrimento...



E por desejo ardente,


Plasmam chamas de justiça


Cessam os gritos, o choro acabou.


Faz silente o tempo


No ruflar as asas se levantam


E sobrevoam...


Os homens ainda estão armados


A guerra acabou...




Graça Campos. Fim da Guerra. Todos os direitos reservados ao autor. Não autorizada cópia. Indique a leitura através deste blog: http://gracacampos.blogspot.com


ONDE ESTÃO AS MULHERES

Foto de Clevane Pessoa




Onde estão as mulheres?
Saíram... Saíram da rotina...
Estão em todos os lugares
Encontram-se e se encontram
Nos campos, pelas ruas
Pelos ares e nos mares
Nos vales
VALEM...
Sociais não se calam
Libertas, retornam-se EVAS.
Florescem e se frutificam!
E aonde vão?
Caminham em busca de si mesmas
Encontram-se e retornam e se vêem alhures
Bem MULHERES!



Graça Campos
(em 26/12/2007) Todos os direitos reservados ao autor. Não autorizada cópia. Indique a leitura através deste blog: http://gracacampos.blogspot.com

Harmonia

Foto e poema de Graça Campos




Sempre haverá o tempo

em que os tons de alegria

dominem e entorpeçam

de deliciosas fragrâncias

os seres, a vida!



Sempre haverá o tempo

em que a luz prevaleça

o tempo e o vento

o sopro e o farfalho

presságio de sinfonia

e a dança das flores...



De Humanos versos

poetas passarinhos

matizes colorindo a

Crescentes seres do amor...





Graça Campos. Todos os direitos reservados ao autor. Não autorizada cópia. Indique a leitura através deste blog: http://gracacampos.blogspot.com

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Canção

Imagem: Google

escapam ensaios entre arranjos


performam sinfônicos sons ritmados


acordes detalhistas


hábeis dedilhados


expandem até se perderem


para alcances adeptos, perceptivos


afinados audíveis


acolhedores sensíveis


de notas musicais


do toque arterial


à ressonância da emoção



Nasce a canção...


Graça Campos
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terça-feira, 18 de agosto de 2009

Intimidade




Flutuam pétalas róseas
Mergulho fragrante
Especiarias frescas
Pele de mel lábios de maçã
Olhar de estrelas pescaria dos teus
Insinuante riso
Essências de cravo e canela
Ungindo meu corpo
Da cabeça aos pés...
Tecidos aquietam minha silhueta
Em lençol escarlate
Permito-me buscar toda a existência
Para me completar...
Segredo em sussurros o amor
Entrega absoluta
Parede, espelho discreto...
Sensato!
Insensato coração louco de amor!
Descompasso... Passo... Pa s s s s o...
Desfaço





Graça Campos Belo Horizonte, 01/ 07/ 2008.

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O circo e o palhaço

Foto de Gabriel Pessoa





Cidadezinha calma incendiou
Do fogo da fantasia
Saí correndo no tempo
Nas ruas de minha infância
E agucei os ouvidos da memória...

Senhoras e senhores, o circo chegou!
Hoje tem marmelada!
Tem, sim, senhor!
E o palhaço, o que é?
É ladrão de mulher!

Respeitável público, a cidade clareou
Marmanjo virou menino, moça séria se animou
Nas ruas, no picadeiro faz- se magia do riso!

O palhaço é mágico?
É real?
Nunca vi palhaço chorar!...

Desengonçado o peralta
Sapatos que não têm fim...
Pentelho é homem, é gente
Mas ninguém o vê chorar!

É que o choro dos palhaços
É um choro escondido
Por detrás de cortinas
Do grande palco da Vida!



Graça Campos
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Do amor

Poema e pintura: Graça Campos




sentido das eras

aurora dos amantes

das horas dos laços eternos...


O amor que, ora louco, desata a sentir

um forte jeito de olhar e de querer

Sorte de uns, azar de outros

e contorna contorcendo-se em cenas

de sonhar o amor


Cantador adentra noite,

penetra coração, casulo leito

avista no luar o ser amado

compõe declarações inebriantes,

testemunhas em vozes dos amantes


Amor escolhe dia nem idade,

nasce do nome perfeito da flor,

deflora tempo, causa e razão

do bem- querer daquele que jurou

“Eternidade”, acaso for,

Aquela que o poeta consagrou

“enquanto dure”



Graça Campos 17/08/2009.
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Momento

Poema e Tela: Graça Campos



uma vez um pincel

baile de cores

anelos intuitivos...

uma flor? um sentimento?

uma expressão!...

assim desperta a criatura

criadora da viagem!...

a imagem espelhada

é saudade

sonho

realidade

captada,

capturada...

encantada!...




Graça campos
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domingo, 16 de agosto de 2009

Princesa de minha vida

Foto: Graça Campos

Poema de Luciana Campos




Tu, ó linda princesa,

que do mar vieste

para amplitude de meus sentidos

a iluminar este emaranhado

de vidas, de amores, de distintos caminhares...

Logo do mar! Não poderia ser mais Divino...

A minha paixão é aquela imensidão!

Tu, ó linda princesa,

Chegaste para alegrar e encantar meus dias

trazendo tanto acalanto e aconchego às minhas noites

Dizermo-nos amigas, seria muito pouco

Falarmos dos laços de sangue,

também não é tudo...

Neste caso, em que relações

se fundem em única atmosfera,

certificamo-nos das

escritas por LINHAS TORTAS,

DAQUELE GUIA.

É para ti, ó linda princesa,

de poucos anos de vida terrena

de tantos outros afora

que vai meu coração

minha profunda gratidão

por teres aceito o convite,

enfim...

Meu mais genuíno amor.




Luciana Campos
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sábado, 15 de agosto de 2009

Passadiço

Poema de Graça Campos

Thiago Fernandes Google Earth.





Arco arquiteto sustenta as andorinhas
Em uniforme azul-marinho e branco
Gravata-borboleta...

Bando em revoada
Burburinho de adolescer
Vê viçoso o mundo lá embaixo!...




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Girassóis


Karina Araújo Campos




Um guia ao amanhecer
enaltece o viver dos girassóis
em busca da luz suprema.

A flor amarelo-ouro faz giro
em torno de si mesma.
Contempla de olhos abertos e
Sorrisos se/mentes o astro maior.

De aura dourada.
O coração em chamas...

Sementes caem ao chão e
nascem outras flores.

O sorriso emana a
delicadeza e a humildade
de viver a buscar a luz do sol.




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O Sentido da Vida

Foto: Luciana Campos




Poema: Graça Campos


Toques suaves, mãos delicadas em conchas,
Segredo de lidar, afeto e proteção...
Fecham-se num resguardar de seres indefesos
Erguem-se em pedidos, devoção e prece...

Deixe-se levar pelas nuances de sua íris
Eleve seu pensar e terá belas visões!
Delicie-se ao vento, à chuva, à luz, ao sol e ao luar!
Não deixe a vida passar...
Toque o seu coração
Sinta-o bater no peito
Ouça o coração do outro
O bater insano de querer um colo
Enxugue a lágrima que rola
Ou deixe-a rolar...

Quem sabe o desabafo a leve ao mar...
Dos sentimentos!

Sinta o cheiro de PAZ
Envolva-o de abraços
De querer bem...

Dance ao convite das nuvens
Movimente-se até aquietar-se numa roda de olhares...

Ame e sinta-se amado (a)
Desprenda-se de mágoas
E deixe brotar a pureza
Sorria... Cante a música do amor!...



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Versos

Foto: Luciana Campos






Linhas que se curvam
Repletas de bagagem
PA / lavra /s de uma história
Quais cachos buganvílias


Ancoradouros de flor
Transportam a portos
Incalculáveis sensações
Alinhadas, conjuntas ou únicas


Universo infinito
Pensares de outro pensar
Reconhecido ou ignorado


Lugares que penso
Palavras que passo
Imagem do outro
Na linguagem dos versos...




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As Cinco Marias do Morro


Poema e tela: Graça Campos




Lá vêm as Marias enfileiradas
Tão erguidas, puras, ritmadas
Desfilam negras de branco
Rostos sérios
Compromissos assumidos
Em cada colo fita azulada
Ostenta cruzada
A Santa Mãe da medalha

Devotas de sua fé,
Descem morros centenários
E percorrem a cidade
Que se arruma em procissão
Sobem mais fortes montanhas
Transportando e removendo
O sustento de suas vidas
Alimentadas suas almas...

Marias! Cinco Marias!
Misteriosas
Precisas
Preciosas Mulheres
Caminharam para o Céu...




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Maria Pão de Queijo


Poema e Desenho: Graça Campos




Negrinha a tua tez, Maria!
Baixinha, apressada em servir;
Com um cesto de quitutes a traduzir
O branco, a sua lida em nitidez.

Maria, de vestidinhos tão alvos!
Tinha um jeito chamativo
Toda a meninada olhava
Aquele semblante atrativo.

Neta de escravos, a mina,
Mas desde então era livre
Vendia em tabuleiros
Os famosos pães mineiros
E ficava furiosa
Quando entoavam as crianças
A chamá-la o tempo inteiro.

Alguns marmanjos também
Aproveitavam e gritavam:
Ô, Maria Pão de Queijo...
Ô, Pão de queijo queimado!...

Ô, Maria, nos perdoe essa falta de juízo!
Hoje malucos adultos, madurinhos!...
Iguais a seu Pão de queijo
Queimado(s) de saudade
De Maria...
Daquele tempo do Serro!...




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A mulher do campo


Poema e tela : Graça Campos




Antes de o galo cantar,
Já botou água no fogo pra ferver...
Eu sei: olha lá a fumaça a escapar da chaminé...
O cheiro de relva, o sabor do café (com rapadura ou açúcar).
Já tem vida acordada antes do raiar do dia

Ela se ajeita e dá a partida,
O companheiro e a marmita
A família está de pé

Os filhos vão daqui a pouco
Na estrada de chão
Certamente, pra escola do alfabeto e do pão,
E das lições da vida!

As mulheres estão ceifando.
Anunciata, uma dessas, lá das bandas do Cipó
De uma famosa montanha, de campos a seu redor...

Assim é essa mulher, que se arruma e sai pra lida.
Faça chuva, faça sol... Não tem tempo a perder...
Não tem férias... Ai, meu Deus, não tem férias...
Ronda o medo de sofrer... Ai, meu Deus!



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Tranças


Poema e tela : Graça Campos


Teço fios e cordas
E o emaranhado dos cabelos
Na dança dos ventos
Teço meus pensamentos
E busco entrelaçadas formas de criar.

Cato a natureza já desfeita
Na secura do tempo
Apanho arestas e olho pelas frestas

Um trançado...

Busco a quietude
Da raiz às pontas de minh’alma
Vejo arranjos perfazerem esteiras
Que se moldam em balaios mil...

Trago taboa do pântano
Junto pedaços de lida
E já me esbanjam idéias

Vêm a surgir, um por um,
Utensílios, abajours;
Trechos do caminhar
Olhados com paciência

Adornos de bem viver
Distintos, aparentes.
Hábeis mãos em desafio
Fios se vestem de Paz...

Abençoado trançado!



Graça Campos
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Paz e Poesia




P ortal de Luz
A rcos Transcendentes
Z éfiro campestre

E lo Multicolorido

P alavras ao Vento
O ndulantes Pétalas Que Flutuam
E ncontro Divino
S uave Brisa Entre Raios de Sol
I luminando um novo Mundo
A mor e Paz




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Lua de Sonhos





Lua de sonhos
Dos namorados
Lua de mel

O casal enamorado sonha e ama
Com doçura e loucura
Vêm os ciúmes
Os tropeços
Mas ficam os dois lado a lado

O grande encantamento
Vai criando asas
Alcançando os céus

Lua de sonhos
Teria sido em Veneza
Tornou-se lua sonhada
Em Venezas brasileiras

E aquele amor continua
Tão maduro verdadeiro
Os sonhos
A lua
O mel
Existem...




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Chuva de meus olhos






Vésperas de nova estação:
A mãe-terra sensível recebe o pranto dos céus.
A página retórica de um universo íntimo
Rouba-me por instantes e me surpreende!

Lá fora...
A flora, que verdeja, absorve absoluta,
Alimenta-se e traduz em festa
A multiplicidade em doação.

Brotam alvissareiras
As personagens dessa primavera...
Chovem chuvas em meus olhos
Chuviscos de lembranças...

Ah! Esse florir o peito de sonhar...
Quimeras!
E a chuva de meus olhos sem parar
Rebusca no passado, o desejo de sorrir;
Sonhar...

Parece que a alma gêmea escutou
Quebrou silêncio, tempo e amparou
A noite que iria solitária.
Ao telefone a sua voz cessou
E acalentou a chuva de meus olhos.

O tempo, esse, o SENHOR,
De todo recolheu-se...
O silêncio iniciou uma cantiga
As quimeras acreditaram e ostentosas sopraram aos ouvidos
Palavras de saudade!...



Graça Campos
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VIAGEM





Nepal e seu povo auscultam as montanhas...
Ecos divinos vindos do Himalaia trasbordam sapiência
Lições de amor de elevação maior!
Ensinam o cultivo da harmonia 
ESPERAR com PAZ...
Beleza mor de todas as ciências!

De repente, me envolvo com a paisagem,
Desfiladeiro de uma cor tão alva
E tal fumaça erguendo um letreiro
Descobre o verbo e se revela inteiro.
O EVERESTE, meu pouso na viagem!

O Poeta é monte; o Monte é poeta!
Derrama amor, sugere o bem viver:
“A vida é preciosa...
Não deixa escapar o tempo oportuno!
Aprende a conviver!
Não há melhor lugar e companhia
Com quem erramos, podemos aprender...

Entende o outro e terás compreendido
A solução existe: o bem querer!
Rebelar-se quanto às divergências
É estratégia errônea no entender...

Trabalha em ti o perdoar!
Reveste tua mente de criança,
Inesgotável fonte de esperança!

Ouve a voz da intuição!
Encontro Criador e criatura...
Por onde andares, deixa tua marca!
Do riso aberto presente em dose certa
Contagiante bom-humor!

Propaga tuas cantigas pelo mundo,
Volve os olhos para teu semelhante!
E, se a ventura bater em tua porta,
Se a morada simples virar um castelo,
Faz entrar também a honestidade,
Valoriza as origens!
Conserva teus valores"!"...

Ah!... Montanha Asiática!
Silêncio fortalecedor...
Intensiva jornada
Para o “EU” inovador!



Graça Campos
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Pico do Itambé


Poema e Foto: Graça Campos



Manhã fria de maio! Um banquinho de madeira bem no topo da avenida.
Paisagem inspiradora... Serra, ruelas, casario...
Silêncio!...
Gente humilde a buscar o pão do dia.
Fumaça, ainda névoa, e poesia...

Descobre-se, desponta, exuberante,
No espaço real, a pedra farol gigante,
Enquanto a cidade acorda...
Esbranquiçada roupagem evapora, e recomeça a lida!
Pouco a pouco, erguem-se nas trilhas, caminhantes!

Vislumbre de meus olhos, desafio, árdua escalada!
Anseios absorvem o visual, e as mentes itinerantes,
Descobertas de certos e de errantes!

Histórias jorram de seus fios vivos...
Ouve-se o cantar!
São águas – riachos e cascatas a banharem ritmadas,
Sinfonia, corpo e alma dos amantes!

E o visitante curioso, emudecido,
Eterniza o seu pensar
No ápice do ser, alimentada a vida.

Alguém pincela de palavras o momento
E, se aproxima o pico, de seus olhos
Na sutileza desse encantamento...

Do colorido verde, o azul do céu,
Surge um menino “Ítalo” a falar: “...”:
Ele integra, se apresenta, observa
E traz na voz, o eco das montanhas,
Essencial nos versos da poeta.

“Oh, indígena linguagem ancestral”,
Tu és exemplo de postura,
Inspiração, maravilha de postal!
De tua imagem deixas a saudade
De todos nós, Pintura Natural! ”



Obs.No instante em que escrevia os versos, aproximou-se uma criança, o Ítalo, a conversar; falamos daquela terra de poetas e do grande “Ventura”, hoje, poeta lá do Alto...



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Liberdade


Poema e foto: Graça Campos



Pássaro verde esperança
 Vai e vem de peito aberto
À luz do alvorecer
Abre a cortina do dia
Novo horizonte descobre
E continua a miragem

Adentra portal futuro
Experimenta, desfruta,
Retorna frutificado
 E singra por entre as fontes,
Visita torres e montes...

No abraço do reencontro
Crepitam os sentimentos
Inverte revoa e dança
 Corta o espaço destemido
Entre a terra e o céu
 Na consciência da vida

Liberdade é toda cor
Amor silêncio e dor
É esperar acontecer
 A vida a morte o nascer

Assistir ao espetáculo
Ver acender as estrelas
Ouvir segredos da noite
 Despir de toda roupagem
Dar asas à doce essência
Alcançar a luz da Lua

E com olhares de mina
Debulhar os pensamentos
Derramar toda o tormento
 Sonhar  paz entre os humanos
  Em novo tempo de amores...


Graça Campos

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Doidas "Chiquinha Doida"

Eram assim denominadas aquelas mulheres; algumas ainda jovens, outras já maduras, doidas, muito doidas. De jogar pedra. Várias e de variadas formas. As loucuras... As loucas...
Chica Doida ou Chiquinha Doida perdida no tempo, passou pela vida
deixando profundas marcas de reflexões.

Quando Chiquinha perambulava pelas ruas e becos da cidade, quem não fosse muito ágil, levava certamente, uma pedrada ou mais.
Ela as arremessava sem compaixão, para retribuir os insultos e aos chamados das pessoas. Às vezes nem carecia de procurar as pedras, porque Chiquinha já andava prevenida com os bolsos cheios. Foi de muita gente grande zombaria, das crianças, o terror, para outros, diversão...
Hoje fico pensando...

O que teria acontecido com aquela menina que virou mulher com os nervos à flor da pele?

Chiquinha Doida, filha do Serro, mulher do povo, personagem histórica trançada de mistérios da cabeça aos pés...
Presença feminina que marcou a minha infância e adolescência. Anos 60/70.



Graça Campos Todos os direitos reservados ao autor. Não autorizada cópia. Indique a leitura através deste blog: http:gracacampos.blogspot.com

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Reflexões do alto


Foto: Karina Campos



Nuvens passeiam tácitas
Brancos flocos de algodão
Despreocupadas manchas criam formas
E aos poucos se desmancham...
Quanto bicho lá nos céus!
Impressões de carneirinhos
Elefante, ursos gigantes
Paisagismo flutuante...
Atentos olhos observam
Os olhos dos bichos
Uns parecem pensativos
Outros escapam um vazio
E se vão...


O que será que eles viram cá embaixo?



Graça Campos
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Feminino, fortaleza, plural e singular...





O que dizer sobre tamanho universo, o feminino?

Nós mulheres somos enigma, enigmáticas...

Somos fortaleza... Sempre em busca de algo... Sempre a favor do desejo... Sempre desejando desejar!

Muitos não compreendem tal Universo... Dizem ser Universo Bipolar... A verdade é que o “real” feminino é tão grandiosamente dotado de sensibilidade e paixão que o mesmo se torna Universo particular...

Haja sintonia para adentrar... Algo tão plural e singular...




Viviane Araújo Campos
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sábado, 8 de agosto de 2009

Vestidos

Imagem do Google

Poema: Graça Campos


Os meus vestidos são a transparência de minha alma
Os brancos como a neve, bem comportados
Os charmosos, insinuantes ousam decotes.
Uns mais curtos, outros longos
Acinturados, bem coladinhos ou mais amplos à vontade...
Muitas saias rodopios
No verde esmero esmeraldas
Nos tons azuis confidentes
E alguns grape sensuais
Perolados e os pretinhos
Corpetes aveludados, fitilhos trançados
Amplas saias variadas
As vermelhas, violetas provocantes, sensuais.
Tecidas, também rendadas
Expressam mais que finos tecidos
Podem enganar a todos
Inversa, reversa expressão, meu corpo fala encoberto
Intacto em prata, metal.

Em amarelo e coral abrasam em luz do Sol
Ao fogo de verão singrando a vida
Bem vestida em lilás, babado e renda.
Se for florido ou manchado
Se em tons discretos de cinza
Elegante inverno e sábio
Leves sedas e plissados
Justíssimos, alados...
Perfeitos
Perfumados, suados...
Suados...

Vestido de lese, mangas fofas...
Crepe, chamois alinhados!
E o meu vestido de chita?
E o vestido rasgado?
Sempre estão a me esperar...
Não os desprezo mesmo sendo vaidosa
Pois a roupa transparente
Sabe quando a alma chora
Boto meu vestido velho
Rasgado e sonho um sonho dourado
Cato as folhas de outono
Vou refazer meus vestidos...




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IDEAIS SEMENTES

Foto e Poema: Graça Campos



Por ideais lanço-me destemida
Improviso no espaço um ensaio
E vôo livremente em via crucis
Na consciência e no compromisso


Aves pacíficas
Sementes letrificadas
Desprendem-se dos bicos das penas das garras
E se tornam férteis em solos coronários, cardíacos
Essenciais

Reflito, conjugo as funções do poder, sem julgo,
Pulsa-me o pulso, afogam-me emoções
As garras se agarram nos frutos que acordam
E fomentam saber em frêmito alçar

E ouço um gemido: a palavra é fogo
Que queima e devasta a natureza humana
Mas a palavra é bênção, projeção do caminhar
O vôo é livre
Asas se partem
O ideal é sonho, mais que sonhar

A semente é de “paz”
O adubo equilíbrio, se humanizado
Ser ave Voar Ser borboleta
Palavra semente envolvente

Há um suspiro alívio no peito que se abre e inspira
Um degustar e digerir doces, amargos doces
Delícias e sofrimentos
Há dor e lamento na fronte o desejo
Ser fonte palavra e colher gestos letrados repletos
Completos, despertos voados no bico, nas penas, nas garras da simples leveza do entendimento...




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Pirilampos

Imagem e Poema: Graça Campos

Bailam pirilampos
Anoitecem e amanhecem
Assim tão mágicos
Ante o meu olhar

Baile à luz de velas
Chuviscos luminosos
Minúsculas estrelas
Dançam

Faíscas, lampadário!
Completude
Romântico cenário

Bailam pirilampos
Anoitecem... Amanhecem...
Vagueiam com seus lumes
Ante o meu olhar.


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Momento

Tela e Poema: Graça Campos


uma vez um pincel baile de cores anelos intuitivos... uma flor? um sentimento? uma expressão!... assim desperta a criatura criadora da viagem!... a imagem espelhada é saudade sonho realidade
captada, capturada...
encantada!...
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Serra do Cipó


Imagem do Google


Cerração faz mistério
E em silêncio
Criatura adormece
Embalada
Na canção do rio
De curvas
Cipó... Escuro e calmo

Na Serrania
Vento frio gelado
Congela a gota
Que nasce da pedra
Grota, gruta, pedregulho...
Cortina em mármore
Lapida o olho que vê
Olho d’água
Olho de bicho
Lobo guará, Tamanduá ...

A Serra caminha
Na Trilha de escravos
E a tradição é esculpida
Em véus cristalinos de Noiva
Sigo entre bromélias
Que me levam a orquídeas
sempre-vivas

Um moço velho
Guerreiro de andança,
Plantado na pedra
Brotou, virou flor...


Sorri com olhar de esperança
O colhedor de flores
Eternizou...

A serra esbranquiçada
Encontra algodão de nuvens
E se abraçam
Céus e montanhas

Longínqua a serra
De azul desbotado
Mostra a sua
Silhueta.

Vai e vem sem
Se mover
Movem os olhos
Que ultrapassam
Os horizontes...


Graça Campos

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Uma Rosa


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Das Primaveras...

Foto e texto: Graça Campos


Quando nos libertamos para consentir que o aprendizado seja nossa conquista, as descobertas tornam-se visíveis, audíveis, sensíveis, quase que palpáveis.
Os desafios são enriquecedores, as transformações acontecem e o melhor de tudo é SER. Apenas SER.
Há uma frase bíblica que diz assim: “A verdade vos libertará.”
E o que somos? Ou quem somos? A SOMA de nós mesmos.
Comemorar, eis a escolha! Valorizar a vida. Existem formas,
assim também os caminhos, os lugares, as pessoas, o ” EU” que festeja a passagem.
A coragem e a transformação. Assim tal borboleta que abandona o casulo e segue experimentando a leveza de cada primeiro vôo.
“Eleva-se- aos montes e será elevado.” E o grandioso Maciço mineiro mais uma vez testemunha descobertas e ciclos... Da vida! Do SER! Do olhar profundo do entendimento...
A alma em sussurros grita. E as montanhas do Universo Íntimo acolhem os solfejos do âmago ecoando o desnudar-se. O desvendar minucioso, singular que a natureza sábia acalanta e sensibilizada atende, entende e se recolhe para que a nova criatura se deleite de sua viagem transformadora.

Feliz Primavera!


Graça Campos
Poeta e Artista Plástica
Belo Horizonte, 12/06/2009.

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Musicalidade


Tela e Poema: Graça Campos


Melodias, luminárias em cristais
Vibrantes ondas sonoras
Bailam entre arranjos e cifras
Harmoniosas gotas musicais...

Fluem envolventes dançarinas
Quais borboletas volitantes
Descontraídas ou, quem sabe, tímidas

Sustenidos abrem alas aos acordes
Dos vendavais, faíscas e trovões.
Volúveis vozes do firmamento!

Águas se desprendem de pedras lodosas
São berços gélidos e assim recolhem
Pranto e riso de um menestrel...

Luzes se apagam, acende-se o Luar.
Onde está o sonho, Filha da Memória?
Na doce espera de um novo acordar?

Cintilam notas, em raios: Fá / “SI” / SOL!...
Inspiradora, e / terna flautista,
Solfeja uma canção aos meus ouvidos...
Musa Euterpe! En / canto e poesia...



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Infinita Espera


Tela e Poema: Graça Campos


Infinito tempo
À espera
De ti
Mil estrelas são teus olhos
E a Lua traz teu rosto em prata
Imensidão de amor...
Os rios se transportam para o meu olhar
A fixar-me ao teu
Na presença desse instante mágico,
Eterno!

Tu estás tão perto!...
Nas águas como dois golfinhos que se encontram para sempre,
Nos aprofundamos em nós mesmos
E, ao emergirmos de nossos sentimentos, nos vemos únicos, inseparáveis,
A brincar com o luar...
Nosso olhar se adentra em nosso crescer...
É possível ter-te além das curvas e montanhas...
É tão possível esperar-te
Que já te vejo ao Sol a iluminar nosso viver!
Já houve um tempo em que te ofertei rosas amarelas...
Já nos demos rosas de todas as cores
Amigos, apaixonados, enamorados...
Hoje te ofereço uma imensa rosa azulada
Do azul de muito mais que amor...
Por que em mais que todo tempo,
Terna, entendo-te
Apaixonadamente, amante de mim mesma e de ti
Pois é a minha essência que se cala
Quando a tua alma fala ou te calas ou gritas
Ou cantas ou choras
Pela própria força da existência na busca de teu SONHO...


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Onde andará?




Graça Campos

Chegou de mansinho sem pedir licença
Planos traçados de felicidade
E no ápice dos sonhos, avalanche o levou...
Tudo agora é passado!

E veio a dor, da mesma forma que surgiu
Essa outra, descarada nem se atenta
A que causa abraça e sai assim causar descrença
Destinação de corações magoados...

Onde andará?
Só restam-me lembranças...
Por que morrer a esperança?
Vida / morte, morta vida!

Amanhece, anoitece, outro dia aparece
Eu sei que não virá... Eu sei...
Você que me pediu amor e devolveu apenas

SAUDADES...


Graça Campos
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Flores Azuis

Poema de Graça Campos



Meigas azuladas flores
Manjar aos olhos
Pestanejos em desfiladeiros
Ajardinados canteiros
Bordadas abordadas
As flores azuis harmoniosas
Celestes, violetas, turquesa

Lótus egípcios, miosótis,
Hortênsias em cachos
Verticalizadas
Cunhadas
Imaginadas
Nas janelas da alma,
Na palma da mão
Nos bilhetes apaixonados

Mimosas perfumadas
Da cor do céu,
Das ondas do mar
Colhidas, ofertadas
Em tom doce azulado...

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Meu canto

Poema e foto: Graça Campos
Canto de Amor
Eu canto as melodias suaves
Que surgem de recantos
Anunciando inusitados tons
E alcançam ouvidos caçadores de meus eus
Percorrem esquinas do meu pensamento
Buscam cores avivadas, já não tímidas,
Espalham qual fumaça, atingem os espaços, contornam os quatro ventos
Angulares tornam-se aguçadas breve,
E se permitem ecoar
Pedaços do meu coração
Que só aprendeu amar
Não se perca nenhum som
Nem se alastre por aí desafinado
Recolho cantorias em frascos de cristais
Fragrâncias puras, purinhas
Apanhadas pelos campos
Da mais íntima emoção
Musicista amor...


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Água


Poema e foto: Graça Campos

Eu bebo da fonte e me farto de vida
Um milagre escorre, encanta
Com seu cantar...
Carícia mínima na gota de orvalho
Fio que jorra, fecunda a terra
Caminhos que andam margeando
Cílios verdejantes...
Caules aquáticos, benditos,
Saciedade das matas
Borrifos, riscos em prata
Despencam das nuvens
Reavivando as matas!
E desce a chuva com o rio entre montanhas e prados
E sacia todas as sedes da gente dos animais
Lava-me a alma, me acalma, o corpo banha-me...
Mito sagrado de povos indígenas, africanos e de mim!
Mergulho e eterna sou...
Volto às origens, volvo meu ser...
A cor de minha casa, que cor pintaria se não fossem as Águas?
A chuva choveu
A água rolou
O solo se abriu
A Terra tingiu-se de sangue azul
Da veia que brota o que há de melhor!
Olhinho d’água borbulha gotinhas
É o riso da gente, é milagre, é rebento!
Lágrima de mãe ao nascimento liquefeito...
Derrama solo a fora, vai se tornando regato,
Aprende o canto da fonte
Encontra rio formoso
E vai chorar junto ao mar!
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Lótus

Graça Campos Foto: Luciana Campos

Luminosa e pura flor
Em branco, azul e róseo,
Surge do mais fundo lodo,
Inusitada beleza...

Brinquedo de ninfas
Lótus, flor-de-lis sagrada
Encerra vida, coração, amor!

Planta dos deuses, trono flutuante,
Todas as noites fecha e se recolhe
Submersa, adormece
E sonha sonhos de saudar
Para emergir naturalmente...

No amanhecer se faz presente em esplendor
A reverenciar o astro sol-nascente!
O sol, as águas silenciosas da morada.
Fidelidade, ímpar ritual,
A exalar fragrância fascinante...

Fantástica flor da primavera
Espera serena, adormecida, o arrebol!
E ressurge de sono profundo!

Imaculadas pétalas
Misteriosa flor!

Campos, graça. Poema “lótus”. Mural dos escritores, 2009.

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Ciclos


Poema e foto: Graça Campos

Criar e recriar a vida
Abotoado início viçoso
Qual rosa se abre, perfuma
O novo
A cor
A formosura...
E vai-se em rebentos
E ama e aquece e aninha
Aprende e ensina...
Questiona
Desnuda descoberta
Transtorna
Transforma,
Hiberna reflexiva reage
Age
Celebra sábia o ser
E canta canções da alma
E voa sobrevoa
Retorna
Livre reinventada
Será outra vez primavera...
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Lilases


Graça Campos

Às mulheres de 08/03/1857.

O fogo
A cor púrpura
A fábrica
As mulheres
Os c o r p o s s s.
As mulheres continuam vestindo a Cor lilás.
As mulheres
Os lilases
E a cor púrpura
Transmutaram
Violeta-chamas florescem
Eternamente...
Eternamente intuídas
Refletem seus valores
As mulheres continuam tecendo o Amanhã lilás...

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Beija-Flores


Seus voos múltiplos à criação do aconchego
distanciando buscam minúsculas propriedades.
Garranchos, gravetos, cipós,
retalhos da natureza tecidos com arte e primor.
Casais amantes esticam, se entreolham,
observam o espaço assegurado com zelo,
com amor, a construção.

O ninho, o âmago o coração, a emoção...
Os beija-flores ágeis, intocáveis,
tocam leves em doces semblantes o mel,
as faces das flores
Voos céleres, asas delicadas
de um sonho quase invisível,
em tempo de estima.

Em cores convíctas
vislumbram os olhares da criança
ao velho sábio.
Levitantes rabiscam inebriantes recados.
Das penas recebo mensagens
de boas notícias de amáveis visitantes....


CAMPOS, Graça. Texto poético.Publicado no Mural dos eEscritores. 2009.


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Pai, tantas coisas tenho para dizer de ti...


Graça Campos

A tua imagem posso descrever tão simples e, tão completa de sentimentos valiosos...
Cresci com a presença de um pai que curtiu cada momento de lazer que a vida de viajante permitiu...
Aprendi a receber visitas contando com a lembrança de um sorriso largo e acolhedor...
Era assim o nosso encontro. Saltavas da boleia do caminhão para abraçar os filhos ao retornar do trajeto por esse país afora e nós nos abraçávamos aos montes.
Caminhoneiro, doutor na profissão, seguro de teus passos e do volante que guiavas. Sempre batalhador, deu-nos, além de uma infância confortável e feliz, uma herança das maiores, dessas de bens que enriquecem a alma, a razão, do saber, e que ninguém rouba. Os estudos, prioridade em casa.
Pai, contador de histórias, de tua própria história, de tua infância, da escolinha da fazenda Bacuri onde deu tuas mãos à palmatória por seres canhoto.
Pai tratorista, recém-casado e eu a caminho desta vida, ainda na barriga de minha mãe... Abriste também caminhos pelas Minas , na capital...
Pai brincalhão, cara conselheiro, exemplar...
Quantas vezes precisei de tua proteção e tu me envolveste de apoio, carinho...
Em todos os meus eus estás a marcar tua presença amiga.
Eu, menina, eu adolescente, eu jovem, eu agora, já vovó...
Que privilégio, PAI! Tu és força, coragem e amor...
Ensinaste a perseverar e caminhar tentando acertos. Mas não somos perfeitos.
Não me bastaria dizer que és o melhor. O suficiente é que saibas: tu és o único pai que eu sempre desejei ter.
As tuas lições de vida, tua sabedoria, teu vocabulário usual limpo, firme, culto, sem pejorativos encantam-me, e, queres saber?
Fonte inspiradora, onde a gente costuma desembocar para o mundo a rotina que apreendo ainda hoje contigo...
Adoro ouvir a história daquele dezoito de abril, que já vai longe, mas nunca se perderá no tempo.
Hoje, pai, os teus oitenta e quatro anos de idade traduzem a vida de um moço somado às sábias conquistas de inovações acrescidas de inusitada persona na qual, acima do gênero masculino, destaca-se o Pai amor, cuidadoso com sua cria, sensível, acolhedor, até chorão, quando se lembra de algo emotivo, de seus meninos e meninas que se tornaram homens e mulheres, e acima de tudo, dobrados de reconhecimentos do teu valor.
Obrigada, Pai!


Graça Campos /Belo Horizonte, 08/08/2009.


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Sinfonia de Outono


Poema e tela: Graça Campos

Esvoaçam e bailam
As folhas caducas
Amarelo ouro em pó
Ziguezague de borboletas!

Os caminhos tornam-se mágicos
Tapetes reais arranjos do Criador
Revestindo o solo
E dão início a novo tempo.
Folhas caídas se doam
Performance! Perfeito ato coreográfico
Naturalidade / Renovação

É preciso ter a força que se revela despida
Mas que não deixa morrer a esperança
No tempo certo não haverá lamento
Os galhos perdidos dos agasalhos
Vestem-se da nudez saudosa de suas vestes...

Viagem cíclica uma a uma, eis o FALL...
O desfazer-se e o brotar milhares brotos
Na vida que se esvai entre tonalidades terra...
A vida vai? Jamais! Apenas transformada em secura
Trajetória de secagem, trituragem em redemoinhos
Escorregam pelas fontes e se vão em canto lírico

Folhas de outono...
Confetes, adornos de um vendaval! Herança!
Outono, folhas caídas, esquecidas, moídas, douradas!
Agonizam desmancham-se e desabrocham em novas vidas

É Gaia que, em seu colo, acaricia as fênix,
Folhinhas pássaros perdidas sem viço, torradas...
Dormem as vegetações!
No entanto, nesse sono tão profundo ainda
Levam recados alados, no sopro dos ventos

O outono me faz repousar
Prenúncio de flores em minha alma de poeta,...


CAMPOS, Graça. Poema. Sinfonia de Outono, em 21/03/2009.


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Nosso Chão

Foto e Poema: Graça Campos



Pegadas, contos, canções
Poeira de poesias

Em silêncio acordado
Lendas e fantasias
O som do pisar descalço
Embala sabedoria
Nesse trilhar seguro

Nossos rastros de muitas andanças
Marcas calejadas de sustentação
Ecos encantos emoldurando montes
Viçoso mar de ondas verdejantes
Ar de poesia em suas esquinas
Cantam sabiás, gorjeiam bem- te- vis
E no chão esmeralda sinos cotovias
Rumam em festas, tradições sagradas...

Chão diverso, palco de criança a ensaiar os sonhos
Ouve os passos de seus seguidores
Berço dos pés a descobrir caminhos
Esses de lutas glórias brados que registram
Estrada real percurso da memória
Ideais e nobres conquistas
Contínuos caminhares

Abençoado chão
Há de sempre brotar
Meninos e meninas
Minas nos corações brotos de vida
Flor de esperança, liberdade, amor...



Nosso chão foi classificado no Festinverno de Ouro Preto 2009.


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