domingo, 17 de janeiro de 2010

SILÊNCIO PENSADOR

Raio de sol adentra a verde renda
Circula seiva à selva inteira
E emoldura frondosa cabeleira a balouçar
Entre sonoras hóspedes cantoras

Amiga árvore, corpo sagrado das matas,
O subsolo trilha ao tesouro
Profundo atalho em busca da vida...

Ainda cochilam avezinhas
Em moradas construtoras do amor
E das cantigas maviosas

Um bicho do mato crepita sorrateiro
À caça vislumbra o sustento sobrevida
E as folhas secas vão virando húmus


Escoa a cascata ensaiando melodia
E ao regato corre e salta em percussão nas pedras
Berço da fonte viva

E um bicho-homem vê, percebe e cresce o olho
E o bicho-bicho avista e admira
De peito aberto a natureza dadivosa

Há um silêncio pensador
Que inova esse olhar contemplativo
À dádiva divina, que agredida pelo desamor
Traz a resposta natural de ser...

E a consciente natureza humana
Percebe e sensível vai além
De simplesmente ostentar beleza
E se declara amante e parceira...
Naturalmente pela vida afora...



CAMPOS, Graça. Poema. Silêncio Pensador. Ano 2009

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