quinta-feira, 13 de maio de 2010

NEGRA MULHER

Imagem Google


Negra Mulher
De tempos coloniais
Africana ficou em lar
Mudou sua fala, sua morada,
Senzala...
E seu olhar cabisbaixo chorou!
Plantou o que exigiram, cozeu o que saborearam;
E tanto a humilharam...
Mulher de cor!

Ouvi seus gritos de aflição e dor
E no rosto estampado pavor
Para evitar outras formas de opressão
Silenciava, escondia sorrir
Até mesmo o homem negro, seu amor
Atingia-lhe a alma em dissabor
A causar mais sofrer, indignação!

E, como se não bastasse,
Maternidade e sexo tornaram-se exploração...
O corpo escravo sentia desprazer de gerar filhos,
Imaginar que, ao nascerem, ceifariam o desfrute;
Ou mais tarde, estariam entre cenas de um tronco...

Mulher d’África serviu
Para caprichos cruéis,
Objeto de Senhor

Por tanta deslealdade,
Anseio de outro viver,
Resgata, de alguma feita,
Cultura, fé e valor!

Bem podia imaginar seu nome, marco na História
Dos Quilombos liderados a buscar libertação
E surgiu um movimento trazendo nas asas do vento
Enorme força a espantar e pôr fim no seu lamento.

A mulher negra percorre “livre” sem poder voar...
Precisava ter ciência de um novo caminhar
Havia se libertado sem saber a independência.
E mudara da senzala para um cortiço apenas
Assumindo a cozinha de abastadas famílias

Por migalhas...

Após lutas e mais lutas e conquistas de direitos
Perpassar dificuldades, racismo, preconceito,
Negra mulher, consciente, será respeitada...
Cada vez mais, cada vez mais!

Graça Campos

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