quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ao poeta, Adão Ventura!

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No céu dos poetas
brilhantes estrelas
clarão em cheio
nas serranias
um sol raiando
aos montes de Minas
e nos horizontes da vida!

Graça Campos,
18/11/2010.



ADÃO VENTURA Ferreira Reis
Nasceu em Santo Antônio do Itambé,MG
1946


Menino Adão de seus primeiros anos vividos na roça,
em condições precárias.
Mas vencedor pela vontade de sempre aprender
e enxergar além das montanhas.
Neto e bisneto de escravos, sedento de ser cada vez mais livre.
Nasceu aventureiro de seus esforços,
carregando no  sobrenome,
a busca constante de uma BOA SORTE ...

VENTURA moço de um longo percurso por entre as plantações, na escolinha rural de seu chão, terra natal, o filho itambeano, que estudou também em Serro, rumou para a capital BH.
Quando ainda estudante de direito, tornou-se referência entre os escritores mineiros de sua geração, formou-se pela UFMG.

Da Fundação Palmares de Brasília, o poeta, advogado que se dedicou à cultura negra e, nos anos 70, professor de Literatura Brasileira na The University of New Mexico (USA).

Autor premiado escreveu vários livros e participou de inúmeras antologias.
É considerado um dos maiores poetas negros brasileiros do século XX.
Faleceu em Belo Horizonte em 2004, quando preparava a publicação de suas obras completas
tendo várias inéditas.





COMENSAIS

A minha pele negra
Servida em fatias,
Em luxuosas mesas de jacarandá,
A senhores de punhos rendados
Há 500 anos.



CONGADO

Reis e rainhas
Príncipes e princesas
Não deixem
que minha força
se vá pela correnteza
de mil dúvidas
e nós
travados pela vida
cada vez mais cáustica.



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EU, PÁSSARO PRETO

eu,
pássaro preto,
cicatrizo
queimaduras de ferro em brasa
fecho o corpo de escravo fugido
e,
monto guarda na porta dos quilombos.





PARA UM NEGRO


para um negro
a cor da pele
é uma sombra
muitas vezes mais forte
que um soco.


Para um negro
A cor da pele
É uma faca
Que atinge
Muito mais em cheio
O coração.


Publicou os seguintes livros de poesias:
Abrir-se um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul, 1970;
As musculaturas do Arco do Triunfo, 1981; e A cor da pede, 1981.


Sua poesia é impregnada das questões da negritude e nos seus versos estão claras
as maldades do mundo!

Pintura a óleo Graça Campos " Pico do Itambé"


Graça Campos, 18/11/2010.
CAMPOS, Graça. Homenagem. Ao poeta, Adão Ventura! 

Um comentário:

  1. Às 13:24 em 20 novembro 2010, Arthur Jaak Wilfrid Bosmans disse... Belíssima homengame ao Grande Adão. Trabalhamos no Suplento Literário do Minas Gerais e Adão foi um grande companheiro e meu parceiro como letrista de minhas musicas, quando participávamos de vários festivais. Merece muitas homenagens não só hoje, mas pelo grande poeta e "EMBAIXADOR" da literatura brasileira quando convidado por algumas Universidades nos EUA, para lecinar nos cursos de Literatura Contemporânea Brasileira. O tempo de Adão é sempre inesquecível pela força vibrante, cosmopolita, (apesar de sua origem simples), o que o fez o mais notável poeta de uma nova geração, que hoje, vê em Adão, um ícone da poesia intrigante, rebelde, e cheia de novos traçados literários, nos oferecendo o deleite do repensar poético.

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