sábado, 30 de janeiro de 2010

SAUDADE


Créditos da Foto: Edmo da C. Pereira


SAUDADE...
Palavra privilégio da Língua Portuguesa
Da Mãe Latina trouxe consigo sete letras
E muito mais que sete vidas

Filtro de sentimento, a saudade vem
Sem a cerimônia de pedir licença
Incontrolável riso, desenfreada lágrima,
Ou gestos de reconhecido instante
Outrora encontrado
Desnuda, porém sutil aos olhos de quem vê
Mas não está a sentir o que deveras pensa...

Datada de lembranças do ser de cada ser
Vem a sorrir sorriso leve,
Olhar vagueando trechos de um tempo
Que se vestiu e foi-se embora
Trajando um sobretudo guardião
Para, em mero instante, voltar
Disfarçando as horas de ausência...

E o choro, às vezes dor que desatina e dói,
A trama que jorra o rir e o chorar
Só será mesmo teia da memória
Se for especial e desejável...
E somos pegos de surpresa, e presas desse sentimento
Mas todos nós sopramos essa leve pena
Bem navegando nas ondas do viver...


Saudade de um caminho, de uma pedra,
De um cheiro doce de um esteio,
De um ombro, de um sonoro passarinho
De um fim de filme que deixou no ar,
Justamente o desfecho “desejado.”

Saudade do tempo de criança
Da chuva fria de uma tarde preguiçosa
De um passo na escada, de uma folha que cai,
De um tempo e de um mundo mais ameno e belo...


Graça Campos, Belo Horizonte, 30/01/2010.
CAMPOS, Graça. Saudade.

domingo, 17 de janeiro de 2010

NATUREZA HUMANA

Menino inquieto do ventre pulou
O rebento rumou direto pra luta
Do dia lampejo
Solidão companheira
Percorre agourado a multidão

Seco menino chora
Cheira lágrima e dor
Da rua a vida cruel não perdoa
Sua sede, sua fome, seu sonho, seu chão

Menino inquieto tornou-se
Estátua de sal no deserto da vida
Desfez-se em fragmentos
Nas vias do cotidiano

E o menino inquieto amava a natureza...


CAMPOS, Graça. Poema. "Natureza Humana". Ano 2009.
http://www.jornalaldrava.com.br/N81_Jan_2010/pag_04.gif
http://www.jornalaldrava.com.br/N81_Jan_2010/pag_04.gif

SILÊNCIO PENSADOR

Raio de sol adentra a verde renda
Circula seiva à selva inteira
E emoldura frondosa cabeleira a balouçar
Entre sonoras hóspedes cantoras

Amiga árvore, corpo sagrado das matas,
O subsolo trilha ao tesouro
Profundo atalho em busca da vida...

Ainda cochilam avezinhas
Em moradas construtoras do amor
E das cantigas maviosas

Um bicho do mato crepita sorrateiro
À caça vislumbra o sustento sobrevida
E as folhas secas vão virando húmus


Escoa a cascata ensaiando melodia
E ao regato corre e salta em percussão nas pedras
Berço da fonte viva

E um bicho-homem vê, percebe e cresce o olho
E o bicho-bicho avista e admira
De peito aberto a natureza dadivosa

Há um silêncio pensador
Que inova esse olhar contemplativo
À dádiva divina, que agredida pelo desamor
Traz a resposta natural de ser...

E a consciente natureza humana
Percebe e sensível vai além
De simplesmente ostentar beleza
E se declara amante e parceira...
Naturalmente pela vida afora...



CAMPOS, Graça. Poema. Silêncio Pensador. Ano 2009

sábado, 16 de janeiro de 2010


Encerramento Coquetel no Museu da Pampulha BH/MG.





Embaixada do Brasil no Chile


Abertura da Exposição CIAB II Dezembro, 2009.
Museu Pablo Neruda/ Isla Negra-Santiago/Chile