terça-feira, 31 de agosto de 2010

JARDINAGEM

Imagem do Google


A construir um jardim,
Uniram-se três borboletas de asas leves, delicadas,
Morada humilde, paredes desbotadas...

Qual seria o segredo da felicidade de uma borboleta?
Flores ideais, plantas hospedeiras, para uma vida inteira!

Em tardes certeiras, as três punham a voar para escolher...
A primeira, a segunda e a terceira desejosas de beijar as flores
Fiéis seguiam ora voejando, outrora pairando
E se inspirando a caça das prediletas cores

Imaginavam ansiosas, os perfeitos amores
Uma de asas treinadas, outra a seguir experimentos,
E a outra, doce borboletinha em carrinho de bebê
A aprender o vôo de mãe, de avó...

Ainda não completara um aninho e solfejava florais:
Acácias, dengosas,
azulzinhas,
spatifillus, brincos de realeza

No compasso, sons angelicais, zelosas ali, acolá,
Para ninguém percebê-las, visitavam os canteiros das mansões daquela orla
Desfrutando doce mel na miragem do espelho d’água
E, na hora oportuna, se entreolhavam, a muda de flor retiravam

Garantida colheita, cúmplices borboletas e mudas,
Mudinhas, silêncio delicado...
Entendimento!

Multicoloridas, sensibilizadas, convidadas de honra para nova morada!
Desciam, subiam ruas, as mudas transportadas em automóvel de bebê.
Verdes tons desfilavam no jardim principiante
E o bebê ia ao colo do vôo iniciante...

A gama refinada, favorita
E o noviço canteiro já se tornara viçoso
Caras plantas, ornamentos que nunca tiveram preço

Da paisagem da Lagoa, as faceiras carregaram
Nos versos a poesia, e na mente, fantasia
Sabedoria em plantio, das espécies,
As arteiras esbanjaram ousadia.

Da suavidade, fragrante sonho realizado
Das peripécias, "Fada Flor" fez o sonho acontecer
Naqueles dias nascera nos corações plantadores
Gigantesca borboleta para tratar dos amores...

Hoje, o florescer encantado é parque de diversões decorado:
Acácias, beijos dobrados, pingos de ouro, jasmins, e dos amores perfeitos
Optaram por não cultivarem corações magoados
Serenas, as borboletas criaram o "Borboletário de Princesas”
E a morada desbotada, tornou-se cheia de vida!


Graça Campos

Poema dedicado às queridas Luciana e Luiza

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fotografia

Arquivo Pessoal

Era como se quisesse
Deixar de lado
Aquele porta-retrato
Que ostenta magnífica
Imagem fotográfica

Meio sorriso
Em branco e preto
Salienta luz em face
Fotografia cobiçada
Os mais precisos alertas

De cor de noite sem lua
Os olhos se acendem no flash
Quase a saltar expressivos
Profundo olhar
Mil segredos...

Leia-me:
Sou a voz interior
Sou janela de meu ser
Transbordante do querer
Jamais viver solitário
Percorro espaço e o tempo
A espera de um abraço

Mil histórias contidas
Pedaços de mim em meus olhos
Retratos de uma vida...
Graça Campos

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Minhas jóias

Imagem do Google

A vida,
Meu maior presente
Minha mãe e pai guerreiros
Meus irmãos companheiros
Todas as lições
Meu sangue, e seu percurso
Geração em geração...
Todos os sentidos em movimento
As flores, as águas, o fogo e o ar
Os bichos, a chuva, o sol, e luar
Estrelas, os campos e os bosques
Toda a imensidão
Sonhos, os amigos,
O meu amor
As crias meninas
Com nomes de flor
Jasmim, Rosa Rubra e Girassol
E a Branca Luz, chama viva, criança
Meu coração...
Esperança!


Graça Campos,23/08/2010.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

CLARA E NUA

Óleo sobre tela "Lilases" Graça Campos



Nos arredores da aldeia
Rumo à estrada sinuosa
Há um mistério profundo
Uma louca desvairada
De olhar mais triste do mundo
Tanto tempo esquecida
De seu amor e da vida

Em noite de lua cheia
A moça, após banhar-se
Nas águas do grande rio
Usa traje de princesa
Que sempre usava na corte

Vai pelo bosque esvoaçante
Cantarola, esbanja rimas
Preenchendo-lhe o vazio
Amante mulher tolhida
De tanto amar esquecera
De seu precioso valor
Ao enroscar-se nos galhos,
Clama por força e guarida

A lua, que a tudo assiste,
Não se conforma e persiste
Quando a louca se contorce,
Arrancando as suas vestes.
Ilumina um atalho
Jura devolver-lhe a paz...

Ao retomar a consciência
Borbulham certas lembranças
Fica a morrer de saudade
Não mais queria sentir
No coração tanta dor...
Dos anseios, dos afetos

Entre uma fresta e outra
De galhos, folhas sombrias,
O farfalho e o suspiro
Mesclados risos e choro,
Libélulas, beija-flores
E o canto da cotovia

As amarras se desfazem,
A louca desata os nós
E balança a cabeleira
Emaranhados arabescos
De sonhos que se comprazem

Louca lúcida desfalece,
Encontra maior razão
Curva-se e ali recolhe
Um por um, pedaços no chão
Para, inteira, reintegrar-se.
Volve seus olhos aos céus
Estende as mãos à lua amiga
E entoa a mais bela
De todas as cantigas...

Lua e mulher, Clara e Nua
O ciclo se faz presente
Uma e outra mutante
Contracenam com maestria
Força e desejo constante.
E, quando a lua se vai,
Um silêncio contagia
O recanto e a mulher
Dormem um sono profundo...

Graça Campos
(em "Olhares de Mulher")
A autora.


Comentário:


Simplesmente MARAVILHOSO!
"Assim como a lucidez, a loucura é um insight da vida aguçado pelo desejo do self desconhecido".


Karina Campos
Bjos...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Rapadura rima com poesia

Imagem do Google


Caldo de cana no fogo
mexido no tacho
Vira melaço


Poesia ao pé do ouvido
Pedaços de rapadura
No céu da boca!


Rapadura e poesia
Duas doçuras
Rima pura!


Graça Campos,16/08/2010.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

DILEMA


Imagens itinerantes desfilam
Desfazendo flocos de algodão do meu pensar
Manchas navegantes no azul dos céus
Figuras que se vão
Não sei se fico apenas a olhar
Ou se permito que se vá o meu dilema
Se vou com elas caminhando
Percorrendo as veredas
Ou se retorno a Terra
E encaro as marcas, nuvens rastros nublados de poeira
Do chão do meu caminhar...

Graça Campos

Belo Horizonte, 19/ 07/ 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Vento de agosto

O vento de agosto toca minha face
Suave carícia
Jasmim

Recorta o espaço
Zumbindo nos campos
Vira vento gelado
Despenteia os cabelos

Na voz um sussurro, um gemido,
Carrega consigo os apelos
Deixa minhas mãos geladas, emoção
Uma prece, um pedido

Das montanhas desceram mistérios
Alcançaram os vales,
Até balançarem as plantas rasteiras
Escreveram nas águas letras onduladas
Recados de Zéfiro

Minha pele suspira, e os poros acatam
Toda a essência e frescor
Natureza divina

Sopra-me um canto de amor
Varre todo o meu medo
Depois sai por aí
Perfazendo caminhos
Cercado de seres alados...

Graça Campos, 06/08/2010.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

SÔ MINERA!

Ói, eu sô minera, uai!
gosto de ispiá primero, pra dispois chegá
tenho amor a minha terra
guardo um trem grande no peito
quando o coração apita,
dou tremedera
tenho orguio de minha gente
jogo conversa fora
na bera do fogo
conto mintira que vira verdade
na boca do povo...

pe cá pe lá, daqui e dali me ponho a cantá...
sô minera prendada, cara de jeca
mas mi ingana que eu gosto...

penso no ouro, nas terra
penso nos fio da vida
lavro a PA / Lavra
lapido quimera
planto curtura
reflexão das serra

no meu aconchego
fico matutano idéias
de liberdade...


Graça Campos.Poema.SÔ MINERA!