terça-feira, 28 de setembro de 2010

SINISTRO

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O lado escuro
Obscuro, lodoso
Inatingível
Atinge, fareja e fere
Imundo malcheiroso
Impregnado do egocentrismo
Mostra a cara,
Não olha olho no olho

Escuro, camuflado
Sem sol, sem brilho
Seco e frio
Sombrio

Frieza no andar, no falar, no olhar...
Vendaval de pensamentos torpes
Mesquinhos, nojentos, rudes
Toscos gestos, carregados de ira,
Como lanças pontudas,
Lancetando, dilacerando...

Chuva de chumbo,
Céu turvo, nublado
Flores mortas
Mãos impiedosas
Ruga sinistra
Coração torrão
Desdenhoso, irônico
Jeito cru, miserável
Poço do orgulho, egoísta, opaco

Não ama, não se ama
Doente de / mente do Coração
Não sabe o que é perdão!




Graça Campos, 22/09/2010
CAMPOS, Graça. Poema. SINISTRO.

DESTINO


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Um sobreiro secular
Fora um dia, árvore pequenina
Assim como também fui um menino
Deslizando meus sonhos
Em barquinhos de papel

Inda criança
Tecendo fio da vida,
Embalei a esperança
Construí para minha lida
Uma leve embarcação

Meu destino:
Um sobreiro
Um fio, um rio
Um lamento:
Gemido gelado...

O’, sobreiro de meus sonhos partidos
Dos remos quebrados,
Nos braços das águas perdido...
Não percebeste o mover-se veloz, a correnteza
Junto à fúria do vento, gelados gemidos,
Descompassadas batidas do meu peito?

A moira já desperta e se levanta
Prepara-nos o sustento matinal
Já aquecida a lareira se encontra
Não lhe falta a coragem da espera
Mas não se ouve o pisar nas folhas secas

A aldeia dorme...
Nem um mísero sinal de meu retorno
Cá estou mergulhado no mais profundo sono
Onde as águas revoltas dissolveram
Um por um dos meus sonhos...



Graça Campos, 27/09/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. DESTINO.

NOITE

Esta bela montagem é presente da Sílvia Mendonça,
minha amiga jornalista, escritora, poetisa talentosa e muito querida!
Obrigada, amiga!





Escura noite... Hoje prefiro-te assim
Por guardares meus suspiros e lamentos
Discreta escuridão, guardiã dos ais
Detalhes de meus “eus,” és confidente

Ainda que eu esteja no escuro
Basta-me o fato de somente ter
A noite que se veste companheira

Segues na madrugada rumo às fugas
Atendes os apelos e não julgas
Pressentes a derradeira sina
Já viste outras pela vida inteira

Noite, escura noite,
Nem me causas temor
Ao inverso, alivias-me

Entendimento mudo...



Graça Campos, 27/09/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. NOITE. Publicado em: http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/noite-7

MULHERES na HISTÓRIA

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Em sonhos especiais sonho acordada
A natureza me toca o coração
Permito-me soltar em devaneio
Vêm em chamas ardentes os anseios
Fumegam os instintos, ronda o medo
Em questões culturais eu me atrevo
Deixando ao léu, angústia e desconforto

Trago comigo uma força cuidadosa
Observo, percebo e invento
Vezes sou borboleta em voo curto,
Ora, uma águia destemida

E por aí, vou entrando,
Pé no chão, olhar atento
Faço história em movimento
Aos reencontros longínquos
A partir de “Antes”...

E vejo ninfas brincando
Lendárias deusas dos bosques
Silenciosas e puras em torno de Lótus
Lobisomem feminino em mula sem cabeça
Estratos da inconsciência
Cujas profundas camadas
São instintos, tão prementes

Senhoras cultas tão belas
Amas singelas tão sábias
Cantam lendas encantadas
Bálsamo de ninar crianças
Tornando-as ternas, criativas

Da antiga Roma e atuais
Outros cantos do mundo
Marias Bonitas e amadas
Mesmo em desertos de cobras
Em coliseus, Amazônia
Castelos ou pantanais

Deusa do Amor, Afrodite
À dos araxás das MINAS
Bela mulher Beija-flor
Banhou-se em águas divinas
Esbanjando juventude

Nossas avós capturadas
Em laços de violência
Demonstraram indignação
Força latente, resistência
Seguiram na evolução
Contemporâneas indígenas

De Enheduana de Nana
Sacerdotisa e poeta
A EVA independente
Buscando a vida em si

Da virgem de Nazaré
E de Ana avó do mestre
Maria de Magdala
Opostos comportamentos
Mas coração um só amor

Da Grécia Antiga Deméter
Bela Senhora das Plantas
Protetora das mulheres
Do amor materno e fiel

Da poetisa, escritora,
Jornalista, professora
Intelectuais cobradas
Oprimidas, pressionadas
Tantas outras provedoras
Daquela mulher rendeira
Costureira e fiandeira
Todas por demais prendadas...

Compreendidas sejam!

Em cobiçado espaço interior
Cada qual com seu destaque
Existe em relicário
O mais profundo dos sonhos...

“SER”...



Graça Campos, 03/09/2009.
CAMPOS, Graça. Poema. MULHERES na HISTÓRIA.
Publicado em: http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/mulheres-na-historia

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CANÇÃO de PRIMAVERA

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Manhã de sol,
Longos fachos dourados
Pontilham toda a relva

Risos escancarados se espalham
Contagiando as ruas, os canteiros,
E os rostos das pessoas

Entre a brandura dos ares,
Vento Zéfiro,
Rouba um beijo
Suavemente

Metamorfoseou deusa FLORA.

Em dias frescos, plena primavera
Dançam flores entre as quimeras
Flora vem oferecer-nos seus buquês,
Matizes, doce mel e bem querer

Deusa da Alegria, Fada do Amor,
Cálices de pétalas transbordam de suas vestes
Enchendo a vida, em taças de sorrisos
Enfeitiçando frascos perfumados
Entretendo os casais enamorados

Noite lá "Flora"!
Na madrugada, banham-se do orvalho
Almas de flores bebem do sereno
Em nova aurora...

Despertam viçosas,
Fontes de luz
Manhã de sol
Tardes avermelhadas,
Garganta da noite,
Enluarada
Iluminada
Deusa das flores!




Graça Campos, 23/09/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. CANÇÃO de PRIMAVERA.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

VESTIDO AZUL PAVÃO


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Decote ousado, o vestido azul mesclado com prata
Mais parece uma noite de estrelas
A música, os casais, as debutantes
O show...
As bateias decoram ao centro as mesas
Convidados se acomodam.
Meninas-moças desfilam alegria
A orquestra divinamente
Convida!
Eu danço, faço a minha festa...
Vestido charmoso, insinuante!
Em azul pavão danço todos os ritmos
Partilho do rock à valsa
Com os pares, com o meu par ou ímpar
Tudo em movimento!
Um "birinight", dois, três...
Um brinde à noite de céu estrelado azul pavão
Um brinde à música tocada
Um brinde à dança
Ás debutantes
E ao meu vestido azul pavão!...



CAMPOS, Graça. Poema. VESTIDO AZUL PAVÃO.

ÁRVORES de minha infância

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Abacateiro, imenso no quintal,

Bem pertinho da escada

Onde dava para a cozinha

Descia um tantinho assim,

Lá plantada a goiabeira


De um lado, pés de laranja

Do outro mexeriqueira

E bem no rumo da cerca

Bananeiras, com seus cachos

Onde foi feita uma cova

Para deitar o meu cãozinho!


Já a caminho da chácara,

Do Vô Geraldo, padrinho,

Era o corredor, um bosque

Eu saltitava menina

Entre árvores frondosas

Uma mais bela que a outra

Tantas altas e famosas


O pomar uma fartura

De frutas, e passarinhos

Que saudavam visitantes

Com cantigas maviosas

Entre mangueiras floridas

Os sabiás em seus ninhos

Apresentavam à vida

Orquestra esplendorosa


Bem próximo da varanda,

Havia um pé de jambo,

Com seus frutos madurinhos

Goiabeiras se dobravam

Goiaba branca ou vermelha

E a chuva de dezembro

Pintava bolinhas roxas

Baixinhas jabuticabeiras


Lembro-me de uma gigantesca,

Sagrada árvore da escola

Salpicada de florzinhas

A paineira desenhava um tapete

No jardim, de sua homenagem.


Éramos todos poetas

Saudando a árvore amada!

Logo após as poesias,

Meninada agradecia

Sombra, fruto e madeira.


Amo todas essas árvores

De minha infância querida

Que os anos trazem comigo

Amor pela natureza...





Graça Campos, 21/09/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. Árvores de minha infância.
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INCESSANTE

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Ouça-me,
Sou a canção que toca teus ouvidos
A devolver-te alento e a ternura
Quando nas horas pálidas, tormentos
Da triste sina de ti, criatura

Quanto querer a força que te escapa
Adoraria devolver-te em tempo
Trago detalhes gestos e quimeras
A transformar-te os maus agouros
Sou teu sonhar ardente onde o momento
Chega a sonhar-te o sonho do aconchego
Sou guardiã e ouço teus apelos
Quando acaso, ocaso se achega
E os derradeiros raios trás dos morros
Morrem à beira da escura noite

Sou a possível forma que encontrei,
De acender-me diante a tua treva
Sou estrela em noite que te afaga
E norteia teus passos tortuosos
Insisto em ser a mão que tanto aspiro
Que fosse a tua mão a ser meu guia

Toma-me,
Teimo em ser-te amada
Em teus braços quero ser ninada
Abraça-me, que te serei, quem sabe, a lua
Bem cheia e brilhante no teu céu...

Sinta-me,
Sou o sussurro do vento que arrepia
Sou as batidas fortes cadenciadas
De um coração que jorra sentimento
Tua muralha, se preciso for

Venho de longe em sôfregos tropeços
De um caminhar errante, uma utopia
Por tentação de ter o amor primeiro
Sou mistura de gênio e de fada,
Sou insensata no jeito faceiro
Já me escapei de furacões gigantes
Arrebatei imensidão de ondas,
Mas quero esse amor ainda seja
Busca incessante de ter e ser amada...



Graça Campos, 20/09/2010.

CAMPOS,Graça. Poema. INCESSANTE.

DEMÉTER

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Deusa da vida

Mãe,

Senhora das plantas

Vestida em verde e guirlanda

De toda cor e florida

Das estações que seduz,

Traz nos braços cereais

A colhedora donzela

Já se torna abastada

E depois sábia anciã...




CAMPOS, Graça. Poema. DEMÉTER.

PRIMAVERA MINHA

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A minha primavera será florida

Durante todo mês de abril

Mesmo quando a natureza escondida

Nos meus dias se perder

E o tempo se curvar cobrindo

O solo de flores sequinhas

Despetaladas, murchas

Vai transformar a terra em nova flor...



CAMPOS, Graça. Poema. PRIMAVERA MINHA.

A MULHER QUE PASSA

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Olha a mulher que passa
Por inteiro mulher
Que se tornou madura,
Mas tem no coração a meiguice de menina...
Bela se arruma se enfeita,
Sensual, sem exageros.
Auto-estima de bem-viver!

A mulher que passa, olhares tantos encanta!
Sua imagem, cheiro e andar
São mistérios de momentos
Ninguém sabe desvendar...
No balanço cadenciado vão-se os quadris e os seios...

Olha a mulher que passa com marcas fortes do tempo
Cada traço uma história, um cuidar, um sentimento.
Os anseios, corre-corres, intempéries e as conquistas
Traz em seu rosto sereno, um sorriso acolhedor
Sábia, cultua mais que zelo exterior
Convicta de que o feminino vai além de uma estampa.

Sensualidade não se compra
Nem tampouco se encomenda
É da própria natureza!
Não existe cirurgia que possa com tal beleza...
Deverá ser vaidosa sempre na medida certa
A escravidão da alma deteriora o corpo
Por mais que seja perfeito...





CAMPOS, Graça. Poema. A MULHER QUE PASSA.

RIO das VELHAS

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Uaimií nasceu menino
No berço frio de pedras
Das águas das “Andorinhas”
Tupi-Guarani, "gwaimi"

“Rio” das Velhas
Cresceu forte e correu
Serpenteando a riqueza
Fertilizou muita terra

Caminha, RIO CAMINHO
Precioso colorido
Das pedras da cor de ouro,
E da cor verde dos olhos,
Dos olhos de minha avó

Rio

Das Velhas tribos descendentes
Em suas águas navegadas
Navegam grandes anseios
De rever seus cílios longos
Dar colo aos filhos aquáticos...

Veleja ao vento o sonho
O mesmo sonho inspiração
De uma sábia alma
Do imenso e belo sertão

Manuel, imortal vaqueiro
Eternizando o rio cheio ,
Na transparência vital
De um cardume...

Aos feixes,os peixes
Desfilando bailarinos
E um lindo coral de Lavadeiras...
Saudando o Rio!

Uaimii nasceu menino
Banhando as “Andorinhas”
Caminhou por entre as MINAS
E abraçou o Opará
Seguindo o seu destino
A desaguar junto ao mar...



Graça Campos, 01/04/2010

CAMPOS, Graça. Poema. RIO das VELHAS.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O PIANO

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Tangem suavemente

Toques mágicos

Escapes afinados

Pausam!

Em suspense, silenciam...

Quedam e escorregam hábeis mãos

Brotam das pontas dos dedos

Sedas leves, ágeis,

Ligeiros múltiplos acordes

Entoando vibrantes tons do coração...


Graça Campos, 16/09/2010.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

EDUCARE / EDUCAR

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Quando a sensatez demarcar os propósitos de se criar caminhos, desenvoltos movimentos, e significativas estratégias, os espaços serão pacíficos, portanto, empreendedores do tempo das vivências.

E, somadas as bagagens, haverá um fulgurante esteio onde o chão alcançará os pés que, por vezes, sem esse mesmo chão, pisoteiam as cabeças de quem anda sem eira.

Quando se deitarem vastos plantios, repensando qualidade em ambiências, surgirão moderações e delimites.

Então, de peito aberto, todos vamos dormir na madrugada, um sono forte, profundamente descansados das maldades, figuras desumanas.

Antes de surgir o sol, separemos as boas sementes, preparação cautelosa, cuidando de olhar com jeito para que nada se perca...

E, semeando palavras, sonoras canções da alma vibrarão as cordas do terreno coração!

Espairecer pensamentos, regar com célula viva, a mente sã destemida, é engenho da produção.

Semear mais que palavras, as ações que se repetem, quando os exemplos arrastam e geram outras ações.

Recordar enredos e acordar talentos, revigorar as estruturas essencialmente humanas, retirando as viseiras, abrindo novas trilhas, descobrindo os poderes da ultrapassagem, para a proposta real da nossa existência...

Evolução!



Graça Campos, 16/09/2010.

CAMPOS, Graça. EDUCARE/EDUCAR.

AVE, ROSAS!

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Ave, rosas,
Refúgio dos sentimentos,
Dos marcantes momentos
Dos corações harmoniosos
Apaixonados
Ave, rosas,
Vozes-cantigas, que inebriam
Perfumados recados e clamores
Rosas de todas as cores
Benditas sejam, entre homens e mulheres!
Rosas rainhas, rosas singelas,
Brancas, amarelas,
Rubras de amor,
Ressurgindo entre espinhos
Desabrocham inteiras
Quais donzelas!
E se deixam tocar embora tímidas
Revelam segredos
Sem palavras
Mil sensações
Essas hábeis mensageiras
Derretem corações...

Graça Campos, 15/09/2010.

CAMPOS, Graça. Poema. AVE, ROSAS!.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

SINFONIA das ESTAÇÕES

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SINFONIA DAS ESTAÇÕES - Duo: Maria das Graças Araújo Campos e Hildebrando Menezes

Antes que a brisa sopre os meus versos
Em devaneios de desabrochar
Reflito povoado pela força do universo
Como em tua poesia posso mergulhar?

Eu me alimento da gota de orvalho
Manjar da madrugada...
Paira no ar suave odor do carvalho
Suculento silêncio em disparada

Desabotoo a vida e entorpeço
Do próprio cheiro
Alço meu voo sem tropeços
Sinto-me por inteiro!

Antes que o sol acorde em breve
Doce manhã
Ouço o canto dos pássaros... Leve!
Entre as cortinas dos sentimentos

Abrem-se rebentos
É primavera!
Sinfonia cresce a cada momento
Setembro gorjeia suas esperas

Já serpenteia a borboleta entre os ramos
E o beijo a flor lambuza-se do mel
Inicia-se a dança da terra e do céu
A natureza exuberante pulsa e clama

Outra estação se entrega ao ciclo
Doura-me os pelos, pele e dá calor
O mar assopra sussurros de amor
Tudo arrepia, inebria em círculos

Sou brilho ouvinte em teus apelos
Um novo tempo ameno vem dos polos
Vejo-me então acolhido em teu colo
A tua ternura acaricia e acolhe

Empalidece o corpo já desnudo
E a passos lentos piso em folhas secas
Já se foram os minutos do outono
Vejo que na criação inova o dono

A composição na tela está esmaecida
Entre vermelhidão, outras amareladas
Sinto-me só, tendência dessa hora
Quero o carinho que agora aflora

No inverno, hiberno
Tenho meus segredos
O frio causa-me estranheza
Como que perco a destreza

Atenta e desatenta por vontade
Fito a paisagem, a neve lá fora
Nada me aquece ou consola
Apenas esperas quietas da viola

Simplesmente...
Aqui dentro de mim há muitas nuvens
Em estado de convulsão conspiram
As tempestades passam

Agora são as nuvens de algodão
Desenhando a minha solidão
De sonhos e de boas lembranças
Que serão eternas...

Em breves e semibreves notas dispersas
Rabisco e arrisco casando as estrofes
E no esconderijo de mim mesma
Rendo-me às fagulhas de meu coração...

Dessas centelhas explode e nasce a emoção.

Duo: Maria das Graças Araújo Campos e Hildebrando Menezes
Nota: Inspirado no original ‘Estações’ de Maria das Graças Araújo publicado no link:
http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/estacoes-1

http://muraldosescritores.ning.com/group/duetos

Veja o poema em vídeo:
SINFONIA DAS ESTAÇÕES - Duo: Maria das Graças Araújo Campos e Hildebrando Menezes
http://www.youtube.com/watch?v=1UmCwoM6vL0


A primavera se aproxima e com ela a ‘Graça dos Campos’, Obra de Arte na composição de seus belíssimos quadros a óleo, como artista refinada que gestou outra deusa (jornalista Luciana Campos) poliniza seus maravilhosos versos e me concede a honra da parceria poética que Enise compôs aqui neste vídeo-poema que por certo será destaque aos olhos das pessoas sensíveis em harmonia consigo mesmas e à natureza exuberante. Confesso que estou arrepiado, no colo de Deus, diante desse espetáculo de cores e magia. Hilde

sábado, 11 de setembro de 2010

FACES e FEITOS

Pintura a Óleo "As Muitas Faces"
Graça Campos


Em minha face marcas do tempo
Espelho d’alma em crescimento
De poesias “Safo ardente”
Ainda restam fragmentos e lembranças
Na musicalidade de Lesbos
Nos rostos gravados em moedas
E nos retratos em bronze...


Toquei o lodo a brincar com lótus
A versejar nas entranhas e nos corpus
Lancei-me ao fogo e me livrei da viuvez
Contei histórias, cortei mato para lenha
Em contos de fadas meus cabelos foram cordas
Trançadas e jogadas na escalada.


Lavei roupa, engomada entreguei
Nos chafarizes busquei água de beber
Embriaguei-me! Mulher da vida fui...
E, quem não foi? Somos somas da vida!
Havia um tempo em que as Marias não podiam “...”
Eram vigiadas, frígidas e castas...
Calor era pecado sujo!
E então surgiu assim também de classe pobre
Uma profissional prostituta!


Em outra época me lembro bem
Enchia tabuleiros, ia à luta.
Dessa labuta vi-me em recreio
Usei colares, não de pedra bruta
Era lapidação de minha terra
Brilhantes, preciosas peças coloridas
E gotas em diamantes...


Seduzi, amei de forma nobre, fui amada!
Caminhei de porta em porta
Abolicionista e republicana
Com o meu canto e marcha libertana
Abri alas ao escravo “Isa”
Mas, antes, lá da janela do adeus
Fiquei chorando a volta do amado
Fiz negócio e bordado até a tropa voltar.


Um belo dia, eu, mulher, pus meu voto
Pude pensar com meu próprio cérebro
E escolhido assim fiz meu par
Podia ser ou não, o sobrenome, o lar
Em época remota fui caçada,
Perseguida por saber curar...


Novas idéias das Donas
De casas, de filhos
Mães dedicadas, rainhas do lar
Padecidas em pleno paraíso
Início do capitalismo, desconforto
Desacertos e confrontos


Anos de guerra, anos de luz e então dourados.
Redescubro o meu corpo feminino
Glamoroso
E continuo a caminhar...
Se campesina, vivo o dissabor da opressão
Se urbana emergente, envolvo-me em tarefas polivalentes
Ainda há muita dependência e submissão


E, diante do espelho ainda insisto
Pois vejo esse mundo agredido
Em cada busca haverá sentido
De retomar as forças e vestir
Vestidos rebuscados da IGUALDADE
Viver, sonhar, amar
E ser amada!



CAMPOS, Graça. Poema. FACES e FEITOS.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ESTAÇÕES

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Antes que a brisa sopre os meus versos
Em devaneios de desabrochar
Eu me alimento da gota de orvalho
Manjar da madrugada...

Desabotoo a vida e entorpeço
Do próprio cheiro
Antes que o sol acorde em breve
Doce manhã!

Abrem-se rebentos
É primavera!
Já serpenteia a borboleta entre os ramos
E o beijo a flor lambuza-se do mel

Outra estação se entrega ao ciclo
Doura-me os pelos, pele e dá calor
Sou brilho ouvinte em teus apelos

Um novo tempo ameno vem dos polos
Empalidece o corpo já desnudo
E a passos lentos piso em folhas secas
Entre vermelhidão, outras amareladas

Sinto-me só, tendência dessa hora
No inverno, hiberno
Tenho meus segredos
Atenta e desatenta por vontade
Fito a paisagem, a neve lá fora
Simplesmente...

Aqui dentro de mim há muitas nuvens
As tempestades passam
Agora são as nuvens de algodão
De sonhos e de boas lembranças
Que serão eternas...

E no esconderijo de mim mesma
Rendo-me às fagulhas de meu coração...



CAMPOS, Graça. Poema. ESTAÇÕES.

VOOS NOTURNOS

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Nas madrugadas do meu peito
Envoltas em suspiros e lamentos
Estou só na linha divisória do meu leito

Tu, nem sei quem és,
E já nem sei quem sou
As ilusões se foram...
Perdi-me no cansaço das geleiras
Figuras esculpidas lado a lado

As minhas vestes acetinadas,
Estão impregnadas de um cheiro sem vida,
Sem o suor das horas de amor

Ergo meu corpo atônito da insônia
E em frêmito vôo
Percorro infindos mistérios
De noites intermináveis, remoídas, doídas
Em que esperei por ti
Sem saber teu rumo

Oh, negras noites de voos distantes,
Que ouviram o lamentar e os choros
De um “precioso” tempo

Hoje voam noturnos poemas de minha alma
Além dos montes minhas asas ruflam
Banhadas de estrelas trêmulas pressentem
Aproximar um novo amor!


CAMPOS, Graça. Poema. VOOS NOTURNOS.

CIGANA

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Beleza mística indiana
Recato e sedução se jogam
No mover de suas vestes coloridas

Segredos de viver
Feitiço no olhar
Estilo de reinar

Cigana é rainha,
Pede a mão e lê as linhas.
Adivinha!
Traduz, insiste,
Fala de sorte, amor e morte!
Persiste e seduz de pés descalços

Brincos que argolam
Cuidados que traduzem
A doce essência...

Sua fragrância é tradição
A cigana dançarina seduz!
Virgem, reluz...

A cigana é terna,

Feliz!...




CAMPOS, Graça. Poema. CIGANA.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

AMADA


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Vejo - te assim surgir brilhante
À luz do dia como um sol ardente
E à noite cintilante, vens trazendo
Um perfume que exala de repente

Tu vens aproximando de meu corpo
Eu te aconchego e sou um flutuante
E encontro meu amor que era sem porto

Quero pra sempre a tua luz radiante
Teus beijos quentes teu calor presente
Agora só não posso imaginar
A vida e esse amor de ti ausente

Vem, amada, a qualquer tempo
Estarei a te esperar, oh, meu encanto,
Pode vir adornada de ti mesma
Vestida de tua nudez, no entanto

Terei por um instante o mais intenso
Sonhar do mais atento olhar do amante
Porque a ti verei real mulher...



CAMPOS, Graça. Poema. AMADA.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

BRASIL, PÁTRIA AMADA

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Brasil, Pátria Amada
Terra Brasilis,
Língua Tupi, Portuguesa, Brasileira
Deus Tupã,
Deus fé
Fé natureza,
Forte verde curador
Pátria celeiro,
Vou cantar-te nos meus versos
Tua beleza, esplendor
Brasil dos poetas
Que amam o berço onde nasceram
Das florestas em festa
Eterna primavera...
Brasil da mãe preta, da mãe d’ água
E de todas as guerreiras
Dos caboclos, dos mineiros,
Dos paulistas, pantaneiros
Dos filhos de norte a sul
Dos picos, montes, serrados
Oh, meu Brasil brasileiro,
De ouro e cristais no solo
Dos rios, lagos e mares
Crianças que pedem colo
Tens o símbolo mais vivo:
Em teu povo corajoso,
Que luta e que madruga
Faça chuva, faça Sol

Abençoado chão, tu verás
Filho que é “FILHO”
Semear o amor e a paz
Pátria amada!
Tens o maior dos tesouros
Gente que clama justiça,
Brada e pede socorro
O mais apurado grito
Às margens cheias de vida!
Liberdade, liberdade!



CAMPOS, Graça. Poema. Brasil, Pátria Amada.

NENÚFAR

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No silêncio do lago cor de musgo
A flor germina
Emerge das águas lodosas
Tão luminosa a saudar o dia
Parece dançarina perfumada e pura
De saias invertidas
Enigmática
Ao pôr-do-sol estática
Mergulha e adormece
Sono profundo...



CAMPOS, Graça. Poema. NENÚFAR.

BRANCO e RADIANTE

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Tal qual a neve o branco “suntuoso” cobriu-me a natureza
Ornado em festival de sedas delicadas flores
De laranjeira
Aromas de amor
No buquê mimoso do cheiro da mesma flor
Sobre o avental bordado à camponesa

Silenciosa, passos leves qual plumagem
Fiz deslizar a borda do vestido
Pelo longo caminho tapete
Olhar de estrela
À frente o outro olhar feliz
Fitou-me encantado!

Vestido branco escolhido entre tantos...

Branco e radiante
Hora do Ângelus
Amém...
Graça Campos

AFRODITE

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Radiante do amor e da beleza
Do mar a deusa sensual e nua
Caminha virgem ninfa
Sobre as ondas

Pérola
Afrodite em mim
Sou estrela brilhante
Meu corpo banha
Em essências florais
Deusa dourada
Cheiro de terra orvalhada

Vem trazendo em carruagem
Uma primavera inteira
Jasmineiro tombado de flor
Orquídeas de toda cor
Maçã e rosa vermelha
Afrodite em mim
Amor...



CAMPOS, Graça. Poema. AFRODITE.

ACRÓSTICO

Foto: Arquivo Pessoal

L igeiros passos saltitam pela casa
U nindo formas perfeitas da
I nusitada bailarina
Z igue-zague esvoaça mimosa borboleta
A cenando alegria, mania principesca...



CAMPOS, Graça. Acróstico.
(Luiza, minha fofa neta.)

sábado, 4 de setembro de 2010

COSTUREIRAS

Às prendadas costureiras da cidade de SERRO ( Estilistas dos Anos 70 )

Imagem do Google



Não uso bater à porta
Casarão de interior
Aberto está
Há uma rica bagagem
Naquelas mãos perfuradas
Ou não de dedal...
Às medidas sugeridas,
Adaptação!

Haverá baile na pacata cidade
Que terá cara de passarela...
E, por mais arrochadas de encomendas,
A insistência vence!

Os meus vestidos sãos quimeras...

As prendadas senhoras
Em modesto atelier,
Criam peças inusitadas
Enfeitando mais e mais
Anos dourados
Mais que dourados
 Década encantada!...




Homenagem : Às prendadas costureiras da cidade de SERRO ( Estilistas dos Anos 70 ) Onde passei minha infância e adolescência! Saudades!

CAMPOS, Graça. Poema, COSTUREIRAS. Do meu primeiro livro de poemas. "OLHARES DE MULHER".

DEBUTANTE

Imagem do Google



Cintila estrela
Brilho intenso da noite
Teu par à espera

Rosa flutuante
Revestida e bordada
A mais bela

São de cristal teus sapatos
Nos cabelos flores em brilhantes
Tua face aveludada
E o coração ofegante

Teus olhos me encontram
À caça dos teus
Maquiagem leve
Em branco e dourado
Sorriso apaixonado
A conhecer o amor...


CAMPOS, Graça. Poema. DEBUTANTE.

SAGRADO PROFANO


Imagem do GOOGLE


Sensual, sagrado ser,
Inspiração profana
Quando mais sagrada sou...

 
Refúgio do querer mais puro desejo em cristal,
Respiro o hálito caliente
Beijo-te, entrego-te ao sabor,
Meu cheiro natural de flor...

 
E, prenhe de saber querer,
Fêmea febril e fásica,
Que em rebento se abre
No ritual mais nítido,
Vejo, em ondas, um mar de tão azul,
A convidar meu corpo a se banhar...

Sou avante nave entregue ao vendaval
Em cenário perfeito ou imperfeito,
sei lá...

 
E, no balanço, sinto-o roçar-me a boca,
Provoca-me, encena...

 
Ah, tuas mãos a desvendar meu corpo
Eu a sentir incontrolável gozo
Me perco nessa dança dos afagos
Que me afogam de prazer...
Eu sensual, sagrado ser!

 



CAMPOS, Graça. Poema. SAGRADO PROFANO.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

GRÁVIDA

Óleo sobre tela "ESPERA"
Graça Campos


Ando cheia de vida
Sonhei que minha barriga não se continha de felicidade
Nem mais caberia naquela roupa...
Pedia uma veste solta
Para deixar à vontade os movimentos de agora!
No sonho vi um corpinho
As mãos, os pés, o rostinho...
Tão delicado!

Bento veio do vento?
Do vento?
No ventre se agarrou
Encaracolou
Aninhou-se...

Antes sonho... Deu semente...
Do amor brotou se alastrou...
Dentro de mim dois corações tocam tambores
Ando cheia de vida
Estou para dar à luz ao filho Bento Clemente
De vontade de viver...
Graça Campos

VIVÊNCIAS

Óleo sobre tela
Título: "INTROSPECÇÂO"
Graça Campos


Passo a passo impulsos de um “eu” mergulhador
O pulsar, o pensamento, o peito, o coração
Absolutamente se envolveram

Ouço o vento, a chuva, o nascimento
E volupto fixo-me e me agarro à sublime força
Tão profundas raízes, cuja seiva traz não sei de onde
Um suspiro, um lamento, um choro, um argumento:

Desfaço-me de fantasias e absorto recomponho-me...
Minha voz um canto de alegorias,
Decerto comoção e dor
Sou gargantas em chamas ardentes
Liberdade, o prazer e o amor
Sou desejo de grandes conquistas
No percurso em ascensão me consagro em vitórias
Olhares afeitos e ouvidos perfeitos perceptivos
Aos clamores serei inteira à completude
Com as jóias da vivência

Os vestígios...
Retalhada bagagem e história
Em cicatrizes no compasso do tempo...


Graça Campos

Teus olhos

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Teus olhos
No espelho do tempo
Refletem a busca de ser

À luz do sol
Descerrados sonham
Sonhos dourados

Teus olhos trazem
De outrora
Minúcias preciosas

Histórias, histórias
E num piscar
Percebem espaço imenso

Desconhecido ainda sombrio
Visões doídas,
Marcas sofridas

Esses teus olhos
Nos olhos
De sua própria vida
Espelham dúvidas
Gotas escorridas
Coração partido
Percorrem feitos, fugas
Encontros e desencontros
Confrontam-se

Desejam decifrar
O enigma
Na íris escondido...
Graça Campos

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os sonhos de “Ismália”

Imagem do Google

Ismália sedenta sonhou
Desejou o céu e mar
Da torre avistou as nuvens
Da torre avistou o mar

Alçou voo, ruflou asas
Pegou pedaço de nuvem
Banhou-se em águas salgadas...

Da nuvem azul, já escura
Traz lua nova envolta
Em brilho e muita renda
A soberana das noites
Misteriosa, atrativa
Irresistível a soprar
Vem cantando melodias
Em ventos de poesia

Sobrevoa perceptiva
Insinuante alumia
Passagem que vai ao rio
Desliza por entre as ondas
Descreve o curso das águas
E penteia um oceano
Nas cabeleiras das moças
Que vão à torre sonhar
Graça Campos

Flor Mulher

Pois a flor é delicada
Sensível e essencial
Não estática
Nem as flores o são
Elas dançam ao som
Da musicalidade própria
Bailam entre gotas de orvalho
E a sinfonia das noites
Dançam a dança dos ventos
Brilham até na escuridão
Os holofotes de jardins

Suspensas, rasteiras, entre espinhos,
Carícias de um beija-flor sedem ao tempo
Eternizando flagrante da natureza
Suaves se entretêm orvalhadas,
Perfumadas
E, quando despetaladas,
Retomam vida
E desabrocham aos montes
Miúdas,
Cada qual na cor desejada
Ainda flor em botão
A qualquer hora implodir
O sono despertador
Da flora

Sonhos alados
Florescem
Flor Mulher...


CAMPOS, Graça. Poema. Flor Mulher.
(Em “Olhares de Mulher”.)