sexta-feira, 26 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

NATAL ASSIM


Foto Pessoal 

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Natal assim...
Cidadezinha rica de histórias que se revelam no vai e vem das lembranças por se tornarem verdadeiros tesouros em nossa memória, pelas andanças dessa vida! Onde as montanhas esbranquiçadas deixavam no ar um cheiro de sereno, convidativas que eram ao aconchego daquelas noites de se juntar a lenha e deitar fogo no fogão para aquecer a gente, os adultos e crianças. E os vizinhos não faltavam no quadro daqueles afetuosos encontros até certa hora em que se recolhiam cada qual em suas casas. As ruas estreitas, casarios coloniais, praças, boiada, burros de carga, cavaleiros, brincadeiras de roda, quintais fartos de frutas, muitas histórias, festas religiosas são personagens imortais da infância dos dias marcados no calendário cheio de crenças, lendas, causos, poesia e família...
As tradições faziam da pequena e velha cidade mais imponente e provocadora de certo temor, respeito pelo misticismo pregado pelos mais velhos. Os preparativos já se tornavam festividades, o cheiro, o ar, os rostos, as vestimentas, verdadeiros paramentos, indumentárias que se moviam na fertilidade do imaginário. Minha mãe zelosa preparava aos sábados e às vésperas de dias de festas, deliciosas massas de pastéis, bolos, doces entre outros quitutes.
Ouço ainda a música dos sinos e a linguagem de cada um. Vejo casas enfeitadas de um jeito diferente onde lanternas feitas de papel laminado de cores variadas, decorativas peças reacendem iluminando a antiga sala, a pequena árvore natalina feita de galhos de jabuticabeira, coberta com flocos de algodão...

Dezembro corria com chuvinha fina e costumeira daquele mês ansiado especialmente pelas crianças, que pareciam sentir o perfume de promessas enchendo-lhes de esperanças os sonhos...
Viam-se corajosas mulheres carregando em suas cabeças rodilhas, que sustentavam bacias de musgos, de um verde tão musgo! Tarefas que se estendiam até que todas as casas fossem ornamentadas com os mais singelos arranjos vindos dos campos. Nos braços, as peneiras de taquara abarrotadas, também verdinhas de musgos escolhidos com paciência e gosto. Oferecidos de porta em porta eram vendidos ou trocados por algo necessário para as donas vendedoras... Haveriam de decorar as grutas, os presépios armados na sala principal de cada lar. Rezava-se a novena. Minha idéia fervilhava ao observar o berço vazio, e, ao lado, as personagens Maria e José, pastores e ovelhas, o boi e a vaquinha. Bem no alto, um anjo e a estrela de cauda. Eu ficava sonhando com a noite em que o menino nasceria...
Reis negros visitantes também compunham o cenário.  Magos de nomes interessantes jamais esquecidos. Afinal, Belchior, Baltazar e Gaspar vinham de terras longínquas trazendo incenso, ouro e mirra para presentearem o recém- nascido.
No dia 24 lavavam-se as casas, algumas eram enceradas, às mesas estendiam-se toalhas bordadas de crivo, de cetim adamascado e de muita renda. As pedreiras (assim chamados os passeios) esfregadas com folhas de pita, que espumava deixando as pedras impecáveis, chegavam a ter uma cor de pedra azulada.
Os temperos misturavam-se ao cheiro da emoção da criançada que aguardava pela bola de massa de pastel, brinquedo nas mãos das mães e cozinheiras. Aves, carnes, vinhas, salgados e doces estariam prontos e deliciosos para a grande noite...
Naquela época éramos quatro irmãos em casa. Eu menina, a primeira, e mais três meninos. Crianças brincalhonas, felizes e sonhadoras, repletas de crenças e fantasias... Chegado o momento do banho, à tardinha, descansar meninos e massa de pastel. No início da noite a neblina, cena infalível das noites natalinas daqueles tempos. Uma pitada a mais para todo mistério do advento. Minha rua carregava muita gente dos arredores. Não faltavam à missa do galo. Só para gente grande! Tentavam explicar as mães. Enfrentavam distância, e logo se ouvia lá fora o movimento dos “fiéis” assim chamados pelo vigário.
Vestiam o melhor traje e rumavam para a igreja. Eu ficava a imaginar como seria a tal missa do galo...
O friozinho, a neblina, os sinos, tudo instigava um clima perfeito para uma noite especial.
Meu pai chegava de viagem, como sempre, trazendo frutas e doces diferentes de fora, falava-nos dos lugares, da viagem, contávamos as novidades. Após o banho, o pijama de listras discretas, um par de chinelos ele e minha mãe de chemisier descansavam depois de tudo quase pronto. Em nossa casa era costume ceiar mais cedo. Delícias de pastéis de minha mãe, recheados de carne moída com batatinhas...
Tudo simples e delicioso temperado com amor. O espírito do natal nos visitava e também os lares onde um reino de fé e de esperança aguardava pelo nascimento de Jesus menino. Não dormíamos sem antes verificarmos os sapatos, esses reservados para receber a visita do Papai Noel. Era uma noite incrível, feliz. Eu sentia calafrio, batia o queixo tamanha emoção, expectativa embora estivesse bem agasalhada por cobertores de lã. Era costume nas noites daquele serro frio, que um dia chamara “Morro dos Ventos Gelados, na língua dos seus primeiros habitantes. Fazíamos as preces, uma delas, ensinada pela minha avó, e madrinha fervorosa, religiosa.

“Santo Anjo do Senhor, Meu Zeloso e guardador”...

Aí sim, pegávamos no sono. O bom velhinho, diziam, sistemático, as crianças não podiam vê-lo.
Usava imensas botas, barbas brancas, trajes vermelhos, homem forte carregava um saco de brinquedos acompanhados de magia, trenó e renas.
- Como é que ele passa, se as portas e janelas são fechadas por ferrolhos e trincos?
De todas as bocas adultas vinham lendárias respostas satisfatórias que ainda tecem fantasias da infância.
Era a vez da passagem pela chaminé... Os sonhos rolavam profundos, assim era também o sono.
Ao amanhecer, os sinos soavam e as pessoas já se levantavam para festejar o nascimento do Deus Menino. Eu acordava e esticava os pés até o final da cama onde estavam os sapatinhos. Que sensação gostosa sentia ao ouvir o craf- craf dos pacotes de brinquedos. Do meu quarto ouvia-se a algazarra dos três meninos irmãos no quarto ao lado. E juntávamos todos a mostrarem uns aos outros os presentes.
À tarde visitávamos os parentes e apreciávamos os presépios cada qual mais belo e já completo, com a presença do personagem principal deitado em berço de palha.

Nascera o Deus menino! “Hosana nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade!”

Eu havia passado muitos natais assim até que, certa vez, ainda na infância,ao chegar à janela do quarto de meus pais, uma paisagem estranha me chama a atenção! Por detrás de um morro centenário, que dava para um lugarejo de nome de santo, havia uma humilde família numerosa, e um dos meninos de nome indígena contara-me, em sonho, um sonho de criança. Seus olhos tristes revelavam-me descrença. Contou-me de sua decepção, pois, pedira um presente, mas não podia entender o motivo pelo qual lhe fora negada a visita de Noel.
Cresci imaginando um dia, ver o menino do sonho... Passaram-se natais quantos...
Na cidade grande, já no final de outubro, inicia-se o movimento nas ruas, nas grandes lojas, shoppings, supermercados... As pessoas costumam antecipar as compras de final de ano desde os alimentos às lembrancinhas e presentes aos amigos. Há os que sempre deixam para os últimos dias, causando-lhes ansiedade e cansaço por tamanha correria. Há quem arme em casa os presépios e luxuosas árvores, e distribua inúmeros presentes... Para muitos, o Natal não passa de mais uma festa, para outros é uma data de lembranças fortes e de saudades... Para a criançada sempre o sonho de uma comemoração. Misto de fantasia, de fé e de esperança no olhar de tantos pequeninos que confiam em uma noite especial...

Para aqueles em cujo sonho mora a criança de infância perdida,
há em cada abraço, em cada presente dado e recebido,
e, à mesa, posta a ceia, a bênção de uma família construída,
resgatando em cada sorriso de filho, de amigo ,
todos os natais que lhe foram negados...

Para quem comemore o nascimento do Menino Jesus,
há corações em festa, celebrando a luz da noite e do dia,
e um desejo grandioso de um feliz natal de amor
e de paz aos homens de boa vontade!

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Graça Campos, 09/11/2010.
CAMPOS, Graça. CONTO. NATAL ASSIM.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CONSCIÊNCIA

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Está aí uma palavra que necessariamente deveríamos retomá-la, para que sempre, digo sempre, pudéssemos revê-la observando a própria vida, as causas e os efeitos de nossas atuações. No entanto, perdemos muito tempo em confusões, até guerras interiores diante de fórmulas adotadas por ideais de outrem. Daí, alguns passinhos para a alienação. Ter discernimento, observar para seguir exemplos é fundamental, pois é daí que se costuma adotar posturas que provavelmente irão interferir no que se diz respeito à  consciência.
O MESTRE JESUS deixou-nos a máxima:  "Amai-vos uns aos outros e instruí-vos. E temos acima de tudo, o livre arbítrio..
Estamos aprendendo, caindo daqui, levantando dali para obtermos diante das melhores filtragens de comportamentos devagar, mas sempre, até por que, nas leis naturais não há transgressões. A natureza não dá saltos, a nossa natureza humana também não dá saltos.
O que torna certo ou errado vai depender dos conceitos de cada indivíduo, uma vez flexíveis, somos seres caminhando para evoluirmos em graus diferenciados de acordo com a busca, dedicação, o empreendimento em si. Dentro dessa complexa consciência há os princípios éticos que delimitam nossos atos e pensamentos transformando o homem a partir de suas ações e reações.
Quando passamos a ser conscientes do nosso ser, nos amamos e nos tornamos capazes de amar verdadeiramente todas as coisas, pois o amor é o principio maior da criação. Atualmente vivemos nos complementando nas ilusões do “TER” e, envolvidos nesse contexto, nos perdemos do real valor de estarmos aqui e agora.

Um dos maiores motivos de nos sentirmos incapazes é o imediatismo tão presente e que nos causa angústia, tristeza, sem contar com alto índice de várias doenças.

Que nós possamos ter a consciência apurada do que SOMOS, porque somos o que fazemos e, na maioria das vezes, estamos nos esquecendo de pequenos detalhes que fariam toda a diferença na melhor qualidade de vida para todos os seres...Somos os grandes responsáveis por tudo que nos acontece, somos o alicerce da nossa evolução.

Viva em nós a consciência para as escolhas que nos possibilitem a felicidade!

Graça Campos, 19/11/2010.
CAMPOS, Graça. Texto. CONSCIÊNCIA.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ao poeta, Adão Ventura!

                    Imagem  da web                


No céu dos poetas
brilhantes estrelas
clarão em cheio
nas serranias
um sol raiando
aos montes de Minas
e nos horizontes da vida!

Graça Campos,
18/11/2010.



ADÃO VENTURA Ferreira Reis
Nasceu em Santo Antônio do Itambé,MG
1946


Menino Adão de seus primeiros anos vividos na roça,
em condições precárias.
Mas vencedor pela vontade de sempre aprender
e enxergar além das montanhas.
Neto e bisneto de escravos, sedento de ser cada vez mais livre.
Nasceu aventureiro de seus esforços,
carregando no  sobrenome,
a busca constante de uma BOA SORTE ...

VENTURA moço de um longo percurso por entre as plantações, na escolinha rural de seu chão, terra natal, o filho itambeano, que estudou também em Serro, rumou para a capital BH.
Quando ainda estudante de direito, tornou-se referência entre os escritores mineiros de sua geração, formou-se pela UFMG.

Da Fundação Palmares de Brasília, o poeta, advogado que se dedicou à cultura negra e, nos anos 70, professor de Literatura Brasileira na The University of New Mexico (USA).

Autor premiado escreveu vários livros e participou de inúmeras antologias.
É considerado um dos maiores poetas negros brasileiros do século XX.
Faleceu em Belo Horizonte em 2004, quando preparava a publicação de suas obras completas
tendo várias inéditas.





COMENSAIS

A minha pele negra
Servida em fatias,
Em luxuosas mesas de jacarandá,
A senhores de punhos rendados
Há 500 anos.



CONGADO

Reis e rainhas
Príncipes e princesas
Não deixem
que minha força
se vá pela correnteza
de mil dúvidas
e nós
travados pela vida
cada vez mais cáustica.



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EU, PÁSSARO PRETO

eu,
pássaro preto,
cicatrizo
queimaduras de ferro em brasa
fecho o corpo de escravo fugido
e,
monto guarda na porta dos quilombos.





PARA UM NEGRO


para um negro
a cor da pele
é uma sombra
muitas vezes mais forte
que um soco.


Para um negro
A cor da pele
É uma faca
Que atinge
Muito mais em cheio
O coração.


Publicou os seguintes livros de poesias:
Abrir-se um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul, 1970;
As musculaturas do Arco do Triunfo, 1981; e A cor da pede, 1981.


Sua poesia é impregnada das questões da negritude e nos seus versos estão claras
as maldades do mundo!

Pintura a óleo Graça Campos " Pico do Itambé"


Graça Campos, 18/11/2010.
CAMPOS, Graça. Homenagem. Ao poeta, Adão Ventura! 

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A COR DOS VERSOS


versos cor de pele
conscientes e maduros
jogam por terra o objeto
e tornam-se herdeiros dos filhos da Terra
flui no sangue vermelho das veias azuis
cor negra dos versos na mestiçagem das letras
que compõem canções , que ressoam tambores
e que rezam a vida pela crença
a alma tinge palavras
emoções remexem memórias do berço, do tronco, da casa
da acentuada cor do sentimento que se escorre no poema
inerte da dor do tempo em que o açoite era sem eira,
a duras penas
do olhar nos olhos do ser imperfeito
enveredando nos versos os sonhos da grande viagem
de volta a meu berço
de onde fui arrancado, deixando o reino, família, congado
minha sina adotada nos terreiros teus
mistura de cantos, de sons, de batuques, de festas, reisados,
de dança e magia

do lado esquerdo cicatriz no peito
uma ferida se abre rubra e sangra
até desfalecer em minha lembrança
e calar-me no grito preso na garganta.

Já posso dizer poesia de negro,
contando a história sem atrofias
cantando no tom da cor culta, senhor!

Por que há um colorido novo
sei que posso escrever as minhas próprias linhas
deixei de ser somente o objeto de estudo
sou manifesto, origem humana
falo do amor, do que tenho e o que falta
para que todo o universo da gente
conheça e reveja os “conceitos” vigentes
e reconheça o colo da mãe

África...



CAMPOS, Graça. Poema. A COR DOS VERSOS.

domingo, 14 de novembro de 2010

SIMPLESMENTE

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Amar
Respeitar
Reconhecer
Naturalmente seria
Um gesto simples de viver
Cada qual com sua voz,
Cada qual com seu silêncio

Assim haveríamos de ser
Simplesmente irmãos
Navegantes aprendizes
Sem barulho,
A prestar atenção ao balanço das ondas
Sem julgamentos,
Do ponto de vista do conhecimento
Ninguém ousasse ser superior

Somos apenas caminheiros
Levando na bagagem as diferenças
Se somadas, seriam providentes
E por mais que alcancemos algum porto,
Descobriremos novos horizontes
Haverá motivos para novas viagens,
Em novas fontes, outros mares
Em cada olhar, em cada esquina
Por onde passarmos
Em nossas possibilidades
Deixemos marcas de boas histórias,
De coisas engraçadas, de risos, de piadas,
De um tempo útil, motivador da vida!

Simplesmente!






CAMPOS, Graça. Texto. SIMPLESMENTE

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

MEDO

"O grito"
 de Munch/1893.




Estranhas sensações, tormentos
Dominam, incomodam
Sussurram atrevidos
Desafiando-me o íntimo
Onde cultivo idéias...

Mais forte, foge-me o controle da superação
O medo anuncia devagar, que está por perto
Que vem, não sei de onde
E causa-me arrepios

Na cabeça borbulham os anseios
Desejos se vão nas ondas gigantes
Naufrágio, temporal dos pensamentos
A nau se perde nos ventos incessantes

Ah, como eu queria fosse tudo diferente
Encorajador, sem cochichos, sem melindres
Que corroem a alma e nos fazem doentes

Eu trataria de buscar ao longe as emoções sinceras,
E pediria ao vendaval um tempo
De pôr em ordem o meu coração

E a minha voz, decerto ainda fraca
Arriscaria um grito de coragem
Para pôr fim ao horror e ao pesadelo
Aventurar-me-ia pela correnteza
Para encontrar a própria segurança...






Graça Campos, 06/11/2010
CAMPOSm Graça. Poema. O MEDO.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CAMINHOS



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Quando pisam os pés
À escolha dos passos,
Uns vindo, outros indo
Em busca de laços
Ultrapassam sem ver,
Na pressa de chegar
Até mesmo as pedras
No meio

Caminhos estreitos
Sem saída os becos
Sinuosos sem vida
Labirintos

Escolhas ou fugas
Confusas andanças
Esconderijos
Rijos

Os caminhos convidam
Teimam os pés
Insistem nas marcas
Seguem em frente deixando pedaços
Por todos os lados

Gramados por vezes,
Preservam as solas de outro trilhar
Consolam, desolam
Piedosos, impiedosos
Caminhos de pedras
De flores
Do destino
Corrido,
Percorrido
Sem volta

À margem, pensamentos viajam
Nas asas dos sonhos dos caminheiros
Ficando impressos
Caminhos pisados
Cheirando a histórias
De vidas infindas
Registradas...



Graça Campos, 04/11/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. CAMINHOS.

PAISAGEM URBANA


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De repente,
O céu se pinta de chumbo
E não me dá o tempo de ver
No horizonte,
O caminho de chuva
Trazendo os fios de prata

De repente,
Estou ilhada
Ilha de lata
Carro afogado
Indo embora
Na correnteza
Em plena via urbana

De repente,
Não se vê mais nada
Nem céu, nem rua,
Nem prédios, nem gente,
Nem nada
A paisagem se foi...



Graça Campos, 01/11/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. PAISAGEM URBANA.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

MISTÉRIOS

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Tentar desvendar
Incontáveis mistérios
Contidos
Em cada ser
Infinito

Para lá das nuvens, além das eras
E mergulhar no mar dos sentidos
Na flor, que se abre
No fruto que rebenta
No arrepio do pio da coruja,
No canto da acauã aos meus ouvidos
Na voz que ouço me chamar,

E me pergunto:

Quem é?

E não responde...

Mistérios que provocam e me provam
Que existem energias que con/fundem
E não há vácuo, nem tudo está perdido
E infinitamente um SER bondoso
Dá-me a força a cada passo
Sobrevivente do planeta Terra
Na mera condição de minha crença

Nenhuma folha cai em vão,
Fora do tempo...


Graça Campos, 01/11/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. MISTÉRIOS.

CHUVA

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Abençoada chuva
Tão desejada
Pela flora
Caiu como uma luva

Refresco bom
De se beber o instante
E se molhar

Chuvisca fria e calma
E acalma a ânsia tola
Desse mundo seco

Faz germinar
Sementes de amanhecer
Um tempo bom
Respingos de amor...




Graça Campos, 01/11/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. CHUVA.

CONCHAS

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Entre as espumas
O mar se entrega
A areia beija

Embarcam
Desembarcam
Mistérios profundos

Na fonte, a sede
De meu corpo
Faz das mãos, a concha
E nesse mar de minha alma,
Eu bebo
Vida

Carrego a leveza
Em nácar cristalizado,
Um mundo frisado
Alinhado
O leque

Possíveis caminhos se abrem
No dorso das conchas
As ondas nave/Gam
E as naves-conchas
Deslizam céleres
Espaço infinito
Levando e trazendo
O amor
Sagrado ser
Afrodite,
Adornada de pérolas
Na divina beleza
De Vênus

E eu cato as conchas
Na imensa areia
Maduras da viagem
Repletas de segredos
Delineados riscos
Descobertas,
E histórias a desvendar...



À minha mana Bia, querida!
Bel atriz “BEATRIZ”
Encontros en/cantos. Graça Campos, 01/11/2010.


CAMPOS, Graça. Poema. CONCHAS.