terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A MANSÃO DAS SOMBRAS

Imagem da web

Tudo em volta é vulto personificado
Onde está o brilho suntuoso?
Para onde se foi a musicalidade?
Os salões esvaziaram-se
O vinho tinto ficou desbotado
Taças aos estilhaços

As mãos sustentam algo vazio
Parecem mais fantasmas insolentes
Quebrou-se o encanto!
Já não são rubros os belos lábios
Nem há o brilho daqueles olhos
Que degustavam a bebida, a dança
Quanto deslumbramento!
Casais amantes em um só compasso
Valsando a deslizar as suas vestes
Entre os sorrisos!

Ah, os sorridentes rostos
Que pareciam mais porcelanas
Pinturas leves de tantas meninas,
Damas, donzelas, camufladas, presas...
Tinham na alma, o peso de um tempo
Mal-assombrado!

As flores secas, murchas, desbotadas
Há muito não exalam nenhum cheiro
Tudo intacto!
À principal janela, o homem jardineiro
É outro vulto ao lado da enxada
E o regador tão torto, enferrujado
Faz-me lembrar da vida que, um dia,
Havia na mansão “iluminada”!

Hoje, somente as sombras do passado
Na alameda, entre as frondosas árvores
Nenhum raio de sol a penetrar-lhe.

Vai-se, ao longe, o calor daqueles beijos
Das valsas, e das pompas, quanta festa!
Foi-se a chama da lareira, dos afetos
A música tocada na orquestra
E o que ficou de todo esse requinte?

A realidade do olhar sobre a mansão...


Graça Campos, 10/01/2011.
CAMPOS, Graça. Poema. A MANSÃO DAS SOMBRAS.

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