segunda-feira, 21 de março de 2011

PAISAGEM de OUTONO

Imagem do Google

 Um ar ameno traz em seus tons naturais, a sobriedade, a leveza da queda das folhas maduras, amarelas, ou de um cinza tão sério, a contar-nos da vida, e da continuidade, de transformações...
Grandes e pequenas as folhas volitam até o final da via, sem tumulto...
Oh, tempo sábio! A trajetória não é via crucis, apenas a certeza de que é mister a renovação.
Há na cor crua da pedra e, na cor da secura do tempo, a rocha, o poder, a fé e a elegância reflexiva... O estilo é, portanto, a escolha, a liberdade de ser. Úmido, acorda o chão que piso descalça para sentir o solo bendito. Úmidas ficam as ramagens dengosas após as carícias da madrugada orvalhada. O cheiro, a cor, o tempo... Ah, o outono me invade o ser...
Nesta manhã silenciosa e mágica eu ouço a canção suave a tocar-me o coração prenunciando tardes preguiçosas, ou douradas na paciência do ciclo, na presença delas, as amáveis, avermelhadas, secas, estorricadas folhagens, mas, não tristes, pois serão daqui a tão pouco, a fertilidade para que se abram novas flores na sequência do paisagismo vital, rebento da vida!



Graça Campos, 21/03/2011.
CAMPOS, Graça. Paisagem de outono.

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