terça-feira, 26 de abril de 2011

A moça da janela



Olhar sonhador à rua calma, vazia
Torna-se inquieta e cheia
Mundo real e fantasia

Debruça seus braços,
Vê um mundo
De sonhos dourados

A moça da janela de madeira maciça
Tão forte e tão ampla quanto os pensamentos
Viajores que se vão ao longe...

A janela da moça assiste às buscas da alma
Dos olhos esverdeados,
Estrelas de esperança

Ali desfila universo de desejos
Anseios de menina mulher
Contando as horas,
Esperas transformadas
Futuros e eternos amores...

O hoje amanhecido orvalhado
Brilhante derretido pelo sol
Registra a passarela centenária
Sustento dos passos cautelosos
Na postura sensata de seu caminhar

A janela da moça
A moça da janela
Quimera!

Contou pedra por pedra
Os desiguais pés- de- moleques
Em suas sendas
Fortaleceu a construção de sua sina
Ensaiou as primeiras primaveras
E coloriu de azul o amor
Em voo livre de ser além do tempo


À ternura do olhar colhe estrelas
Até aquietar-se a colher flores
Em paisagens ousadas

Imaginário incontido das noites
De um céu feérico de luar
De serenas madrugadas
Encantos em serenatas

Áureas e frescas manhãs
Em clara face aveludada
Da flor mais bela
E mais amada
A moça da janela!...


Graça Campos, 24/04/2011.
CAMPOS, Graça. Poema. A moça da janela.


Poema dedicado a minha mãe, linda e amada!  Foto Arquivo pessoal: Graça Campos  Anos 50.

Um comentário:

  1. Lindo, lindo! O blog está de cor nova e cada vez mais belo. Bjos, com amor. Ka

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