terça-feira, 3 de maio de 2011

FrenetiCIDADE


Sexta-feira, ufa!!! Até que enfim chegou a esperada sexta!

Eu aguardava ansiosamente por esse dia, afinal a semana foi tensa, nem tanto trabalho por fazer, mas o que havia  já me preocupava bastante. Perfeccionismo é meu forte, mesmo não sendo esta uma característica tão plausível.
Uma volta rápida ao Centro de Belo Horizonte, capital da linda Minas Gerais! E, como dizia Clarice Lispector, "não sabem as pessoas o quanto se perde por não se nascer em Minas"...

A escritora, no contexto citado, dizia da honra em nascermos mineiros, em termos genuinamente a simplicidade e o jeito de olhar e apreciar, assuntar, em vez de simplesmente sair arrastanto experiência pela frente. E BH, de uns tempos pra cá, meu Deus, como está linda! É aquela velha história, da Menininha que virou Mulher!

Andar pelas ruas e avenidas da Capital faz-me viva, faz-me útil, faz-me parte deste todo imenso e ininterrupto chamado metrópole. E como é bom sentir o balançar deste movimento engrandecedor, desse crescimento desenfreado que leva-nos todos, um a um, sem pedir licença.

Mas... Voltando ao trabalho... Procedi a entrega dos documentos mais importantes, apólices, relatórios, dentre outros afazeres.  Deixei outras tantas obrigações para a segunda, porque, se não corresse, pegaria o trânsito da hora do Rush, e ,
mesmo amando toda essa frenetiCidade, eu não queria pagar para ver! Hoje não! A caminho do ponto do ônibus, muita pressa, correria! Eu então, estava atropelando meus próprios passos! Pensei: se der sorte, ainda vou sentada! Daqui até minha casa são aproximadamente 30 minutos que, naquelas circunstâncias, estavam extremamente valorizados por mim.
E não é que a sorte bateu-me à porta? Lá estava ele, um lugarzinho bem à janela, esperando por mim. Além de sorte, conforto, pensei novamente (ironicamente)! Meus pensamentos estavam ao mesmo tempo bem humorados e atrevidos!
À janela dá para se refrescar um pouco mais, afinal temperatura média em torno dos 28 graus, disse a colega de trabalho jornalista em programa de rádio que eu ouvia na hora. Agora sim, mais meia horinha e estarei em casa. Turbilhão de pensares...
Trabalho, filha, preparar almoço do sábado para visita já planejada, apresentação de evento, apólices a entregar...
Essas eram algumas das preocupações que me passavam pela mente naquela tarde de sexta-feira quando , ao meu lado, senta-se uma senhora um tanto suada, cheia de sacolas, cansada de correr para alcançar o mesmo ônibus que eu,  comodamente, já me encontrava. Um pão-de-queijo bem mineiro à mão, enrolado ao guardanapo, alimentava a minha companheira de viagem. O cheiro do alimento estava forte, ou seria eu a incomodar-me por tudo neste dia?
Não sei... Sei que a senhora ajeitava as sacolas, comia o pão-de-queijo e respirava ofegante de cansaço, tudo ao mesmo
tempo, e o pior: ela encostava o braço suado em mim sem parar.

Meus pensamentos, incontroláveis! Acho que estou mesmo incomodada com tudo, o cheiro, o encostar suado em mim, enfim... Deixei que a mente fosse com a brisa, junto do aroma presente, e me desse a seguinte frase pronta:

"Gordinha, comendo pão-de-queijo, ofegante, encostando em mim sem perceber, arrrrrggggg! Que falta de paciência!"
Como sei que penso mais do que ajo, afirmo que não falaria nada, nunca.  Somente ficaria ali com meus botões a ruminar até minha parada... E a vez foi dela, a dizer-me com brilho nos olhos e também em seu sorriso:

"Ô, me desculpe! Você aceita? Eu até me esqueci de oferecer! Estou aqui, distraída!"

A minha expressão de sem graça, de vergonha mesmo, foi perceptível! Reagi como se ela tivesse ouvido meus pensamentos anteriores, imaturos e egoístas. Imagine só, se o pensamento das pessoas fosse ouvido? Quanta vergonha eu teria passado! Quanto desentendimento e chateação naquela pobre senhora teria eu causado!

Nessas horas a gente pára e pensa: Deus é mesmo perfeito e minhas palavras errôneas permaneceram apenas em minha mente. É claro que agradeci docemente, e permaneci ali... Só que agora, com outro soprar em meus ouvidos a dizer-me
assim:   Aproveita! Terás mais 30 minutinhos para permanecer ao lado dessa senhora gentil e cuidadosa, que se desculpou,
oferecendo-te um pacote de quitandas, aberto ao seu dispor.

A viagem do ônibus seguiu tranquila... O sacolejar daquele veículo abriu-me ainda mais as fendas do entendimento, da pequenez humana... Meus pensamentos envergonharam-me... E ensinaram-me...  Fiz questão dessa vez, eu mesma, de encostar-me, "sem querer", naquela senhora, pelo tempo que me restava. Quem sabe assim, a paciência não ganhava espaço em meus pensamentos também?

Levantei-me, dei sinal de parada, desci. Caminhei... Uma pessoa um pouco melhor.






Imagem da web
CAMPOS, Luciana. Crônica, Mural dos Escritores. Licença Creative Commons. [http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/FrenetiCidade]

2 comentários:

  1. Olá, gostei muito do seu post! Parabéns!

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  2. Vai escrever bem assim lá na @#$!!
    haha Muito legal e singelo.. =)
    Grande beijo! E parabéns à Lu!

    Pam.

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