terça-feira, 16 de agosto de 2011

CONFISSÕES


CONFISSÕES

No topo das horas dos disfarces o olho do sol arde-me os olhos e a luz que alumia o dia faz-me olvidar em breve, um descontentamento, na procissão do medo que vem desfilando, intento vigilante a confrontar-me o peito. Confesso de mim um tanto e escondo de tudo o pranto. Sorrio de qualquer coisa, combino a qualquer preço, matuto um complemento, tento escapar de que... Prenúncios do confessar. Confesso?
No ir e vir dos mínimos processos, no gesto e na fala, silêncio e pisar, no escorregar, no jeito que se vai ao chão, nos pesadelos, sonhos e incrementos, em todos os trejeitos da “razão” ou dos vacilos, nas camuflagens da oralidade...
Pecados? Oh, astúcia, que pensa ser melhor a seu tempo! Olho no olho, diante do espelho, encaro a cena e interpreto. Olho no olho do outro, sei que, no engano, aprendo. Mais além, feras poluentes adentram fértil / mente à criação de pesadelos. E é nessa hora, que ouço o silenciar do coração, quando estou frente a frente de mim, e tenho a visão do que negava ver... Eu vejo uma cadeira a balançar na ala ríspida do julgamento e sei que confesso, nos mínimos detalhes, o que posso, o que não posso, o que vejo, ou imagino... Confesso mentiras, verdades nas múltiplas facetas das adversidades. Confesso o que fiz e o que não fiz nas profecias e conquistas dos desejos incontestes. Sei que mesmo muda, confesso!


Graça Campos, 16/08/2011.

Um comentário:

  1. Graça querida amiga , parabéns lindíssimo poema " confissões " você vai além de imaginação literária e poética.
    És inigualável e forma de escrever . . .
    Jeronimo Sales -

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