segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

MATURIDADE

SERRA DO CIPÓ


Imagem da web


Cerração faz mistério
E em silêncio
Criatura adormece
Embalada  na canção do rio
De curvas
Cipó... Escuro e calmo

Na Serrania
Vento frio gelado
Congela a gota
Que nasce da pedra
Grota, gruta, pedregulho...
Cortina em mármore
Lapida o olho que vê
Olho d’água
Olho de bicho
Lobo guará, Tamanduá...

A Serra caminha na trilha de escravos
E a tradição é esculpida
Em véus cristalinos de Noiva

Sigo entre bromélias
Que me levam a orquídeas
"Sempre-vivas"

Um moço velho
Guerreiro de andança,
Plantado na pedra
Brotou, virou flor...
Sorri com olhar de esperança
O colhedor de flores  
Eternizou...

A serra esbranquiçada
Encontra algodão de nuvens
E se abraçam
Céus e montanhas

Longínqua a serra
De azul desbotado
Mostra a sua silhueta
Vai e vem sem
Se mover

Movem-se os olhos
Que ultrapassam
Os horizontes...



Graça Campos (10/10/2008).
CAMPOS, Graça. Poema. Serra doCipó.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Nosso Chão

Destaque no concurso Festival de Inverno Ouro Preto,/MG 2009.

Pegadas, contos, canções
Poeira de poesias
Em silêncio acordado
Lendas e fantasias
O som do pisar descalço
Embala sabedoria
Nesse trilhar seguro

Nossos rastros de muitas andanças
Marcas calejadas de sustentação
Ecos encantos emoldurando montes
Viçoso mar de ondas verdejantes
Ar de poesia em suas esquinas
Cantam sabiás, gorjeiam bem- te- vis
E no chão esmeralda sinos cotovias
Rumam em festas, tradições sagradas...

Chão diverso, palco de criança a ensaiar os sonhos
Ouve os passos de seus seguidores
Berço dos pés a descobrir caminhos
Esses de lutas glórias brados que registram
Estrada real percurso da memória
Ideais e nobres conquistas
Contínuos caminhares

Abençoado chão
Há de sempre brotar
Meninos e meninas
Minas nos corações brotos de vida
Flor de esperança, liberdade, amor...


Poema “Nosso chão”
DESTAQUE no Festival de Inverno de Ouro Preto/ MG/2009.
CAMPOS, Graça. Poema. Nosso Chão.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

PEDRA REDONDA



Na grande Pedra Redonda
nasce o rio
ele em busca do mar
ela a desejar os céus...
Já foi morada de gente
anfitriã dos peregrinos...

Nossa Senhora, quanto devoto!

Nossa Mãe!
Vou subir à pedra
entoar uma prece
Ó, padroeira santa!

Ouça!

Os botocudos dos ventos gelados estão a pedir

o rio cheio de peixe, o rio cheio de vida...

De cá eu avisto, do caminho real

a Pedra azul Redonda a reinar...

e o rio?
cheio de peixe?
de vida?

SERÁ ?




Graça Campos Belo Horizonte, 22/08/2009
CAMPOS, Graça. Poema. PEDRA REDONDA.Lincença Criative Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3.0 Brasil License.

MARIA PÃO-DE-QUEIJO



Negrinha a tua tez, Maria!
Baixinha, apressada em servir;
Com um cesto de quitutes a traduzir
O branco, a sua lida em nitidez.

Maria, de vestidinhos tão alvos!
Tinha um jeito chamativo
Toda a meninada olhava
Aquele semblante atrativo.

Neta de escravos, a mina,
Mas desde então era livre
Vendia em tabuleiros
Os famosos pães mineiros
E ficava furiosa
Quando entoavam as crianças
A chamá-la o tempo inteiro.

Alguns marmanjos também
Aproveitavam e gritavam:
Ô, Maria Pão de Queijo...
Ô, Pão de queijo queimado!...

Ô, Maria, nos perdoe essa falta de juízo!
Hoje malucos adultos, madurinhos!...
Iguais a seu Pão de queijo
Queimado(s) de saudade
De Maria...
Daquele tempo do Serro!...




CAMPOS, Graça. Poema. Maria Pão de queijo. Do meu livro " Olhares de Mulher"
Aguardando arte final.
http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/maria-pao-de-queijo

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

CECÍLIA MEIRELES - Homenagem


Cecília Meireles

Poeta do MOTIVO de vida completa
Porque o instante existe
Com a maestria do lirismo à realidade
Que traz à tona a beleza da poesia
Com cheiro, cor, e gosto e fantasia
Envereda trilhas, caminha incessante
Tece no âmago aconchegantes ninhos
Aninha-se...

Dá formas de voejos borboleteando
Insinua trajetos dos fortes versos
E das canções, traz histórias reais
Grandes viagens e romanceiros

Navega em mar azul e maresia
E deixa noutras vias das palavras,
Puro afeto
Gosto de fruta madura,
Lembranças de morte e vida

Saudade...

Na certeza original do mundo
Do abstrato e do concreto
Cecília professora,
Sábio olhar aos pequeninos
Jornalista e escritora de senso profundo
Os seus poemas correm mundo inteiro
Marejam os olhos regando canteiros
Quem de corpo e alma adentra
Os grandes sonhos sonhados
Razão maior de viver...

Grande Cecília
Viva
Poesia!

Autora: Graça Campos
CAMPOS, Graça. Poema. Cecília Meireles. Homenagem.




“Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
__mais nada.”

Estrofe do poema MOTIVO da autora Cecília Meireles.


http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/cecilia-meireles-homenagem

Comentário de Silvia Mendonça 

 Retrato



Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.



Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.



Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

A minha face?

Graça, querida, parabéns pela belíssima homenagem à nossa poeta maior, Cecília Meireles. Eu sou suspeita para falar dessa mulher fantástica, sábia professora, "jornalista e escritora de senso profundo". Ainda menina, eu me apaixonei pelos poemas de Cecília Meireles e a elegi minha mestra, quando não tinha a mínima noção de que, um dia, eu me tornaria escritora (antes, jornalista). Cecília Meireles, todos sabemos, empenhou-se na renovação da Educação, tenho organizado a primeira biblioteca infantil do País. Ela sabia que uma criança, para se tornar um adulto de fato, precisa crescer lendo. Pena que nem todos entenderam esse seu gesto. Posso te dizer, Graça, que as poetisas com as quais convivi e que de, algum modo, influenciam em meu trabalho, são: Cecília Meireles, Clarice Lispector e Adélia Prado. Sem desfazer de nenhuma outra, pois temos as geniais, as autodidatas, como minha querida Cora Coralina, com quem tive o prazer de conversar. Boas lembranças. Parabéns pela postagem. Beijos da Silvia


Comentário de Zaymon Zarondy

Motivo

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.

Se desmorono ou se edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo