domingo, 18 de março de 2012

FOLHAS CAÍDAS


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Chuvas de março, desfecho de verão! Manhãs acordam suaves, e o coração fica sereno após os temporais.

Bem-vindo, manso e temperado tempo das horas calmas, das estratégicas desenvolturas, profundas buscas no espaço resguardado do tesouro da vivência.   
Já posso absorver a poesia do orvalho, pingos de prata pelas madrugadas, sentir os arrepios da brisa matutina, da sensação de corpo e alma a traduzir maturidade...
Tons naturais bem crus alcançam nuances douradas, pálidas avermelhadas e vão se acomodar no colo da mãe Terra. E eu me delicio! Amo a estação do outono pela paz que exala da grandiosa nudez de todas as árvores e suas lições, exemplos de renovação. Um colorido sóbrio se veste de elegância e precisão, por sorte, à direção do caminhar...
As folhas se desprendem e se vão uma por uma, atendendo à orquestra do viver. Flutuam como bailarinas... Dançam e se aquietam. Caem dançarinas delicadas! Decerto ninguém ouvirá queixume ou choro pela queda. Em sintonia perfeita deslizam como plumas ao toque do irmão vento, levando as histórias em ciclos, roçando lembranças na face da idade...
Sonolentas, as ressequidas folhas outonais se entregam a um sono profundo. Sonham sonhos fecundos, buscam a seiva da vida, despertam no brilho verde esperança, trazendo nova folhagem...






 
Graça Campos, 17/03/2012.
CAMPOS, Graça. Folhas Caídas.


4 comentários:

  1. As chuvas lavam os dias, e os dias limpos lavam nossa alma...

    Carinho,
    Jorge

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  2. As chuvas, a nova paisagem, o outono das folhas caídas!...
    Sem dúvida, caro escritor, "e os dias limpos lavam nossa alma".
    Grata pela visita e mensagem!

    E meu abraço carinhoso,

    Graça Campos

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  3. Ninguém melhor do que você descreve as chuvas que renovam toda a natureza e a nós também. Lindo texto em que destaco a passagem :
    " Já posso absorver a poesia do orvalho, pingo de prata pelas madrugadas, sentir os arrepios da brisa matutina, da sensação de corpo e alma a traduzir maturidade. "
    Meu abraço amigo Jerônimo Sales.

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  4. Graça, Lembrei imediatamente dos tempos de colégio,ultra romantismo, Almeida Garret,poeta português,questão Coimbrã, autor de Folhas Caídas. Sobre isso, escrevi: Não há como tirar do peito em versos um amor que não se tem, por isso penso que o poeta é antes de tudo um canal de amor!
    Dei uma passada geral, superficial no seu blog, quero voltar com mais calma, mas já percebi uma coisa que é comum nos poetas: o amor, as flores, os sonhos, a natureza, apaz.
    Parabéns por tudo, inclusive pela formatação, vê-se logo que se trata de uma artista plástica com um dom incrível das letras.

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