terça-feira, 5 de junho de 2012

GUARDADOS

Imagem da Web


Havia um pote onde guardei
O desbotado de minhas paredes,
Um lago seco para que nenhuma gota de lágrima
Minasse nas sendas do meu vazio


Guardei sementes de um tempo
Em que plantava sonhos
Juntei as lembranças em pétalas
Desidratadas da flor
De aroma ímpar
Selando ali,
Em cambraia bordada,
A mais forte palavra:
Amor...


A argila do pote
No bojo opaco escondia
Minúsculos traços das mãos
Que bateram, sovaram a terra barrenta


Na memória do pote
Entrelaces de histórias do oleiro
E incontáveis histórias minhas
Lembranças, retratos queridos
Pedaços de fita e laços
De afetos...


Haverá de outras argilas,
Paredes esguias de muitos potes,
Cada qual de sua única forma
Que a própria vida concede
Criando esperanças
No cheiro de terra molhada

Das mãos do trabalho do oleiro
Surgirão outras histórias
Que serão
Guardadas...


Graça Campos, 05/11/2010
CAMPOS, Graça. Poema. GUARDADOS

Nenhum comentário:

Postar um comentário