terça-feira, 5 de junho de 2012

SECA




SECA

A mata já é morta
Secos meus olhos percorrem caminho de pedras,
Terra torrada
Tropeços da vida que havia escolhido
Para acolher-me...

E meus pés sangram nesse patamar do mundo

Devora-me a sede
Sofro de dor de fome
A mão que ousou plantar
Ergue-se aos céus
A ouvir suspiros de um verde tímido
Que se arrasta no grotão

Secos meus olhos veem
O poço na escassez dos sonhos
A secura impiedosa se alastra e crepita
E mata...

Secos meus olhos choram
Porque já chorei todas as nascentes


Água, onde estás que não me livras dessa vastidão?
No sertão árido de meus pensamentos?
Na imundície das mil promessas vãs?



Graça Campos, 05/06/2012. Poema. SECA.
Imagem do Google. RETIRANTES. Cândido Portinari. 1944. Óleo s/ tela.

Um comentário:

  1. Cantas com muita sensatez a tristeza da seca, Graça. Meu beijo.

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