quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Versos partidos




A poesia que ignoras, faz de ti morada
Está adormecida em leito de descrença
Esquecida da vida, silenciosa, acabrunhada
Em choro sufocado por tua inclemência


No solitário andar de teus versos calados
Os pesadelos são gritos que tu ouves
Quando os desejos se aninham loucos
Nos desafios de uma ânsia, aos brados



E, lado a lado a cochilar me ponho,
A jogar fora o teu penar ao léu
E, ao acordar, me descobrindo em véu
De um doce lirismo, mas tristonho



Tropeço, sonolenta, nos versos caídos
E cuido de apanhar sentido mudo
A poesia machucada agoniza e é tudo
Como quem quer juntar cristais partidos...


Invento alguma forma de colar as rimas
Da criação que se trancou no caos
Eu vejo a calmaria do alto das colinas,
A poesia- musa ao mar, e o acenar às naus...

“Cais”...





Graça Campos, 23/09/2012
CAMPOS, Graça. Poema. Versos Partidos. Imagem do Google

Nenhum comentário:

Postar um comentário