terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dueto - Versos partidos e chegados...

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A poesia que ignoras, faz de ti morada
Está adormecida em leito de descrença
Esquecida da vida, silenciosa, acabrunhada
Em choro sufocado por tua inclemência.


Ouvi pelos teus sussurros que aqui choram
Murmúrios de uma alma pura enriquecida
Pela bela sonoridade que nela fez guarida
Dos olhos aos lábios gotas que lacrimejam


No solitário andar de teus versos calados
Os pesadelos são gritos que tu ouves
Quando os desejos se aninham loucos
Nos desafios de uma ânsia, aos brados.


Tuas palavras calam como um doce relicário
Aos ouvidos atentos entristecidos e cansados
Loucura santa como prece de um breviário
Declamada e rezada em noites enluaradas.


E, lado a lado a cochilar me ponho,
A jogar fora o teu penar ao léu
E, ao acordar, me descobrindo em véu
De um doce lirismo, mas tristonho.


Criatura que em palavras toca o Criador
Pela pureza e destreza que chega aos céus
Filtro que perpassa até feltro de chapéu
Desperta em poetas a crença pelo Amor



Tropeço, sonolenta, nos versos caídos
E cuido de apanhar sentido mudo
A poesia machucada agoniza e é tudo
Como quem quer juntar cristais partidos...


Levanto então tão comovido e possuído
Indo no embalo sentindo-me protegido
Ungido pela maciês da pele bem aquecida
Amálgama a rica doçura desses fluidos


Invento alguma forma de colar as rimas
Da criação que se trancou no caos
Eu vejo a calmaria do alto das colinas,
A poesia- musa ao mar, e o acenar às naus...



Unguento a salvar-me de quaisquer lamentos
Entregue à sorte das ondas, das águas bravias.
A navegar nos mares distantes e profundos
E aportar suave à embarcação que se desvia...


do “Cais”... E ancora no porto dos nossos ais.



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