terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Incessante apelo



Ouça-me,

Sou a canção que toca teus ouvidos

A devolver-te alento e a ternura.

Quando nas horas pálidas, tormentos

Da triste sina de ti, criatura.



- Ouço-te,

Tua voz melódica acaricia-me

Como um afago que traz vida

Quando entristecido sinto-me

Revitalizo sentido em guarida



Quanto querer a força que te escapa

Adoraria devolver-te em tempo

Trago detalhes gestos e quimeras

A transformar-te os maus agouros



- Ouvir-te é sentir-se então revigorado

No colo seguro e eterno do infinito

Por onde as almas puras transmutam

Onde realizo meus sonhos mais bonitos



Sou teu sonhar ardente aonde o momento

Chega a sonhar-te o sonho do aconchego

Sou guardiã e ouço teus apelos

Quando acaso, ocaso se achega

E os derradeiros raios trás dos morros

Morrem à beira da escura noite



- Percebo que tua canção só me sossega

Deixa meu peito leve e em plena festa

Fico cativo ao som que emana e não nega...

Ao contato e encantos da alma dos poetas

Ilumina minha noite escura e fico à entrega

De sentimentos belos como o dos profetas



Sou a possível forma que encontrei,

De acender-me diante a tua treva

Sou estrela em noite que te afaga

E norteia teus passos tortuosos

Insisto em ser a mão que tanto aspiro

Que fosse a tua mão a ser meu guia



- Sinto-me iluminado diante desse brilho

Sem temores de enfrentar a cruel solidão

Porque tenho a fonte pura dos teus rastilhos

Fagulhas que acendem o fogo do coração

Que toca e cala fundo todos os gatilhos

Em forma de projeto da melhor sensação



Toma-me,

Teimo em ser-te amada

Em teus braços quero ser ninada

Abraça-me, que te serei, quem sabe, a lua

Bem cheia e brilhante no teu céu...



- Tomo-te,

Como quem a recebe e ama intensamente

No mimo dos abraços ternos e cálidos

Que abre um luar tão belo e extasiante

E faz nascerem poemas em duos intrépidos



Sinta-me,

Sou o sussurro do vento que arrepia

Sou as batidas fortes cadenciadas

De um coração que jorra sentimento

Tua muralha, se preciso for.



- Sinto-te

No murmúrio que vem dos coqueirais...

Na brisa do mar e das ondas orquestradas

Que beijam a areia e aliviam os meus ais

Quebrando minhas resistências entaladas



Venho de longe em sôfregos tropeços

De um caminhar errante, uma utopia

Por tentação de ter o amor primeiro.



- E a recebo como a dádiva do recomeço

De quem encontra uma sábia parceria

A dialogar belas palavras de nostalgia



Sou mistura de gênio e de fada,

Sou insensata no jeito faceiro

Já me escapei de furacões gigantes



- Vislumbro em ti uma sabedoria divina

Até no que pensas ser um ato absurdo...

Percebo a mensagem mais linda do mundo



Arrebatei imensidão de ondas,

Mas quero esse amor ainda seja

Busca incessante de ter e ser amada...



- Tentei versar como quem aqui ronda

No mesmo tom, ritmo, cadência, embalo...

Apenas no intuito de alegrar a nossa vida.





Duo: Maria das Graças Araújo Campos e Hildebrando MenezesNavegando Amor e Maria das Graças Araújo Campos


http://www.recantodasletras.com.br/poesiastranscendentais/3991077

Um comentário:

  1. Querido Hilde, de versos belos e puros, nascidos da intensa poesia da vida, eis a magia do poeta que faz brilhar a "incessante" busca da alma que raia e exala doçura, beleza e entendimento! Viva a criação esplêndida do poeta mestre, arte, e sabedoria! Bravos, amigo Hildebrando Menezes! Beijos.

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