sábado, 28 de janeiro de 2012

FOGO SAGRADO


 
Esse sagrado fogo que me queima
O corpo, a alma inteira abrasar
É alimento a sustentar e teima
Farto desejo em busca de amar

É que, no coração, raia invade
Avançam chamas, cismam labaredas
E vem à tona a dor da liberdade
Quando se têm barradas as veredas

Percorro o tempo em torno das vontades
Guiada pela força, evolução
De um pensar clamando a igualdade

Ergo-me em voos, meu sonhar consciente
Chego à exaustão, mas ora ainda insisto
Fênix sou das cinzas renascente!



CAMPOS, Graça. Soneto. FOGO SAGRADO.
22/01/2012. Imagem da web

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

INFÂNCIA

Imagem da web


Por entre as árvores daquele quintal bendito, eu menina tinha sossego de buscar o mundo. Brincava de criar... E me perdia em um tempo sem relógio...

Ali gangorrava em plena liberdade, borboleta em flor. Nos galhos firmes, me apoiava e fazia grandes viagens. Em Minas mar é montanha. Onda gigante. E, velejando, conheci terras longínquas do meu imaginário. Daquele itinerário  fértil de idéias.  Meu quintal foi oceano. Infância mágica, o chão de terra vermelha, anfiteatro onde contracenaram raros e incríveis personagens que ainda hoje, vejo-os lendários a sussurrar-me segredos, ensaiando suas falas.

Chego a sentir o gosto de fruta no pé e o cheiro dos guisados, o aconchego das bonecas a me treinarem a maternidade. Brinquedos brincavam, eu brincava de gente grande. Tudo falava. Tudo era silêncio. As coisas tinham respostas interessantes. Havia circo, palhaço disfarçado nas alegorias. Boiadeiro de fazenda de curral e gado feito de brotinhos de chuchus. Havia um caminho colorido onde  tinha cuidado em pisar. Eu andava entre boninas do bosque nascidas sozinhas...  Entreolhares, entendimento...  Havia o bosque!
Colhia uma por uma, as flores do mato.  Simples e belas boninas do meu quintal fantástico e real...


Graça Campos, 24/01/2012.
CAMPOS, Graça. INFÂNCIA.

sábado, 14 de janeiro de 2012

CAMINHOS

Imagem da web

 
Quando pisam os pés
À escolha dos passos,
Uns vindo, outros indo
Em busca de laços
Ultrapassam sem ver,
Na pressa de chegar
Até mesmo as pedras
No meio


Caminhos estreitos
Sem saída os becos
Sinuosos sem vida
Labirintos


Escolhas ou fugas
Confusas andanças
Esconderijos
Rijos


Os caminhos convidam
Teimam os pés
Insistem nas marcas
Seguem em frente deixando pedaços
Por todos os lados


Gramados por vezes,
Preservam as solas de outro trilhar
Consolam, desolam
Piedosos, impiedosos
Caminhos de pedras
De flores
Do destino
Corrido,
Percorrido
Sem volta


À margem, pensamentos viajam
Nas asas dos sonhos dos caminheiros
Ficando impressos
Caminhos pisados
Cheirando a histórias
De vidas infindas
Registradas...



Graça Campos, 04/11/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. CAMINHOS.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aos 80 anos de minha mãe!

Foto Arquivo Pessoal
2012.


Na vibrante coragem
O laranja dos lírios
No sorriso dos filhos
Miragem


É leveza de flor,
Seu perfume?
Amor
Celebrando a vida!

Os olhares cintilam
Entre abraço e outro
Ela é fascinante
Com lições de saber
E alicerça...

Sua arca bendiz
É Maria
Matriz
Mãe bondosa e feliz
MATRIARCA!...


Ah, mãe querida,
Leoa de suas crias!

Ah, filhos!
Quantas histórias!...
Escrevê-las?
Mil exemplares
E, certamente, deliciosos de se ler...
Por que, quando se tornam pais,
Os filhos podem “supor” o que,
Na memória, ao longo do caminhar
Tudo fora registrado
E entendem que o amor é a história transformada em
Conquistas e glórias,

Maria Vitória!

Graça Campos, 06/01/2012.