quinta-feira, 28 de junho de 2012

JURAS DE ESTRELAS


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No silêncio da tarde preguiçosa
Um som de paz caindo como luva
Gotas de mel em notas preciosas
Anjos tocando lira em flor de chuva



Não sei se choro ou rio, ou imploro
Tamanha sensação e harmonia
Meu coração e alma e todo poro
Ouvir delícia, acorde que inebria



Tocam suave a música, lirismo
Terei guardado eterna, esse momento
Oh, divinal presença, em realismo



A noite adentra um manto de estrelas
Desejo ardente em contentamento
Juras de amor, promessas, ao revê-las...




Graça Campos, 28/06/2012.
CAMPOS, Graça. Soneto. JURAS DE ESTRELAS.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

INVERNO



Imagem do Google


A última folha caíra tão leve,
Vinda no primeiro vento
Carregando poesia
Alada e fria!



Primeira de tantas noites
Em tons sóbrios de
agasalho...



Lembrou-me o cachecol
Guardado de outro tempo
Com cheiro de aconchego...



Ainda impregnados de ousadia
Os sabores
Das horas quentes!...





Graça Campos, 20/06/2012.
CAMPOS, Graça. Poema. INVERNO.



terça-feira, 5 de junho de 2012

SECA




SECA

A mata já é morta
Secos meus olhos percorrem caminho de pedras,
Terra torrada
Tropeços da vida que havia escolhido
Para acolher-me...

E meus pés sangram nesse patamar do mundo

Devora-me a sede
Sofro de dor de fome
A mão que ousou plantar
Ergue-se aos céus
A ouvir suspiros de um verde tímido
Que se arrasta no grotão

Secos meus olhos veem
O poço na escassez dos sonhos
A secura impiedosa se alastra e crepita
E mata...

Secos meus olhos choram
Porque já chorei todas as nascentes


Água, onde estás que não me livras dessa vastidão?
No sertão árido de meus pensamentos?
Na imundície das mil promessas vãs?



Graça Campos, 05/06/2012. Poema. SECA.
Imagem do Google. RETIRANTES. Cândido Portinari. 1944. Óleo s/ tela.

GUARDADOS

Imagem da Web


Havia um pote onde guardei
O desbotado de minhas paredes,
Um lago seco para que nenhuma gota de lágrima
Minasse nas sendas do meu vazio


Guardei sementes de um tempo
Em que plantava sonhos
Juntei as lembranças em pétalas
Desidratadas da flor
De aroma ímpar
Selando ali,
Em cambraia bordada,
A mais forte palavra:
Amor...


A argila do pote
No bojo opaco escondia
Minúsculos traços das mãos
Que bateram, sovaram a terra barrenta


Na memória do pote
Entrelaces de histórias do oleiro
E incontáveis histórias minhas
Lembranças, retratos queridos
Pedaços de fita e laços
De afetos...


Haverá de outras argilas,
Paredes esguias de muitos potes,
Cada qual de sua única forma
Que a própria vida concede
Criando esperanças
No cheiro de terra molhada

Das mãos do trabalho do oleiro
Surgirão outras histórias
Que serão
Guardadas...


Graça Campos, 05/11/2010
CAMPOS, Graça. Poema. GUARDADOS