quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Feliz Dia das Bruxas!




As bruxas eram mulheres sábias, lindas, atraentes e conhecedoras da natureza e da magia. Dominavam o uso medicinal das plantas, e eram verdadeiras cientistas. Ousadas à época, na qual não havia divisão entre a ciência e a fé.
Mulheres independentes, inteligentes, donas de terras e, livres?
Inadmissível para as conveniências da sociedade patriarcal, que não poderia perder forças, motivos da caça às bruxas...
Assim, livrava-se dessas mulheres através da prática de genocídio, um verdadeiro holocausto (pois as bruxas eram torturadas e queimadas vivas). Questões religiosas e questões de gênero!

Mas, por motivos óbvios do gênero feminino, estamos aqui, voando com nossas vassourinhas, e buscando novas conquistas, varrendo as tristezas de nossas cabeças, brincando e comemorando com nossas fantasias, e transformando os sonhos na fogueira de nossos ideais

Feliz Dia das Bruxas!



Graça Campos, 31/10/2012.
Imagem do Google.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

MAGNÓLIAS




As flores, a história viva,
cruel desalinho
das horas mortas


A mesa posta,
guardanapos bordados em crivo.
Linhas das mãos em desafio
a alinhar o linho alinhado


Olhar desbotado, desapontado,
fita cena
fria...


Os sonhos aguardam qualquer tom que não seja plúmbeo
Os pés descansam por força da espera
tão diferente da flora

Magnólias
regadas de prata lá fora,
pulsam orvalho,
tremor de suor da noite


No calafrio, calo e grito
Soluço remoto desafiando a cor da vida
no fio da coragem de outra lida...


A lua, a mesma lua de milhões de noites
O verso banhado em choro
O choro enrugou mil faces...

O tempo, as flores, o jarro transparente,
arrepio, o vazio,
sem cheiro, sem graça, manchando a alvura da mesa...

A mesa posta escorrendo amor, dor,
fome perdida...



Os sonhos contando sabor derretido
Silêncio de outrora
Sopro de ânsia...
Olor!

Doce fragrância de refinada flor
Aveludada
Lembranças!



E as quimeras perdidas,
Se refazem quase...

Perfeitas!

Intensas, acendem o brilho de meu sol interior
De fêmea
e flor!...





Graça Campos,11/10/2012.
CAMPOS, Graça. Poema. Magnólias. Imagem da web.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Dueto - Versos partidos e chegados...

Imagem da web




A poesia que ignoras, faz de ti morada
Está adormecida em leito de descrença
Esquecida da vida, silenciosa, acabrunhada
Em choro sufocado por tua inclemência.


Ouvi pelos teus sussurros que aqui choram
Murmúrios de uma alma pura enriquecida
Pela bela sonoridade que nela fez guarida
Dos olhos aos lábios gotas que lacrimejam


No solitário andar de teus versos calados
Os pesadelos são gritos que tu ouves
Quando os desejos se aninham loucos
Nos desafios de uma ânsia, aos brados.


Tuas palavras calam como um doce relicário
Aos ouvidos atentos entristecidos e cansados
Loucura santa como prece de um breviário
Declamada e rezada em noites enluaradas.


E, lado a lado a cochilar me ponho,
A jogar fora o teu penar ao léu
E, ao acordar, me descobrindo em véu
De um doce lirismo, mas tristonho.


Criatura que em palavras toca o Criador
Pela pureza e destreza que chega aos céus
Filtro que perpassa até feltro de chapéu
Desperta em poetas a crença pelo Amor



Tropeço, sonolenta, nos versos caídos
E cuido de apanhar sentido mudo
A poesia machucada agoniza e é tudo
Como quem quer juntar cristais partidos...


Levanto então tão comovido e possuído
Indo no embalo sentindo-me protegido
Ungido pela maciês da pele bem aquecida
Amálgama a rica doçura desses fluidos


Invento alguma forma de colar as rimas
Da criação que se trancou no caos
Eu vejo a calmaria do alto das colinas,
A poesia- musa ao mar, e o acenar às naus...



Unguento a salvar-me de quaisquer lamentos
Entregue à sorte das ondas, das águas bravias.
A navegar nos mares distantes e profundos
E aportar suave à embarcação que se desvia...


do “Cais”... E ancora no porto dos nossos ais.