domingo, 20 de janeiro de 2013

MANHÃ / TARDE/ NOITE...


MANHÃ


Na ponta dos pés, nasce tímida manhã como quem brinca de esconde-esconde, abrindo sorriso sobre as linhas sinuosas, limites entre nuvens e horizontes. Feitio próprio da inocência que se vai tateando o novo...
Perpassa o beiral dos picos roçando o corpo das montanhas. À meia luz projeta o abraço à imensa paisagem na transparência de um raio e outro, tingindo rosa e dourado, os primeiros desafios!
Raios de sol ensaiam com vestígios de brisa, a música orvalhada que se ouve em tom maior! É o som da vida acordando...
Hora de ser!






TARDE


Há um caminhar infinito à frente... A paisagem promissora é mar de sonhos, mas há deserto, sol ardente, prenúncios de motivos, tantas descobertas e questões profundas, indecifráveis sensações... Um querer indomável, de se estar nos pontos com exatidão... Há emoções diversas e indescritíveis, e que aprontam quedas derrotas, revoltas, que se arrolam quanto à estrutura, e se põem a perder por mero e tolo orgulho! Muros e ciladas no futuro, não passam do saber seguro, experimentos impagáveis... E, ao ego ferido, o aprendizado de se perdoar!...


As plantações ainda tenras, frágeis, requerem o cultivo específico nada impossível... Erguem-se impérios, outros só flagelos, paredes de palhas que se vão ao sopro do vento mais lento...

Há quem não se resguarde do rigor dos anos, preferindo apenas o dia bem-vindo. Há quem subestime a força da vida, e na prepotência, pouco sobrevive! O conhecimento com a persistência, coroando metas e atingindo bônus... O trabalhador e a inteligência de rever a crença que encoraja a fé. Reconhecimento, e uma escalada pela humildade para se levantar, o quanto cair.

Há quem se previna e abasteça a mente de matéria, apenas matéria! Que pena, esquece os grandes tesouros... E a grande verdade que se vive aqui (em memória curta) é que, a simplicidade fica pequenina, tão pouco notada, e, acidentalmente, a tudo danifica...
Mas há sempre o tempo de rever os fios de uma desenfreada busca , sem saber o quê!...
Bem que, naturalmente, nascem outras manhãs, e as noites dormem à moda que se fazem os dias!





NOITE




Noite tem brilho de estrelas, fogueira, luar... Fantasmas, escuro, escadas, casa assombrada...
Noite lembra serenata, sonata, sereno, chuvinha, goteira e sono... Lembra roda de amigos, insônia, e solidão... Tem cheiro de dama, tem a cor da magia e o sabor do pecado...
Gosto de vinho, luz de velas, penumbras... Jazz, bolero ou tango... Palco, cenário, cortinas que se descortinam!...  Fantasia, alegrias, sorrisos...

Noite tem dama e cavalheiro, ainda um ar de romantismo e amor ...
Há noites longas de insônia, há noites sem lua, mas há muitas noites de brilho! Brilho dos astros, da fé, da continuidade das horas... Horas a fio de pensamentos, de tentações e tentativas...

E os sonos perdidos, pesadelos, lentidão das horas,
Sonos profundos com lindos sonhos, bem sonhados...
E haverá manhãs, tardes, noites, e infinitos sonhos para haver a vida!




Graça Campos, 19/01/2013.
CAMPOS, Graça. Manhã/Tarde/Noite.
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