sábado, 19 de janeiro de 2013

CANÇÃO DO VENTO





Zunido fino e frio
Arrepio...


Notas desafinadas
Respingos do tempo
Cantando recados do alto dos montes
Bordados segredos, dos vales e fontes,
Dos alvos babados da beira do mar...


Às vezes mistura e troca mensagens
Promove incertezas, tritura razão
Na forte corrente em sua passagem
Nos redemoinhos da imaginação...


E o vento se apressa,
Assopra e carrega
Toda leveza que há pela frente
Atiça-me os poros,
A pele resfria e
Expõe o meu medo


Não sei de quê...


Arranca telhado
Da casa onde os sonhos
Guardados brotaram sem pejo
De serem podados...


Oh, vento maroto que me despudora
Levantando as saias
De meu pensamento
Depois de faceiro, vem manso e manhoso

Doce melodia,
Acalma - me a ânsia,
Faz dançar meus cabelos

Na trama dos fios,
Trança histórias,
E mil desafios...


E nesse bailar,
Varrendo a poeira dos rastros sem poesia,
Traz-me fantasias
Roça-me
Sem cerimônia...



Arrepio, frio,
uma canção macia
aveludada...



Sussurros mágicos
na canção
do vento...

Graça Campos, 19/01/2013.

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