quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobre "Dedicatória"



Eu dou a vovó este caderno com muito amor
pra ela se soltar”. Luíza A. S.

Sim, menina amada! Vou por aí, andar pelos campos, correr atrás das borboletas, deixar me levar pelo vento, anoitecer à luz de vaga-lumes... Ouvir o canto do riacho, descansar na relva, sentir a brisa e me molhar de orvalho...


Adentrar a selva da emoção e caminhar observando os sons da natureza, vou me pintar em tons violeta. De bênçãos preencher os pensamentos e dançar a dança das palavras. Entrelaçar-me nos versos da simplicidade cultivando a fragrância da rima, ou que seja do verso branco, mas, na ramagem perfumada da poesia...

Assim, ao brilho de uma estrela, sonhar um sonho pequenino do tamanho da inocência, voar leve como pluma onde a sutileza possa alcançar e conhecer inusitadas paisagens. Aventurar-me como águia destemida, ganhar territórios desconhecidos vencendo o medo do oculto, desvendar tais mistérios e sorrir perante alguma desventura...

Quero voos rasantes e sobrevoos perenes e aprender com os beija-flores a pairar como ninguém... Volitar sobre jardins na primavera, essencialmente!

Sugar doçura de flor e salpicar o mel nas paredes arredias... Sim, menina iluminada, já estou a me soltar, porque amo ser livre, ser eu mesma.

E quero ouvir tua voz a contar-me histórias, e piadas ingênuas, e rir como criança, e brincar de foguinho e de Barbye, balançar na rede, e galopar no cavalo de fogo, aquele veloz do filme de nossas tardes preguiçosas. Vamos plantar um pomar de sabores tuti fruti, subir nos galhos e colher no pé, as frutas madurinhas. Quero tua ternura, e tua meiguice e tua vivacidade a desvendar segredos, e reparti-los sem a mísera competição dos dias atuais... Quero correr descalça nos sítios mais viçosos de nossos ideais, amassar o barro, argila fria, e construir figuras benfazejas...

E, sempre que possível, repetir o ato de beber da água da bica, daquela cristalina, refresco do corpo e da alma...

Vou me soltando por aí, brincando com palavras, e, oportunamente, abastecendo meu embornal de afetos, coisas do dia-a dia que tu me ensinas a cada encontro de avó e neta!




Graça Campos, 12/02/2013.
CAMPOS, Graça. Prosa poética. Sobre "Dedicatória".


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