quarta-feira, 13 de março de 2013

LIBERDADE DA CRIAÇÃO





Rabiscos.
Primeiros traços, ensaios que, mais tarde, revelam o artista e sua arte ao outro.
À criança que lhe mostre o seu rabisco, não tente entender...
Deixe que o tempo se encarregue em suas reticências.
A arte não se explica.
A cada um vê-se o próprio olhar.
A cada perspectiva, melhor senti-la.

Lembro-me de meus primeiros desenhos feitos com pedra-sabão em um terreirinho de cimento.

Quando chovia, riscava também o chão ainda úmido, mas já compacto,
arriscando figuras humanas e paisagens, usando qualquer galhinho seco.
Guardo com detalhes, o sabor da hora, daquela tarde, de meus quatro anos de idade
em que risquei e rabisquei montanhas e coqueiros com seus cocos madurinhos
tendo ao lado um casebre.

Tal fato marcou a minha infância, embora, nos rabiscos, não houvesse raridade alguma.
Mas, por ali passava a dona do terreirinho, que parou seus afazeres, observou a paisagem,
apreciou-a carinhosamente, permitindo-me sonhar...

Arte... Inspiração, rabiscos, buscas, saciedade, liberdade de criar!
Vida!



Graça Campos, 13/03/2013.
CAMPOS, Graça. Texto. Liberdade da criação.
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Um comentário:

  1. Querida poetisa!

    Recordar é sempre bom! Devolve ao coração as emoções e alegrias.

    Com admiração,
    Beijos,
    Arlete

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