terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fim da Guerra


 
 
 
Ante o despudor de seres desalmados

Uma menina nua fora arrancada

E posta a correr sem rumo à frente

De outros inocentes.

 

 

Impiedosos dilaceram indefesos...

Sinto vertigem diante da imagem

A fotografia me sufoca

Queima-me o peito.

Abro-me em feridas violentas

Sangra-me a desigualdade

Desumana / mente...

 

  

Projeto outras faces sobre aquela foto

Onde o coração apela e clama

Por acalmar os corações meninos...

 

 


Vejo acontecer uma alquimia

Desfalecendo o "papel" do homem

Levando para longe o sofrimento...

 

 


E, por desejo ardente,

Plasmam chamas de justiça.

Cessam os gritos, o choro acabou.
 
 
 
 

Faz silente o tempo!

No ruflar as asas se levantam

E sobrevoam...
 
 

 


Os homens ainda estão armados

A guerra acabou...

 

 

Graça Campos/2009. Direitos autorais
 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ARIANA





À luz do Sol, estrela matutina
Vislumbro o novo, permito o nascimento
Que salta desse fogo ariano, anseio de vitória
Coragem preenchida do desejo de resgates
Provações dos embates atrevidos,
Crença do mito, pelo desafio...



No vermelho de Marte,
E nas cores brilhantes
Do amarelo, e o escarlate
A coragem, otimismo ante a vida.



Eu sou semente, que reza o início
Amor fecundo, cristal me lapidando
Impaciente, em fases e desvios
Quando, impulsiva, vou me aventurando...



As minhas vestes são a transparência
De mil viagens de meus pensamentos
E, aos tormentos, busco a fé bendita
Trago no peito a pedra ametista
Recolho-me à sombra do Carvalho
E busco na beleza estelar
Fios dourados no brilho do carneiro
Para vestir a nova criação!




Graça Campos, 28/01/2013.
CAMPOS, Graça. Poema. ARIANA.


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sábado, 26 de janeiro de 2013

Noctua (Ave Noturna)





Na boca da noite, um grito afinado corta o silêncio,
Risca  no escuro, medo que  encolhe
A coragem da gente...
Há um mistério,
Um frio,
Um pio!
Vigilante e tímida,
Pousa graciosa coruja
Nos ombros de Athena...
 Muda prosa!
Seus olhos brilhantes
Enxergam, nas trevas, 
O todo profundo
Em quase dia, suas penas ajeita
No oco da árvore
Escreve seus sonhos em leve sono,
Encontra o oculto
E se expande de novo,
Na boca da noite,
Causando arrepio
A ave noturna!...
Graça Campos, 26/01/2013. CAMPOS, Graça. Poema. NOCTUA. (Ave Noturna)
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domingo, 20 de janeiro de 2013

MANHÃ / TARDE/ NOITE...


MANHÃ


Na ponta dos pés, nasce tímida manhã como quem brinca de esconde-esconde, abrindo sorriso sobre as linhas sinuosas, limites entre nuvens e horizontes. Feitio próprio da inocência que se vai tateando o novo...
Perpassa o beiral dos picos roçando o corpo das montanhas. À meia luz projeta o abraço à imensa paisagem na transparência de um raio e outro, tingindo rosa e dourado, os primeiros desafios!
Raios de sol ensaiam com vestígios de brisa, a música orvalhada que se ouve em tom maior! É o som da vida acordando...
Hora de ser!






TARDE


Há um caminhar infinito à frente... A paisagem promissora é mar de sonhos, mas há deserto, sol ardente, prenúncios de motivos, tantas descobertas e questões profundas, indecifráveis sensações... Um querer indomável, de se estar nos pontos com exatidão... Há emoções diversas e indescritíveis, e que aprontam quedas derrotas, revoltas, que se arrolam quanto à estrutura, e se põem a perder por mero e tolo orgulho! Muros e ciladas no futuro, não passam do saber seguro, experimentos impagáveis... E, ao ego ferido, o aprendizado de se perdoar!...


As plantações ainda tenras, frágeis, requerem o cultivo específico nada impossível... Erguem-se impérios, outros só flagelos, paredes de palhas que se vão ao sopro do vento mais lento...

Há quem não se resguarde do rigor dos anos, preferindo apenas o dia bem-vindo. Há quem subestime a força da vida, e na prepotência, pouco sobrevive! O conhecimento com a persistência, coroando metas e atingindo bônus... O trabalhador e a inteligência de rever a crença que encoraja a fé. Reconhecimento, e uma escalada pela humildade para se levantar, o quanto cair.

Há quem se previna e abasteça a mente de matéria, apenas matéria! Que pena, esquece os grandes tesouros... E a grande verdade que se vive aqui (em memória curta) é que, a simplicidade fica pequenina, tão pouco notada, e, acidentalmente, a tudo danifica...
Mas há sempre o tempo de rever os fios de uma desenfreada busca , sem saber o quê!...
Bem que, naturalmente, nascem outras manhãs, e as noites dormem à moda que se fazem os dias!





NOITE




Noite tem brilho de estrelas, fogueira, luar... Fantasmas, escuro, escadas, casa assombrada...
Noite lembra serenata, sonata, sereno, chuvinha, goteira e sono... Lembra roda de amigos, insônia, e solidão... Tem cheiro de dama, tem a cor da magia e o sabor do pecado...
Gosto de vinho, luz de velas, penumbras... Jazz, bolero ou tango... Palco, cenário, cortinas que se descortinam!...  Fantasia, alegrias, sorrisos...

Noite tem dama e cavalheiro, ainda um ar de romantismo e amor ...
Há noites longas de insônia, há noites sem lua, mas há muitas noites de brilho! Brilho dos astros, da fé, da continuidade das horas... Horas a fio de pensamentos, de tentações e tentativas...

E os sonos perdidos, pesadelos, lentidão das horas,
Sonos profundos com lindos sonhos, bem sonhados...
E haverá manhãs, tardes, noites, e infinitos sonhos para haver a vida!




Graça Campos, 19/01/2013.
CAMPOS, Graça. Manhã/Tarde/Noite.
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sábado, 19 de janeiro de 2013

CANÇÃO DO VENTO





Zunido fino e frio
Arrepio...


Notas desafinadas
Respingos do tempo
Cantando recados do alto dos montes
Bordados segredos, dos vales e fontes,
Dos alvos babados da beira do mar...


Às vezes mistura e troca mensagens
Promove incertezas, tritura razão
Na forte corrente em sua passagem
Nos redemoinhos da imaginação...


E o vento se apressa,
Assopra e carrega
Toda leveza que há pela frente
Atiça-me os poros,
A pele resfria e
Expõe o meu medo


Não sei de quê...


Arranca telhado
Da casa onde os sonhos
Guardados brotaram sem pejo
De serem podados...


Oh, vento maroto que me despudora
Levantando as saias
De meu pensamento
Depois de faceiro, vem manso e manhoso

Doce melodia,
Acalma - me a ânsia,
Faz dançar meus cabelos

Na trama dos fios,
Trança histórias,
E mil desafios...


E nesse bailar,
Varrendo a poeira dos rastros sem poesia,
Traz-me fantasias
Roça-me
Sem cerimônia...



Arrepio, frio,
uma canção macia
aveludada...



Sussurros mágicos
na canção
do vento...

Graça Campos, 19/01/2013.

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ONDE ANDARÁ?...





Chegou de mansinho sem pedir licença
Planos traçados de felicidade
E no ápice dos sonhos, avalanche o levou...

Ladeira e morro abaixo... Despencou
Deixou-me a sorver apenas tormentos
Desgovernou todos os meus sentimentos

Tudo agora é passado!
Por que fizeste isso comigo?

E veio a dor, da mesma forma que surgiu.
Forte, intrépida, delinquente, pungente.
Essa outra, descarada nem se atenta.

Só sei que sabe e sente o quanto é inconsequente
A que causa, abraça e sai assim a causar descrença.
E como é perversa e malvada a danada
Destinação de corações magoados...


Fez de mim um de seus farrapos
Onde andará?
Por certo corroendo alguma alma demente
Só restam-me lembranças...



Por que morrer a esperança?
Viver a rebobinar reminiscências
Foi para isso que trafegou em minhas veias?
Vida / morte, morta vida!
Oh! Como foste viril e cruel
Ao fazer de mim um ser reles e pinel


Amanhece, anoitece, outro dia aparece
Eu sei que não virá... Eu sei...

Sofro agora do teu abandono
Deixaste-me como um cão sem dono
Entregue nessa estrada empoeirada


O que antes afirmava ser afeto de verdade
Você que me pediu amor e devolveu apenas

SAUDADES...



Duo: Graça Campos e Hildebrando Menezes

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

TRADIÇÃO ESPANHOLA

Imagem do Google. 
 
 
 
No meu sangue cigano
A tradição comemora a alegria, que corre nas veias, em dia de festa!
Lembranças...
E o corpo que baila e abana o leque,
Avista a fogueira, e transpira a magia do fogo sagrado.
Respira e se inspira ao som dos acordes...
A música reina!
De corpo e de alma
Incorporo a espanhola
E louvo a dança
Dos meus pensamentos...
E abrindo instrumento
Que pode e cura
Nas frestas do leque
Eu sou toda lua...
Transbordo desejos,
Festejo!
Reescrevo e bendigo as folhas bordadas
Da feminina determinação.
Coragem!...
E me entrego nos passos, em novos compassos.
Aquela que fui, e essa que sou...
.E canto o amor
Ainda que seja em Romanês...
Eu canto o amor e celebro a vida
Outra vez!
Assim seja!
 
 
 
(Brincando “verdades” em comemoração ao aniversário de 81 anos de minha mãe no dia 03/01/2013.).
Graça Campos, 05/01/2013.
CAMPOS, Graça. Poema. Tradição Espanhola.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

NOVO TEMPO

 

Foto by Mateus Duarte Sto. Antônio do  Itambé/MG.


Pelas veredas do tempo,
sinto no peito, os desejos exalando o pulsar do recomeço.
Novo olhar, novo riso, novo choro.

Outro olhar, outra sede,
Inovação, reencontros.
E a vida vem amanhecendo e anoitecendo,
Fechando e abrindo, naturalmente, os ciclos,

A existência!

Para uns, um tanto anuviada...
Para outros, um tanto ensolarada!

A chuva, cadê?

Experimento o deserto e oásis.
Sinto falta da leveza do tempo ameno, sereno...

Cadê a brisa? O Vento?
É novo o caminhar...
O tempo é meu olhar!

Quero a frescura dos dias chuvosos lavando a alma da gente.
Quero o sol nascendo pelas frestas da janela de minha alma...
E o cantar dos dias com respingos temperados de esperança e calor...
Quero água de beber, e saciar a sede das revelações...
E a poesia das horas mortas e os versos brancos, a registrarem o sorriso, a lágrima,
o amor do feitio mais puro que a palavra possa desenhar...
Quero continuar poetizando a vida!...


Graça Campos, 04/01/2013.
CAMPOS,  Graça. Poema. Novo Tempo.
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