segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ecos do poeta (Aos clamores do mundo)


Acrílica sobre tela Clamores /Graça Campos




Mataram o homem!
O poeta vive...
Seu coração
perpetua
no sentimento do mundo...


Arrancaram-lhe os dias, as tardes,
mas a emoção que era ninho,
encantou-se no céu estrelado da poesia...
E entre liras , um misto de sons:
Tambores do self...
Jogaram-no ao exílio, tão moço, tão velho!
A sua musicalidade ecoa além das duras penas...
Premiaram-no e puxaram-lhe o tapete.
Não houve queda alguma.


Humanista, alcançou além terra, além-mar ...
Se era triste a solidão das horas mortas,
o poeta sonhador sonhou profundo e belo
e arranjou versos de ouro na memória do povo...



Das lembranças, grotesca realidade,
um realismo preciso
como a seca e a sede dos grandes ideais,
verbo rasgado, necessidade...


A dor que o fez sangrar,
é seiva regando nova consciência.
Fora a maldade!



Partira o homem, e vive o poeta
estrelando motivo por que jorra e grita...
Na boca do estômago faminto, o oco,
do que se pode chamar “bem maior”...



A “fome” e a “sede” ao extermínio
É preciso cessar essas misérias,
deixar fluir nos versos da existência,
a poética do ser que exala a rima convivência
à flor da pele,
a lucidez do saber, findada a fome,
invertendo ao apetite transparente
do bem-querer!



Assim, o poeta-poesia
será constante prosa,
companhia
que não se cala em tempo algum
na mínima palavra mesmo muda,
o olhar, a dor,
a lágrima de tudo,
ausência ou o desejo, a presença
vencer a morte,
eternizar o amor,
e acalentar
os clamores do mundo...



Graça Campos, 25/02/2013.
CAMPOS, Graça. Poema. Clamores do Mundo.

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

SERRO de Minas Gerais

Foto Guia do Serro Minas

No alto azul do Espinhaço,
um céu de sonhos
de mil estrelas sonhar...

O primeiro nome "Ivituruí"
 na língua dos índios
 ouvi contar..

Procissões de fé rezam tradições
e as Marias dos morros,
grandes lições...

Das mãos prendadas,
panos bordados,
artistas presentes...

Do olhar da pedra,
A "Pedra Redonda",
que a tudo assiste,  
fala com Deus...

Dos ranchos, dos campanários,
aos casarios, cascatas e rios,
ruas antigas com pés -de -moleque,
treinando a gente
a trilhar a vida...

Chão fecundo, cheirando a poesia,
semeando lendas,
brotando no peito,
Respeito!

As suas histórias
são ouro em penca,
brilho de cristais
e de outras pedras...

Da gente do campo com chuva ou sol,
da alma mais simples, riqueza maior,
que compõe a mesa de doce sabor...

Das montanhas sem igual
Onde a beleza faz ninho
no cenário feminino
sábio e pleno e sensual!


A quem o conhece, esquecer, jamais!
Saudade é cais onde o sino toca,
e o coração mineiro traduz o dialeto
na imagem do tempo,
sentimento...

O Serro celeiro 
das Minas Gerais!..




Graça Campos, 23/02/2013.
CAMPOS, Graça. Poema. Serro de Minas Gerais.


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"PICO DO ITAMBÉ – UM PARAÍSO ECOLÓGICO


Foto Graça Campos Fev. 2012.


"PICO DO ITAMBÉ – UM PARAÍSO ECOLÓGICO

Santo Antônio do Itambé, montanhosa cidade mineira, ostenta em suas terras, inúmeras belezas naturais. Dentre elas, o ponto mais alto do ESPINHAÇO, o Pico do Itambé, com 2075 m de altitude, atualmente Parque Ecológico com Área de Proteção Ambiental.
Fundada por aventureiros em busca de ouro, diamantes e esmeraldas, tem sua origem em 1664. O nome ITAMBÉ é o mesmo desde a fundação. Na língua indígena, “ITA” significa pedra aguda e ´imbé’, plantas e cipós da serra. Por tradição religiosa portuguesa incluiu-se Santo Antônio no nome.
O Pico também conhecido como o FAROL dos BANDEIRANTES está entre campos, morros e serras, em meio às passagens, antigos caminhos dos garimpeiros e dos tropeiros, e riachos que correm formando belíssimas cachoeiras e praias naturais.
“Ita-imbé”, a grande pedra ou rochedo orientava e protegia aqueles que saiam de Ouro Preto a Diamantina, Serro, a Santo Antônio do Itambé...
Na língua Tupi (ita-aimbé-) significa pedra áspera pontiaguda.
A população da cidade dedica-se hoje quase totalmente à agricultura e mantém a tradição do cultivo da mandioca, que, segundo pesquisadores, era entre os índios, o alimento da dieta diária.

O ouro, a exuberância das montanhas e quedas d’água são tesouros da região. Além, existe maior riqueza, seu povo. A natureza humana, os trabalhadores da lavra, lavoura e da palavra, tão visíveis, representados em suores e poesias...
PICO DO ITAMBÉ, montanha desafiadora...




Graça Campos, 2007.
CAMPOS, Graça. Pico do Itambé. Um Paraíso Ecológico!
Ortubro de 2007.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Brilho das Horas



Belas manhãs cor de rosa! Umas um tanto chuvosas, sonolentas. Manhãs de acordar...


É a luz do dia a saudar a vida por si no mais puro ato de doação ao mundo! E, diante do espetáculo dadivoso, o caminhar...
As tardes vêm adentrando, fagueiras, brotando sementes, rebuscando os campos da imaginação bem fértil é já é primavera!

Há pouco era sol. E a paisagem em contexto natural, divino, vai se transformando. Tudo muda! São as estações entrelaçadas do hibernar, florescer, e florescer...

Há sol e brilho de todas as horas. Emudecida estou agora e grata. Posso vislumbrar a luz do dia e a luz da noite no seu silêncio misterioso. Anoiteço contando estrelas infinitas que salpicam doses de sono cintilante e que me fazem sonhar um novo dia! E amanhece outra vez!



Graça Campos, 14/02/2013. (Casa de mãe)
CAMPOS, Graça. O Brilho das Horas.

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PRIMEIRAS HISTÓRIAS





Os meses corriam...
Falávamos da criatura ao nascimento.
A lua e eu contávamos estrelas,
a céu aberto.



A lua nua e cheia, tão menina,
ainda a dormir no aconchego
macio e divinal ventre materno,
à doce espera da primeira cria
de minha cria.



Ela, futura mãe, à lua ria.
E a leve mão, sua barriga acaricia...
Gesto peculiar das grávidas, tão terno!
E, como se mexia a luazinha!
Espreguiçava e a gente entendia
a conversinha de mãe, filha e avó,
ouvir de ouvidos encantados
Só...

...

Guarda, mãezinha, teu colo, amiga minha,
e a companhia de minha avozinha
para vivermos, dias e anos a fio,
a tessitura dos jardins mais belos
formando elos, recobrindo laços,
tecendo amor!...



Ah, Luna bela, que trazes cor e alegria,
e sabes brotar a vida em flor...
Guardo o carinho que for,
para sentir teu cheiro de jasmim bem perto!
Relembro a canção a embalar tua mãe, criança.
Que também ouças para buscar teu sono!



Imaginei-te linda, és tão linda...
Nasceste pura e formosa,
maior que imaginei tua beleza!
Hoje, mesmo sem caducar, já sou caduca
porque, ser tua avó, é ter dos céus as bênçãos
e esquecer qualquer ardor que há no mundo!

Vejo-te agora, já crescente Luna,
a imitar-me o riso, a tua graça.
Encantas qual a clara luz da lua,
Doce criança, de olhar tão firme,
por todos nós, cercada de amor,
Luna, estrela, flor!



(À minha amada neta, Luna Iasmin).
Graça Campos,
CAMPOS, Graça. Poema. Primeiras Histórias...
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sobre "Dedicatória"



Eu dou a vovó este caderno com muito amor
pra ela se soltar”. Luíza A. S.

Sim, menina amada! Vou por aí, andar pelos campos, correr atrás das borboletas, deixar me levar pelo vento, anoitecer à luz de vaga-lumes... Ouvir o canto do riacho, descansar na relva, sentir a brisa e me molhar de orvalho...


Adentrar a selva da emoção e caminhar observando os sons da natureza, vou me pintar em tons violeta. De bênçãos preencher os pensamentos e dançar a dança das palavras. Entrelaçar-me nos versos da simplicidade cultivando a fragrância da rima, ou que seja do verso branco, mas, na ramagem perfumada da poesia...

Assim, ao brilho de uma estrela, sonhar um sonho pequenino do tamanho da inocência, voar leve como pluma onde a sutileza possa alcançar e conhecer inusitadas paisagens. Aventurar-me como águia destemida, ganhar territórios desconhecidos vencendo o medo do oculto, desvendar tais mistérios e sorrir perante alguma desventura...

Quero voos rasantes e sobrevoos perenes e aprender com os beija-flores a pairar como ninguém... Volitar sobre jardins na primavera, essencialmente!

Sugar doçura de flor e salpicar o mel nas paredes arredias... Sim, menina iluminada, já estou a me soltar, porque amo ser livre, ser eu mesma.

E quero ouvir tua voz a contar-me histórias, e piadas ingênuas, e rir como criança, e brincar de foguinho e de Barbye, balançar na rede, e galopar no cavalo de fogo, aquele veloz do filme de nossas tardes preguiçosas. Vamos plantar um pomar de sabores tuti fruti, subir nos galhos e colher no pé, as frutas madurinhas. Quero tua ternura, e tua meiguice e tua vivacidade a desvendar segredos, e reparti-los sem a mísera competição dos dias atuais... Quero correr descalça nos sítios mais viçosos de nossos ideais, amassar o barro, argila fria, e construir figuras benfazejas...

E, sempre que possível, repetir o ato de beber da água da bica, daquela cristalina, refresco do corpo e da alma...

Vou me soltando por aí, brincando com palavras, e, oportunamente, abastecendo meu embornal de afetos, coisas do dia-a dia que tu me ensinas a cada encontro de avó e neta!




Graça Campos, 12/02/2013.
CAMPOS, Graça. Prosa poética. Sobre "Dedicatória".


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sábado, 16 de fevereiro de 2013

AMOR E PROSA





Saudades de teu abraço, de teu afago,
e mais ainda, das horas de amor maduro,
que sabe, ouve e entende
apenas...

Saudades de teus olhos nos meus,
a espelhar o que nos vem da alma...
Saudades de nossa música predileta,
ecoando silêncio profundo...
Da grandes viagens em veleiros calmos,
buscando no vento, brinquedos tentadores...

Das breves palavras, eternas histórias acendendo rastros,
marcas de nossa lida,
tão aliada ao que se aprende todos os dias!

Do ser espontâneo, tu e eu na junção de nós! Mas, sem amarras,
sem esperar que o mundo entenda,
ou aprecie,
ou julgue...
Nosso viver é único!

Saudades de ontem, logo ali, nos anos de primeiro tudo!
Saudades das prosas curtas pela impaciência de nossos desejos.
De nossas falas baixinhas adentrando madrugada,
aprendendo o cultivo do amor!

Ainda agorinha, era hoje e já é ontem, e o tempo, parceiro e tanto, vai ajeitando os dias,
e o presente é você, sou eu, somos nós nessa ânsia da vida.
Como é gratificante esse viver e conviver mudando com a natureza assim bobamente, mas de verdade muita, de semente à flor, ao fruto, à sombra ao sol da estrada...
Tudo é viagem no tempo... Falo da saudade boa que não causa dor, apenas um momento (eu - palavras, nós engajados) compartilhando flashes que fazem diferença e alimentam a alma da gente!

Saudades! Independente do tempo em que ficamos longe ou perto...
Se na esquina, ou qualquer lugar!



Graça Campos, 13/02/2013.
CAMPOS, Graça. Prosa poética.Amor e prosa.

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domingo, 10 de fevereiro de 2013

FOLIA







No riso da folia

Máscara em cena

Os olhos falseiam a cor da emoção

Passada a euforia,

 Esguia pena

Samba o coração!...




 
Graça Campos, 10/02/2013.


FANTASIA



Fantasia...

Por trás das máscaras,

Disfarces!

Alegria, Alegria!...




Graça Campos, 10/02/2013.