sexta-feira, 29 de março de 2013

Lembranças-O Véu de Verônica




Lua clara acendendo a ânsia de meus olhos. Lembranças de uma crença onde a fé exala paixão em noite santa. Os vales e montanhas silenciam, o solo reverencia em prece muda, os céus de toda a Terra. Tudo aquieta e os rituais são ritmos sagrados, respeito, reflexão, jeito de pedir perdão. Jejum e abstinência. Criança não! Mas aprendi a quietude da hora derradeira.

Um véu aparece na teia do tempo e, remexendo a saudade, descobre-me a memória na transparência de um tecido outrora manchado, sangrando de dor... Relembro cenas comoventes de um povo fiel em procissão.

Na tradição, paragens estratégicas nas ruas testemunhas da religiosidade. E em frente à cadeia, na rua onde eu morava, os presos tinham nessa data, a permissão para assistirem a uma das cenas da Semana Santa.  A procissão do “Encontro” de Maria, Senhora das Dores, com seu filho Jesus a carregar a cruz. De longe se podia ouvir o cântico. Lamentos na voz de sofrimento de uma mulher. Jesus estava lá sem julgamentos, perdoando, perdoando...

E aquele véu se desenrolava e a voz tomada de um lirismo incrível, e comovente, ecoava cortando a noite, tocando corações a reviver uma das passagens do caminho.
Confesso que vi muitos chorarem. E me emocionava. Era misterioso por que ninguém traduzia aquelas palavras do Latim. Mas, bastou ouvi-las sem mesmo entendê-las
Bastou senti-las. Estão a ecoar por aí na alma da gente!


“O vos omnes, que transitis per viam /  Attendite et videte siest dolor similus / Sicut dolor meus”.

“Ó, vós todos que passais pelos caminhos, parai e vede se há dor semelhante à minha”.


Na via crucis do calvário, um ato de compaixão de uma mulher que fora curada pelo divino Mestre. Verônica, assim denominada, enxuga-lhe a face já desfigurada e, no seu lenço, o rosto fica gravado.

A Lua encheu-se, está completa. É quase sexta-feira! Paixão... Diante de tantas lembranças, imagino a face de Cristo a reviver em cada coração, o amor, o perdão, transformação.

É quase páscoa! Que possa renascer a vida no sentido real de ser para que a humanidade celebre exatamente, o sentido de estarmos aqui, a cada instante mais humano, mais feliz!

Que o mestre Jesus seja sempre o nosso caminho, a nossa verdade, a nossa luz!


Graça Campos, 05/04/2012.
CAMPOS, Graça. Lembranças do véu de Verônica. Imagem da web.

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sexta-feira, 22 de março de 2013

COLHEITA

 

Os olhares vislumbram um sabor místico...
Ao longe, um ideal sublime acende a mistura das cinzas das horas.
Além, imagina-se a formosura das primaveras.


À tarde descansam as mãos que mexeram a terra.
Cavaram, semearam,
plantando sustento...


A espera é luz refletida nas faces
ainda que cansadas,
iluminadas pela força das conquistas...


Mulheres apóiam os braços e mãos calejadas pela busca da vida
enquanto, na mente, o plantio fervilha
o fogo da memória...


Finda o dia, o sol declina na paisagem perseverante
que se descortina no imenso campo
da coragem dos sonhos...


Infinito canteiro de flores já exala suave fragrância de um
bem-querer consciente, desejo ardente
na colheita do tempo!


Graça Campos, 22/03/2013. CAMPOS, Graça. Poema. COLHEITA.
 
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quinta-feira, 21 de março de 2013

Bendito Outono!

 
 
 
Bendito outono, sensato e terno,
desprendimento que faz à hora , o desfolhar...
Do desapego, lição divina inovadora,
o chão é leito hospitaleiro e, com amor,
recebe as filhas que vêm beijar
no reencontro,
o beijo ao solo acolhedor!


 
Bendito outono, dos ventos brandos,
onde repousam folhas caídas
após a lida, viçosa vida, que silencia
e faz lembrar tão natural sabedoria!


 
Elas se soltam e se vão desenrolando,
como a contar histórias sem parar,
do tempo em que bailavam verdes e viçosas
Desfecho a narrativa suavizando
destino e natureza de amar...


 
Graças à brisa mansa dessas tardes,
e as manhãs risonhas de sol claro!
É dadivoso sentir chegar o outono
e ver as folhas igual borboletas
ziguezagueando...


 
Bendita estação dourada e amena,
do friozinho à noite, bem romântico,
das ruas e dos campos dentre as cenas,
uma feição de tudo mais sereno...
Ouço breve, a queda das pequenas
a entoarem em uníssono, um cântico...


 
Bendito Outono!






Graça Campos, 19/03/2013.
CAMPOS, Graça.
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quarta-feira, 13 de março de 2013

LIBERDADE DA CRIAÇÃO





Rabiscos.
Primeiros traços, ensaios que, mais tarde, revelam o artista e sua arte ao outro.
À criança que lhe mostre o seu rabisco, não tente entender...
Deixe que o tempo se encarregue em suas reticências.
A arte não se explica.
A cada um vê-se o próprio olhar.
A cada perspectiva, melhor senti-la.

Lembro-me de meus primeiros desenhos feitos com pedra-sabão em um terreirinho de cimento.

Quando chovia, riscava também o chão ainda úmido, mas já compacto,
arriscando figuras humanas e paisagens, usando qualquer galhinho seco.
Guardo com detalhes, o sabor da hora, daquela tarde, de meus quatro anos de idade
em que risquei e rabisquei montanhas e coqueiros com seus cocos madurinhos
tendo ao lado um casebre.

Tal fato marcou a minha infância, embora, nos rabiscos, não houvesse raridade alguma.
Mas, por ali passava a dona do terreirinho, que parou seus afazeres, observou a paisagem,
apreciou-a carinhosamente, permitindo-me sonhar...

Arte... Inspiração, rabiscos, buscas, saciedade, liberdade de criar!
Vida!



Graça Campos, 13/03/2013.
CAMPOS, Graça. Texto. Liberdade da criação.
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terça-feira, 12 de março de 2013

FLOR DO DIA

Foto Graça Campos-Março/2013.


Flor do dia,
miúda grandiosa violeta...
Em seu matiz,
a cor da força
é pouso de borboleta...


Leveza saudosa
Cheiro de simplicidade
Aroma ímpar!



Flor do dia, na sutileza e magia
Percebe o meu silêncio pensador
desprovido da dor...



Não por acaso,
apenas vê e silencia comigo
Imerge na minha viagem,
Formosura do dia!


Graça Campos, 12/03/2013.
CAMPOS, Graça. Poema. FLOR DO DIA.

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sábado, 9 de março de 2013

Esplendor lilás



Fragmento de texto: O prazer de ser mulher 2013.
(E a possível arte de mudar o sentimento do mundo.)
Direitos autorais em texto e imagem.

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O Prazer de ser Mulher...



O prazer de ser mulher...

E a possível arte de mudar o sentimento do mundo!

Olhar intuitivo, alma provedora.
Mil facetas, face sonhadora qual borboleta!

Hoje a roupagem translúcida  reflete a cor púrpura...
Protagonista, a mulher, vestida de rendas de histórias e lutas,no esplendor lilás!
Épocas memoriais e imemoriais registradas na história da humanidade volvem-nos à dor, ao desamor que acasula, deteriora e atrofia os seres humanos. Todos os dias são nossos! Idas e vindas...
Quero expressar a alegria colhida pelos caminhos percorridos sem esquecer os descaminhos bem validos.
Afinal, muito servem os labirintos. Movem a força feminina e soam novas conquistas.

Acredito na arte-vida em que se cria e se vivifica.
Acredito em uma causa maior para o mundo, para os homens, mulheres e crianças.

Ao trabalho vigilante à explosiva fábrica de nossos pensamentos, ainda fumegando e tecendo tamanha violência! Ao masculino e feminino, como parceiros da evolução.

O respeito às diferenças já é quase tesouro perdido na convivência à beira do caos.
Respeito é tonel de apreços e mora acima dos gêneros, sentimento que prospera autoestima.
Requer legalidade, referindo-se às ações da consideração e benquerença...
Ao avesso, é desregrado, grotesco,rispidez da alma e não é característica em si de sexos opostos.

Diante de todas as nossas conquistas, como explicar ainda em nossos dias,
tanta violência, não só contra as mulheres?
Questão sociocultural, questões de ética e mudança de valores?
Questão do egoísmo e do orgulho invadindo a desconsciência humana!...

Nós, mulheres do planeta, nossa coragem e ousadia e garra podem sim,
transformar o mundo. Que a cada dia sejam comemoradas inovadoras atuações!

Que tenhamos ânsia de dissipar o tempo das discórdias, da competição,
possíveis condições de se viver em paz! Que a sensibilidade da alma feminina,
abrande os ventos e mares bravios e plante amor no coração do mundo!
Feliz dia internacional das mulheres guerreiras!





Graça Campos, 04/03/2013.
CAMPOS, Graça.Texto poético. O Prazer de ser mulher...
(E a possível arte de mudar o sentimenrto do mundo.)

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terça-feira, 5 de março de 2013

DOCE ESPERA AZUL





Na imagem azul, a ternura à espera
Na moldura que emana o alicerce da vida
A postura do corpo e da alma, encanto...


Um olhar de estrela que tanto reluz
Há segredo ao calor do afago das mãos
Ao sentir se mover o menino...


Há no peito, o pulsar o maior dos amores
Como sol adentrando a contagem das horas
Em que a fase, oh, mulher, o primor dos primores...


Tua voz de veludo o ninar cantarolas
Docemente aguardando teu filho querido
O mistério, esplendor que é plano divino!


Graça Campos
CAMPOS, Graça. Poema dedicado a minha filhaLuciana e meu neto João. Março/2013.

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“EM MULHER NÃO SE BATE NEM COM UMA FLOR”...



Frase antiga que devia entrar para a moda em grande estilo e se tornar um “Clássico”...

“EM MULHER NÃO SE BATE NEM COM UMA FLOR”...

Violência ZERO! Para todos!
Lembro-me hoje, da saudosa D. Laura, outra quase mãe, vizinha amorosa e muito querida por todos. Eu passava parte do dia em sua casa na companhia adorável de suas filhas, já que até então, eu era a única menina mulher , os mais três irmãos todos meninos... Éramos vizinhos de frente.
Aquela mulher maravilhosa também marcou divinamente minha infância. As mães, em geral, podiam observar por horas as brincadeiras inocentes da meninada. E, quando algum menino se atrevia a bater, ela dizia:  “Em mulher não se bate nem com uma flor”

Obrigada, D. Laura, por tantos exemplos dignos guardados para sempre!

Graça Campos, 05/03/2013.
CAMPOS, Graça. Texto. “Em Mulher não se bate nem com uma flor”.

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