sexta-feira, 21 de março de 2014

DESTINO




Um sobreiro secular
Fora um dia, árvore pequenina
Assim como também fui um menino
Deslizando meus sonhos
Em barquinhos de papel

Inda criança
Tecendo fio da vida,
Embalei a esperança
Construí para minha lida
Uma leve embarcação

Meu destino:

Um sobreiro
Um fio, um rio
Um lamento:
Gemido gelado...

O’, sobreiro de meus sonhos partidos
Dos remos quebrados,
Nos braços das águas perdido...
Não percebeste o mover-se veloz, a correnteza
Junto à fúria do vento, gelados gemidos,
Descompassadas batidas do meu peito?

A moira já desperta e se levanta
Prepara-nos o sustento matinal
Já aquecida a lareira se encontra
Não lhe falta a coragem da espera
Mas não se ouve o pisar nas folhas secas

A aldeia dorme...
Nem um mísero sinal de meu retorno
Cá estou mergulhado no mais profundo sono
Onde as águas revoltas dissolveram
Um por um dos meus sonhos...



Graça Campos, 27/09/2010.
CAMPOS, Graça. Poema. DESTINO.
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