quinta-feira, 27 de março de 2014

GRITO... Lúcida Loucura




De repente, era puro riso,
correria, ia...

Clamava a passageira pela via
e, o tempo...

Cadê o sol?  Cadê a Lua? Nenhuma estrela havia.

Trancou o riso, “chorou os olhos”, nem lágrima vertia.
Silenciou-se, e pode ouvir um som “longínquo”,
que vem de dentro, tão perto,
um coração quase desfeito.

Roubaram-lhe a garganta
e, pálida de vez, sem cor a tez,
avista um oceano de sentidos,
pardos deslizes, atmosfera plúmbea,
sem melodia alguma,
a incomodar a corda ao equilibrista...

Não há plateia
o silenciar profundo
criou verso insano à revelia
teimando o querer mais cristalino
repaginada poesia que guardou segredo,
tamanha dor...

De repente,
um frouxo riso, desafinado,
se compõe no vento
e o ventre fértil lavra
a
palavra,
desafiando a lúcida loucura de viver vedada ao mundo,
recompõe a voz
e se faz grito...




Graça Campos 27/03/2014

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