domingo, 27 de julho de 2014

BRANCOS VERSOS BRANDOS




Brancos versos brandos escrevem poesia molhada.
Vai-se a fuligem do tempo seco!
Nas vidraças, respingos aquecem lembranças ainda encobertas
O ar frio convida ao agasalho que vai desfazendo as brumas
A memória desdobra o barquinho de papel que, à janela,
aguardou, ansioso, a enxurrada no meio da infância...
O regador pode dormir e sonhar no seu canto quieto
Na manhã chuvosa, um brilho diferente abre o sorriso das flores...
Elas estão vestidas de chuva!
Reviro o armário e encontro o abraço camuflado no casaco desbotado.
Busco na paisagem de névoa
A brancura onde a luz é o reverso da frieza
e reescrevo a saudade nas  paredes que me ouvem e secam
a chuva de meus olhos...               

Graça Campos, 27/07/2014.
CAMPOS, Graça. Poema. BRANCOS VERSOS BRANDOS.



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