quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Paisagem Inesquecível


Paisagem Inesquecível
Recanto Dourado

No Recanto Dourado uma geração de sorte saboreou um tempo de doçura e fé. Ali viram e ouviram as rezas da natureza.  As águas calmas continuam o caminho em procissão ao mar azul. Na paisagem as luzes permanecem acesas em minha memória, saudade faz ninho e chora cantando como o riacho que levou tantos barquinhos.  
Bolinhos de chuva são degustados no paladar do pensamento. Cheiro bom de canela e açúcar. Sopro as bordas da porcelana para provar do chá que fumega. É incrível a sensação que vem em ondas arremessando a visão sonhadora  que chega a respirar o alecrim do campo...
Aos comandos do cérebro e à voz ritmada do lado esquerdo do peito.  
Ainda guardo o casaco de lã que aquecia meu corpo na viagem à Mansão dos Encantos. Foi assim batizada porque, na verdade, a estrutura que nos abrigava não poderia ter outro nome. O que fazer se o construtor daquela casa pegou com amor madeira por madeira e abençoou a quem nela entrasse?
Aos filhos e netos, herdeiros de imensuráveis recordações, lições e histórias onde reis e rainhas e súditos eram iguais? Do calor do abraço de todas as manhãs e tarde e noites, ao sair e chegar?
Ao banquete servido do alimento provido à mesa, dos finos pratos ao mais simples chá das ervas frescas com torradas salpicadas do tempero principal?
Às vezes me pego fazendo as malas para espiar por cima dos muros e me deparo com os cercados nos arredores do pomar do esconde-esconde...
As marcas das quedas na cascata não deixaram cicatrizes. São apenas sinais vívidos que dão sede das horas em que o riso, a palavra o gesto eram envoltos de serenidade...
Amplia-me a paisagem do riso e lágrima mesclados aos caramelos de nossa matriarca.
Lembranças presentes, herança na estante que ali, ao pé da escada, se achava ao alcance dos pequenos leitores. As luzes ainda permanecem acesas na memória dos mais belos títulos e personagens fantásticos que criavam formas inusitadas na imaginação. Lembro a canção de todas as noites em que dormíamos com leveza de anjos.
As histórias que ouvíamos não as encontrei  em livros. São raro acervo da vida em que o místico enlaça aos mitos e saem rompendo rochedos do caminho. E, ao final de cada conto, ofegávamos e suspirávamos de admiração.  
Em terras longínquas onde pisaram os pés de moleques, plantou-se uma infância feliz. Além, correm águas que um dia ensinaram cantigas de ninar...
E o bando de andorinhas  voou, quem sabe, em algum lugar se encontrem e juntos à mesa vão se lambuzar de doces e bolinhos de chuva da grande mãe!


Maria das Graças Araújo Campos.  23/09/2014. MG/ Brasil.

Obra: Paisagem dos Estados Unidos
Autor:Thomas Kinkade
Estilo: Impressionista Fonte Google.
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