segunda-feira, 15 de setembro de 2014

PERDIDO NO ASILO DA MEMÓRIA




Naquele lugar sombrio, eu sonhava ver o sol.
Lá fora teria calor...

Seria um sonho incerto me pondo medo?
Pior!
Era verdade a desvendar segredo.

Como cão sem dono me sentia
Perdido no asilo da memória
Lembranças mil de datas de história,
Sala repleta de vida!


Eram pequenos os meus meninos,
E eu me via forte, cercado de mimos
Quanto ao sustento de tudo,
Ah, provia!
E ria, e ria...
Das maluquices da família!

Tudo é tão longe! O deserto, as nuvens...
Dói-me o gelo, solidão da alma,
Qual a flor murcha sem viço!

Um rio frio escorre em minha face enrugada
A exalar tristeza de meus dias
E noites intensas sem estrelas!

Ah, os medos do escuro...

Não fora um sonhar apenas!
Emudecido, em fase de lua,
Fiquei minguante, quase pedinte!
Não mais caminho nem a passos lentos,
Ambulante, visito em pensamentos
O lar que fora, um dia, o meu céu...

 Entre um suspiro e outro eu imploro:
Consolem os seus velhos, os guerreiros
Que se tornaram criaturas mais carentes!
Joguem conversa fora,
Ou sirvam chá feito de amor...
Agora!
Consolem os idosos com beijos e abraços fortes,
Que o fio da vida está partindo...
E, junto, meu olhar se perde tempo afora!
É hora!



Maria das Graças Araújo campos
CAMPOS, Graça. Poema. PERDIDO NO ASILO DA MEMÓRIA. 30/08/2014
Santo Antônio do Itambé, MG/ BRASIL
http://silviamota.ning.com/group/humanismo/forum/topics/perdido-no-asilo-da-mem-ria


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