quarta-feira, 30 de julho de 2014

PAZ! EU QUERO A PAZ...



Paz! Eu quero a Paz...
Para vencer os medos de minha alma aflita
Com os destemperos que as mãos provocam
E causam tantas lágrimas de dor...
Em mim há sede  de ternura e calma
E minhas preces brotam como água da fonte
A escorrer para juntar ao mar gigante...
E chora e canta o mantra, com sua força,
Implora ao mundo nova aurora!



Bendita paz!
Que venha logo acalentar o peito
de quem se encontra ora ao relento  
Na solidão da vida,  a viver sedento...
Que os céus se pintem só de azul e branco
Sem os trovões, perversos pensamentos
E possa o homem transformar as armas
Em braços firmes e abraços fortes!



E salve a paz, e vença a paciência,
E abram os olhos da benevolência!
Que possa renascer a alegria ,
No coração humano,  a doçura,
E haveremos de andar ao vento sem receio,
Tendo aliado, o RESPEITO,
Dourada chave da paz universal!




Graça Campos, Poema. PAZ! Eu quero a Paz...
Maria das Graças Araújo Campos, Belo Horizonte/MG-BRASIL.
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domingo, 27 de julho de 2014

BRANCOS VERSOS BRANDOS




Brancos versos brandos escrevem poesia molhada.
Vai-se a fuligem do tempo seco!
Nas vidraças, respingos aquecem lembranças ainda encobertas
O ar frio convida ao agasalho que vai desfazendo as brumas
A memória desdobra o barquinho de papel que, à janela,
aguardou, ansioso, a enxurrada no meio da infância...
O regador pode dormir e sonhar no seu canto quieto
Na manhã chuvosa, um brilho diferente abre o sorriso das flores...
Elas estão vestidas de chuva!
Reviro o armário e encontro o abraço camuflado no casaco desbotado.
Busco na paisagem de névoa
A brancura onde a luz é o reverso da frieza
e reescrevo a saudade nas  paredes que me ouvem e secam
a chuva de meus olhos...               

Graça Campos, 27/07/2014.
CAMPOS, Graça. Poema. BRANCOS VERSOS BRANDOS.



quinta-feira, 3 de julho de 2014

O SILÊNCIO DO SAPATEIRO



Havia um tempo onde os dias e noites são lembrados como contos mágicos. Onde as manhãs brancas se confundiam com as primeiras fumaças das chaminés e a neblina encobria além dos montes, os nossos telhados, mas jamais atingira os nossos desejos e  sonhos dourados...
Era um tempo de uma cidade brotando minúsculos passos e escolhiam-se as pisadas em cada pedra calcada...  Ah, duras pedras, mas doces e saudosos pés de moleque.
Era uma rua sortida de risos, pouco siso. Quanto dente de leite...
Casas grandes com varandas, outras não, janelas venezianas, portões pesados, chaves de ferro, casas de estilos, antigas, antigas...   Moradores prendados, lado a lado formando uma família só. Pequenos trapalhões, combinando peraltices... Eram ricos detalhes assim como brilhantes...
Eram manhãs que se coloriram de alegria no viver mais belo e puro de uma era criança.
Eram tardes de sol trincando e escorrendo o viver. E os quintais povoados de sabor, fruta no pé. Eram noites de lua contando estrelas sem poder apontá-las, porque ninguém queria ter verrugas... E as histórias, e as lendas?  Um silêncio tão mudo, um tremor se sentia, e arrojava, meu Deus, tamanha fantasia... Personagens conseguiam se achegar e o suor descia.
Oh, contos inesquecíveis!  Oh, contadores também inesquecíveis! Quanta riqueza!
Hoje, ainda ouço os sons de minha rua. Arrepia-me a emoção que me causa breve suspense!
Um temor vindo da alma arrebata-me. Reconheço cautelosa os sons profícuos que martelam em meus ouvidos. Sonoridade  que encontro na memória musicista, porque o que ouço é cantiga, é gorjeio, algazarra das andorinhas, além dos sinos da capela...
Vejo ali, logo ali, manhãzinha, ainda um vento frio, uma simples janela se abrindo, uma só, a que dá para a rua, e após, a porta de madeira maciça que range avisando: A casa está aberta.
O senhor de porte alto, usa camisas azuis, calças em tom marrom e o infalível suspensório. Calça botas. Um dia pretas e em outro, marrons. Martela, martela, martela... E os pregos se vão encontrando os ajustes nos sapatos do povo.
Ele era sério, muito introvertido, compenetrado, mas cantava! Cantava um mantra que nunca pude entender uma só palavra, mas entendi a melodia que suavizava as batidas do martelo.

Quem conheceu o senhor que viveu muitos anos na rua de minha infância, conheceu o silêncio das batidas do martelo do saudoso vizinho, o senhor José Martins!


Graça Campos, 03/07/2014. 16:00


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