terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tradição Espanhola



No meu sangue cigano
A tradição comemora a alegria que corre nas veias, em dia de festa!
Lembranças...

E o corpo que baila e abana o leque,
Avista a fogueira, e transpira a magia do fogo sagrado.
Respira e se inspira ao som dos acordes...

A música reina!

De corpo e de alma
Incorporo a espanhola
E louvo a dança
Dos meus pensamentos...

E abrindo instrumento
Que pode e cura
Nas frestas do leque
Eu sou toda lua...

Transbordo desejos,
Festejo!
Reescrevo e bendigo as folhas bordadas
Da feminina determinação.
Coragem!...

E me entrego nos passos, em novos compassos.
Aquela que fui, e essa que sou...
E canto o amor
Ainda que seja em Romanês...

Eu canto o amor e celebro a vida
Outra vez!
Assim seja!



Maria das Graças Araújo Campos
Graça Campos. Tradição Espanhola.


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Salve, salve, a beleza das orquídeas!




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CIGANA



Beleza mística indiana
Recato e sedução se jogam
No mover de suas vestes coloridas


Segredos de viver
Feitiço no olhar
Estilo de reinar


Cigana é rainha,
Pede a mão e lê as linhas
Adivinha!
Traduz, insiste,
Fala de sorte, amor e morte!
Persiste e seduz de pés descalços


Brincos que argolam
Cuidados que traduzem
A doce essência...


Sua fragrância é tradição
A cigana dançarina seduz!
Virgem, reluz...


A cigana é terna,
feliz!...



Graça Campos, 2010. Poema. CIGANA


Cenas de Primavera!




Veiculando



O cara encheu o copo
Virou a “MANIA”
O bafo embebedou o sinal vermelho
Passou a ser, por ordem do INCONSEQUENTE,
O combustível humano

Atropelou

Matou?

Morreu mais um...



Graça Campos /

CAMPOS, Graça. Poema. VEICULANDO.
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domingo, 28 de setembro de 2014

Uma Lágrima




Uma lágrima cristal camaleão
Toma o tom da face
Que oferece a cor do alento
Uma só que surge no canto dos olhos
Como conta-gotas
Cantarolando um enredo
Pérola não meramente jogada
Simplesmente desliza
E desenrola muito mais que apenas emoção...
Lágrima, lágrima
Cristal furta-cor
Não é de sangue, nem dor
Nem de uma coisa qualquer...

É lágrima Oceano
Escudo
Do próprio AMOR! 


Graça Campos






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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Paisagem Inesquecível


Paisagem Inesquecível
Recanto Dourado

No Recanto Dourado uma geração de sorte saboreou um tempo de doçura e fé. Ali viram e ouviram as rezas da natureza.  As águas calmas continuam o caminho em procissão ao mar azul. Na paisagem as luzes permanecem acesas em minha memória, saudade faz ninho e chora cantando como o riacho que levou tantos barquinhos.  
Bolinhos de chuva são degustados no paladar do pensamento. Cheiro bom de canela e açúcar. Sopro as bordas da porcelana para provar do chá que fumega. É incrível a sensação que vem em ondas arremessando a visão sonhadora  que chega a respirar o alecrim do campo...
Aos comandos do cérebro e à voz ritmada do lado esquerdo do peito.  
Ainda guardo o casaco de lã que aquecia meu corpo na viagem à Mansão dos Encantos. Foi assim batizada porque, na verdade, a estrutura que nos abrigava não poderia ter outro nome. O que fazer se o construtor daquela casa pegou com amor madeira por madeira e abençoou a quem nela entrasse?
Aos filhos e netos, herdeiros de imensuráveis recordações, lições e histórias onde reis e rainhas e súditos eram iguais? Do calor do abraço de todas as manhãs e tarde e noites, ao sair e chegar?
Ao banquete servido do alimento provido à mesa, dos finos pratos ao mais simples chá das ervas frescas com torradas salpicadas do tempero principal?
Às vezes me pego fazendo as malas para espiar por cima dos muros e me deparo com os cercados nos arredores do pomar do esconde-esconde...
As marcas das quedas na cascata não deixaram cicatrizes. São apenas sinais vívidos que dão sede das horas em que o riso, a palavra o gesto eram envoltos de serenidade...
Amplia-me a paisagem do riso e lágrima mesclados aos caramelos de nossa matriarca.
Lembranças presentes, herança na estante que ali, ao pé da escada, se achava ao alcance dos pequenos leitores. As luzes ainda permanecem acesas na memória dos mais belos títulos e personagens fantásticos que criavam formas inusitadas na imaginação. Lembro a canção de todas as noites em que dormíamos com leveza de anjos.
As histórias que ouvíamos não as encontrei  em livros. São raro acervo da vida em que o místico enlaça aos mitos e saem rompendo rochedos do caminho. E, ao final de cada conto, ofegávamos e suspirávamos de admiração.  
Em terras longínquas onde pisaram os pés de moleques, plantou-se uma infância feliz. Além, correm águas que um dia ensinaram cantigas de ninar...
E o bando de andorinhas  voou, quem sabe, em algum lugar se encontrem e juntos à mesa vão se lambuzar de doces e bolinhos de chuva da grande mãe!


Maria das Graças Araújo Campos.  23/09/2014. MG/ Brasil.

Obra: Paisagem dos Estados Unidos
Autor:Thomas Kinkade
Estilo: Impressionista Fonte Google.
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terça-feira, 23 de setembro de 2014

O Vovô virou poeta!






















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Valsa das Flores






Em instantes haverá festa no grande salão nobre. Movimentam-se as personagens destaques da mais bela estação. Já se percebe o brilho das próximas horas, e dá gosto observar extenso e aveludado tapete verde claro, mesclado de luz. Haverá festa de cheiro e cor. Românticos olhares que, certamente, vão rodopiar de emoção. Eis o cenário da estação onde a vida convida a bailar.
O ar inspira esplendor. Poetas flutuam em fragrâncias líricas. Tudo conspira ao som da sinfonia em que a musicalidade é sabor de mel e beija-flor. Os beijos estão em alta. Os afagos se superam. Vento afinado sopra notas encantadas. E o tempo é chuva de celebração. 
Respira-se olor de terra orvalhada e, em gotas cristalinas, ouvem-se os passos mágicos da força natural da deusa. Flora vem anunciar o novo ao som da orquestra requintada das mais finas melodias, entre luzes, movimentos e cores.  Sabiás e o rouxinol vizinho entoam mavioso canto. Vêm vindo faceiras borboletas.
O vento está apaixonado. Um sonhador!  Quando vê flor, toca suave e cochicha recados entre as pétalas. Tudo é harmonioso no imenso palco  iluminado. Os portões já se abriram para dar passagem às divinas damas e cavalheiros que se acham nos retoques finais para se apresentarem. São os sagrados seres primaveris que renascem tingindo a vida de mágico multicolorido.
Trajes a rigor, vestidos em tecidos bordados, sedosos, rendados em tons inusitados adentram o salão e a música convida... Já estão valsando as rosas rubras de amor, violetas saudosas, alegres margaridas, elegantes tulipas assim como as singelas marias-sem- vergonha de serem felizes...
Como estão belos os galantes lírios e o majestoso ciclame ciumento ao ver a amada reparar na dança do girassol... Gérberas e mais damas com seus belíssimos brincos -de- princesa deslizam suave, ao centro das atenções. Valsam as flores mimosas do campo com seus caules dourados dobrando e sorrindo a quem quer que seja...
Um santuário! Flores expandindo doçura que chega aos céus...
E se beijam e se abraçam radiantes as personagens relevantes. Em intervalos, jasmins conversam e enviam recados à lua cheia (das meninas formosas). Dengosas, amores- perfeitos de cabelos feitos, vão ao toilette e ajeitam no colo, os colares de sépalas. Enfim, é hora de valsar sem demora até outra vez florescer a aurora. E assim todos os sonhos ficam grávidos e as quimeras se abrem à valsa de mil pétalas!

Bem próximo, suspiram apaixonados, enamorados entre alfazemas. Dessa vez, valsam os amores. É a primavera a pulsar exuberante aos olhos de todos. Que manjar! Deusa Flora a reinar!
Salve, salve o bailar! Bem-vinda, Primavera!

Maria das Graças Araújo Campos
VALSA DAS FLORES. 22/09/2014. MG/ Brasil.
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

sábado, 20 de setembro de 2014

Especial para uma flor: IASMIN










 Linda flor de setembro, feliz aniversário! 
Vovó Graça Com o maior amor do mundo!
Beijos


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

AUTORRETRATO


Antologia Imagem e Literatura  
Autorretrato






Ao olhar que se perde e se ganha nas buscas
Falem autos e os altos instantes
Onde a arte libera a risada
Ou o grito
Não se cale!
Das frações de uma vida em mosaicos,
Vejo o novo mover a coragem.
Produção da nudez!  
Folhas verdes vertendo surpresa,
Entre luzes e trevas me vestem!
Sal e mel retrato fiel,
A imagem da imagem atravessa os poros e se mostra a céu!
E em meus véus um esboço abstrato dos olhos
Entretendo respostas opacas das perdas e dores malditas
Sangrando lembranças...
Luz e sombra!
O reflexo penteia um por um da cabeça os fios
Da reflexão
Porque esses dançaram, dançaram e se emaranharam
Até virar tranças de meus pensamentos...
Ai, perdidos suspiros, ferida a vaidade, me basta!
Fase crua da vida em frescor tinta viva é o grito.
 Não há tempo a perder! 
Muitas faces, desejos e força, acredito:  
Quero nova estação onde o sol, luz e cor se entrelacem
Na folhagem que cobre de forças meu ser mulher!  
Sou do jeito que sou, até quando amanheço...
MARIA DAS GRAÇAS ARAÚJO CAMPOS 
Graça Campos. POEMA. AUTORRETRATO.12/09/2014.  MG.BRASIL


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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

PERDIDO NO ASILO DA MEMÓRIA




Naquele lugar sombrio, eu sonhava ver o sol.
Lá fora teria calor...

Seria um sonho incerto me pondo medo?
Pior!
Era verdade a desvendar segredo.

Como cão sem dono me sentia
Perdido no asilo da memória
Lembranças mil de datas de história,
Sala repleta de vida!


Eram pequenos os meus meninos,
E eu me via forte, cercado de mimos
Quanto ao sustento de tudo,
Ah, provia!
E ria, e ria...
Das maluquices da família!

Tudo é tão longe! O deserto, as nuvens...
Dói-me o gelo, solidão da alma,
Qual a flor murcha sem viço!

Um rio frio escorre em minha face enrugada
A exalar tristeza de meus dias
E noites intensas sem estrelas!

Ah, os medos do escuro...

Não fora um sonhar apenas!
Emudecido, em fase de lua,
Fiquei minguante, quase pedinte!
Não mais caminho nem a passos lentos,
Ambulante, visito em pensamentos
O lar que fora, um dia, o meu céu...

 Entre um suspiro e outro eu imploro:
Consolem os seus velhos, os guerreiros
Que se tornaram criaturas mais carentes!
Joguem conversa fora,
Ou sirvam chá feito de amor...
Agora!
Consolem os idosos com beijos e abraços fortes,
Que o fio da vida está partindo...
E, junto, meu olhar se perde tempo afora!
É hora!



Maria das Graças Araújo campos
CAMPOS, Graça. Poema. PERDIDO NO ASILO DA MEMÓRIA. 30/08/2014
Santo Antônio do Itambé, MG/ BRASIL
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sábado, 13 de setembro de 2014

DEVANEIOS






Olhos cerrados!  O olhar que vê além do olhar,
Desejo,  coragem , ação da imagem?
Os meus “sentidos” que roubados foram
Levantam asas a devanear...

 Era como se algo me dissesse levemente:
 “Veja! Além dos traços, nuvens descobertas.
E, no plano de fundo, um mar de cheiros
Volteios de alma a confessar  segredos...

Adentro a tela azul, do azul cerúleo.
Criaturas, arranjos reluzentes,
Os invisíveis seres que volitam
Ao som das harpas, liras felicitam.
Mais alguns deles alcançando voos
Em sobrevoos, as estrelas tantas...
Posto ali, o altar de essência mística.
Montanhas cor de rosa a dançarem,
Vou me arriscando a deslizar as mãos
Nas cabeleiras leves prateadas
Dos arvoredos que balançam alternados
Ao sopro  breve da brisa vital...
  
SUSPIRO!

Bebo da fonte onde uma ninfa bela
Transforma as gotas em sonhos que adormecem
E, encantada, nem sei se adormeço.
Emaranhado self...
Perdida na profundidade da existência,
Nem sei se existo!
Não tenho frio, nem calor,
Sou peso leve qual um beija flor
Humanamente nua, vestida a fantasia,
Sou aquele desejo real dos devaneios!

A tela está em branco...
No desdobrar em sono, em que acordada sonho,
 Onde fui, levei o sossego do mundo...
Esfrego os olhos, esboço um riso
É hora de criar!
Graça campos, 01/09/2014
Maria das graças Araújo Campos. Poema. DEVANEIOS.
Santo Antônio do Itambé, MG Brasil.
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