quarta-feira, 25 de março de 2015

ECOS DO POETA (Aos Clamores do Mundo)



Mataram o homem!
O poeta vive...
Seu coração
perpetua
no sentimento do mundo...
Arrancaram-lhe os dias, as tardes,
mas a emoção que era ninho,
encantou-se no céu estrelado da poesia...
E entre liras , um misto de sons:
Tambores do self...
 
Jogaram-no ao exílio, tão moço, tão velho!
A sua musicalidade ecoa além das duras penas...
Premiaram-no e puxaram-lhe o tapete.
Não houve queda alguma.
Humanista, alcançou além terra, além-mar ...
Se era triste a solidão das horas mortas,
o poeta sonhador sonhou profundo e belo
e arranjou versos de ouro na memória do povo...
Das lembranças, grotesca realidade,
um realismo preciso
como a seca e a sede dos grandes ideais,
verbo rasgado, necessidade...
A dor que o fez sangrar,
é seiva regando nova consciência.
Fora a maldade!
Partira o homem, e vive o poeta
estrelando motivo por que jorra e grita...
Na boca do estômago faminto,
o oco,
do que se pode chamar “bem maior”
A “fome” e a “sede” ao extermínio...
É preciso cessar essas misérias,
deixar fluir nos versos da existência,
a poética do ser que exala a rima convivência
à flor da pele,
a lucidez do saber, findada a fome,
invertendo ao apetite transparente
do bem-querer!
Assim, o poeta-poesia
será constante prosa,
companhia
que não se cala em tempo algum
na mínima palavra mesmo muda,
o olhar, a dor,
a lágrima de tudo,
ausência ou o desejo, a presença
vencer a morte,
eternizar o amor,
e acalentar
os clamores do mundo...


Lincença Criative Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-No Derivative Works 3....
Maria das Graças Araújo Campos
Graça Campos
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