quarta-feira, 8 de abril de 2015

SURPRESAS DO DESTINO





Ciganos! Afinidades e admiração! Desde a infância, vi muitos deles chegando em caravanas que passaram por terras onde convivi com a  hospitalidade  e o respeito sem exceção. Detalhes que guardo  com apreço na memória.
Caminhando pelas ruas  da cidade, as ciganas atraiam os olhares de todos naturalmente pela beleza e mistério em suas faces. Eu queria muito também usar aquelas roupas tão características e especiais. Lindos colares, brincos, lenços, cabelos longos belíssimos, e as saias que  jamais foram esquecidas, as mais fartas e rodadas, em tecidos coloridos vivos, compondo as silhuetas femininas.
Não entendia  a língua que falavam, mas respondia como se estivesse tudo bem. Havia, decerto, a comunicação pelo olhar e transparência da linguagem universal. O sotaque comovia a mim e a outras meninas e senhoras nas ruas por onde andavam.Tachos de cobre eram vendidos pelos ciganos, mas essa parte ficava por conta de minha mãe que logo os adquiria para fazer doces de leite e pés de moleque. Mulheres disputavam a vez da leitura das mãos. Surpresas, boa sorte, má sorte, algumas previsões encabulavam, outras alegravam, e assim se transformavam os semblantes das moças e senhoras do destino. Impressionante! Costumes, tradições, ideais, mistérios, crenças, rituais envolvem  os ciganos, assim como o culto à natureza, o cultivo da alegria, a religiosidade, a fé e a gratidão por Santa Clara, a protetora do povo cigano. Os astros, a música a dança, os símbolos, as cartas, o baralho, previsões  ao futuro e a liberdade para as escolhas.
Reza a tradição que somente as mulheres podem ler as cartas por terem extrema ligação com a Lua, que representa o “oculto”. O feminino tem o dom de sentir e pressentir, para interpretar.
Não por acaso, em pleno outono atual uma conexão iluminada levou-me ao oráculo! 
Em ambiente simples, inundado de energia reluzente! Perfumado, decorado com flores, incenso,  algumas frutas e a representação dos quatro elementos. Fogo, a água, terra e ar.





E a cigana Zaira, “flor que floresce” vem traduzir e ler intuída, a sorte, o caminho, o Sol, a energia positiva, a força de Deus, a Lua e meus medos, a carta do buquê salvando-me da astúcia e falsidade.  A cruz, os obstáculos, a lei.  De causa e efeito, interpretadas fielmente, banindo as tristezas corriqueiras de minha alma...
Enfim, sorrindo a abraçar-me, trocamos afetos, irmãs ciganas que se encontram nas cartas do baralho do destino!



Maria das Graças Araújo Campos. MG/ Brasil.


Graça Campos, 07/04/2015.
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