segunda-feira, 6 de abril de 2015

Vivências - Alma Cigana (Sou de mim, eternas lembranças)




Baila, alma cigana,
entre cantigas  que embalam  os dias e as noites
de descobertas e véus, oh, céus.
Baila, alma aspirante
Sob notas do vento zéfiro, emoção à flor da pele...
Bailam saudades do cheiro e suor de estrada, abarca-me o choro o chão.
Dos  instrumentos  afinados que tocam, uma por uma ,
todas as cordas, paixão, pulsar de meu coração...

Oh, Pátria, piso de meus pés, sustentáculos de buscas infindas de meu ser aventureiro, conduzindo-me a intuição, onde haja espaços das vivências.
Vindas oportunas, memórias afáveis e fortes  do encanto das horas vividas.
Estalo de castanholas que acendem sorrisos.
Tudo é bailado de cores e ritmos, vibrações de um povo que cultiva a  paz
e não suporta a indiferença...
Recordar os sons que não se perdem, alcançar ouvidos estelares que correspondem à linguagem dos clarões  tenazes, das sendas em tendas ...
Em derredor, arvoredos no compasso do vento embarcam em veio astral, acenando para a liberdade sonhada...
Oh, longas e fartas saias que rodopiam levantando os suspiros na  dança dos pensamentos.
Assim, minha alma se veste e festeja o dançar.
Entre os babados, bordados contam as cenas das noites de pura cor e sonhos de amor.
O viver é sonhador e sai a bailar porque torna impossível não se mover diante dos ouvidos musicados, sopros que convidam ao júbilo na grande  coragem de deixar as tristezas, e enfrentar qualquer estrada sem medo das buscas do “EU” feliz!
Todo esse som em movimento é canto vital, e minha alma respira dança. Escapam os sons  que colhem desejos e se acasalam na musicalidade do bandolim ou de um violão.
Abro os braços, minhas mãos se erguem e atiçam castanholas tão intimas, tão presentes em minha memória!
Alma cigana, enamorada da vida, e da  liberdade, inquieta, quase borboleta!
Para meus passos, fronteira em terra alguma. Sou de mim, eternas lembranças originais que enriquecem minha história de agora...
Sou de mim, a ternura e destreza com que tocam as mãos ciganas o baralho onde as cartas e os olhos que veem nos sóbrios contornos, algo luminoso traduzindo a beleza dos astros que falam por nós, esperança das estrelas que assistem e auscultam o ritmo sagrado das palmas e o ressoar dos mantras...
E a voz cigana se cala diante desse esplendor em pleno festejo que é dançar, dançar, e expandir as alegrias...






Maria das Graças Araújo Campos.Vivências  - Alma Cigana (Sou de mim, eternas lembranças)
Graça Campos, 06/04/2015.
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