segunda-feira, 22 de junho de 2015

A MOÇA DA JANELA


Olhar sonhador à rua calma, vazia
Torna-se inquieta e cheia
Mundo real e fantasia
Debruça seus braços,
Vê um mundo
De sonhos dourados
A moça da janela de madeira maciça
Tão forte e tão ampla
Quanto os pensamentos viajores
Que se vão ao longe...
A janela da moça assiste às buscas da alma
Dos olhos esverdeados,
Estrelas de esperança
Ali desfila universo de desejos
Anseios de menina - mulher
Contando as horas,
Esperas transformadas
Futuros e eternos amores...
O hoje amanhecido orvalhado
Brilhante derretido pelo sol
Registra a passarela centenária
Sustento dos passos cautelosos
Na postura sensata de seu caminhar
A janela da moça
A moça da janela
Quimera!
Contou pedra por pedra
Os desiguais pés-de-moleque
Em suas sendas
Fortaleceu a construção de sua sina
Ensaiou as primeiras primaveras
E coloriu de azul o amor
Em voo livre de ser além do tempo
À ternura do olhar colhe estrelas
Até aquietar-se a colher flores
Em paisagens ousadas
Imaginário incontido das noites
De um céu feérico de luar
De serenas madrugadas
Encantos em serenatas
Áureas e frescas manhãs
Em clara face aveludada
Da flor mais bela
E mais amada
A moça da janela!...
(A seu lado, a conselheira D. Esperança contendo as emoções da vida!)
Maria das Graças Araújo Campos
CAMPOS, Graça. Poema. A moça da janela.
Poema dedicado a minha mãe, linda e amada! Dos Anos 50.



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