quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Além do Tempo - A Soma dos Olhares



Além das eras perdidas por tantos universos, lá está  o tempo, dizem ser: “O senhor de tudo”. Ora invisível ou apagado, ora nítido e forte em relevantes contornos e valiosos momentos.  Audacioso, ousado, ferrenho, imperdoável, imperdível,  repleto de  detalhes em presenças e lembranças, ausências,  referências entre o real, imaginário e virtual.
Bem lá no fundo do baú um sentimento, um cheiro de agora faz-me rever o “possível” na memória que, minuciosa,  traz o tempo.
Além, o ontem, o hoje, e o amanhã reforçam  linhas onde o oculto se torna transparente nas rugas da face, das mãos e do colo, dos fatos, das coisas, dos pertences, das histórias.
Outras faces, milhares de faces e o tempo vestido a caráter se apresenta e passa! Vai! Dizem que jamais retorna. Mas, eis que chega um tempinho  sorrateiro, brincalhão e rouba a tristeza, recheia de alegria a hora, o dia, arranca-me os sapatos e rola comigo no chão. Incrível criança que arrisca a infância  e quer de novo, o novo, e pé no chão.
E tudo passa!  Temporais, calmarias, vendavais, chuvas de verão, chuva das flores,  dores, amores. Primaveras vêm e vão. Sinal dos tempos, finais de ciclos, início e fim. Transformação.
O tempo voa,  o tempo para, o tempo espera.  Voa, quando olho ao longe , a estrada percorrida, e me vejo menina brincando com a vida. O tempo para, quando em devaneios, me perco nos suspiros do âmago, nas paisagens em que viajo e visualizo na mente, e no pensamento o que  existe além para ser trazido à tona, para se mostrar ao mundo, para se emoldurar de tinta, nas ondas dos pincéis, e nos rodopios do meu tempo  de criar...
Mas, é nesse instante, é nessa hora de eternizar, que o tempo traiçoeiro, (traiçoeiro, egoísta) porque, definitivamente,  veloz  como vendaval, vai arrastando as linhas do horizonte muito além, tornando-me incapaz de repassar na íntegra, o sonho, a  imagem  que vem no relâmpago   da criação e só, apenas uma cópia, sem fidelidade alguma, sem chance de expressar o que nos mostram os devaneios ou as mais profundas inspirações, sou  impotência  perante o tempo.
O tempo para, quando  a pressa não perdoa, e diz: não há mais tempo. O tempo espera, que eu amadureça,  e cauteloso, tateia a maturidade. Metamorfoses de uma vida inteira, e, em segundos, se apreende o que se esperou apreender por tantas idas e vindas.
Sábio tempo, lento ou veloz, curto ou prolongado, cada passo é caminho. Cada busca uma descoberta. Abençoados os olhares perdidos no tempo, que somam  vida, morte, vida e, certamente,  sem  pretensão de definir a eternidade.
Perdidos, rondam à caça do novo  perante a vida ao encontro do próprio tempo...

MARIA DAS GRAÇAS ARAÚJO CAMPOS. Além do Tempo - A Soma dos Olhares.MG / Brasil


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