sexta-feira, 4 de março de 2016

Juana Inés De La Cruz,a Fênix da América ou A Décima Musa.



Juana Inés de la Cruz, Fênix da América ou A Décima Musa
As idades poéticas unem-se numa memória viva...
Gaston Bachelard
Juana Inés de la Cruz, Fênix da América ou A Décima Musa

Em pleno século XVII, a mulher, escritora barroca mexicana, poeta e freira, Sor Juana Inês de la Cruz enfrenta a sociedade patriarcal, machista e deixa para o mundo o seu acervo composto de sonetos , poesias, autos, peças  de teatro, dentre outros textos como escritos filosóficos, cartas e discussões teológicas.
Com argumentos de grande potencial intelecto e ousadia Juana Inés de Asbaje y Ramírez de
Santillana, a Fênix da América ou A Décima Musa sobreviveu à perseguição da Igreja e da Inquisição, que condenava à fogueira, todos os que não se enquadrassem na rigidez de suas regras.
Nasceu em um povoado do vale do México, San Miguel Nepantla, aprendeu o dialeto espanhol com seus vizinhos. Filha natural da "criolla" Isabel Ramírez de Santillana e Pedro Manuel de Asbaje y Vargas Machuca, militar espanhol da província basca de Guipúzcoa (Vergara).
Desde cedo se apaixonou pelos livros da biblioteca de seu avô, aprendeu lendo os clássicos gregos e romanos e teologia da época. Aprendeu português por conta própria, e o latim, enquanto, às escondidas, ouvia as aulas dadas à irmã.
Ainda adolescente, esteve na corte vice-real mexicana, foi dama de companhia da vice-rainha Marquesa de Mancera. Quis entrar na Universidade e em algum momento passou pela sua cabeça vestir-se de homem, mas decidiu, no entanto, tornar-se monja. Depois de uma tentativa fracassada com as Carmelitas, pela rigidez extrema que a levou a um período de convalescência, ingressou na Ordem das Jerônimas, onde  havia menos rigor.
Tinha uma cela de dois andares e governanta. Ali passou a sua vida escrevendo versos sacros e profanos, canções e comédias: Amor es más Laberinto ("Amor é mais Confusão") e Los Empeños de una Casa ("As Obrigações de uma Casa"). Sua obra literária centrada na liberdade era um prodígio naquela época.  Sóror Juana fazia trocadilhos, verbalizava substantivos e a substantivava verbos e abusava de todas as liberdades gramaticais em moda. Gostava de fazer referências à mitologia.  (Metamorfose de Ovídio.)
No seu poema Hombres Necios ("Homens Estúpidos"), ela defende o direito da mulher a ser respeitada como ser humano e critica o sexismo da sociedade do seu tempo, gozando dos homens que condenam a prostituição, ao mesmo tempo em que aproveitam a sua existência.
Foi recriminada por seu confessor, o jesuíta Antonio Núnez de Miranda, porque escrevia e por ser a literatura vedada à mulher. Através de sua fama intelectual fazia amizades com as mais altas personalidades. Sob a proteção da vice-rainha, Marquesa de Laguna, decidiu rejeitar o confessor. Sóror Juana,  envolveu-se em uma disputa teológica devido à crítica privada sobre um sermão do pregador Padre Antonio Vieira, publicada pelo bispo de Puebla, Manuel Fernández de Santa Cruz, que a prefaciou sob o pseudônimo de “Sór  Filotea”, o que provocou a reação da poetisa através da resposta a Sór Filotea”, onde faz uma inflamada defesa do trabalho intelectual da mulher.  
Pouco tempo depois, morria no convento de São Jerônimo, Nova Espanha, (hoje México), a monja, poeta, aos 47 anos de idade, depois de ser  obrigada por seu confessor a desfazer-se de sua biblioteca e de sua coleção de instrumentos musicas e científicos.
As pressões eclesiásticas daquele tempo a  levaram à  renúncia definitiva ao mundo das letras.
Bela , inteligente e admirada, a  “Mulher  fênix”,  “Décima Musa”, eternizada na memória viva!

Maria das Graças Araújo Campos. Texto baseado em fontes biográficas.
Juana Inés de la Cruz,a Fênix da América ou A Décima Musa.
Graça Campos, 04/03/2016.

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