sábado, 9 de abril de 2016

OS VESTIDOS VERMELHOS DO MOINHO



Vestidas de Vermelho, mulheres dançarinas marcaram o Moulin Rouge, Moinho Vermelho em cujas hélices o vento ainda toca e provoca intermináveis movimentos.
Batidas fortes, lamentos alimentaram argumentos do peito, o rubro coração que, ao relento, pairou o pensamento em roda viva para não morrer de amor à margem dos encantos... 
Quem sabe, os desencantos de quem por quanta sorte se perdeu à procura pelo alheio na profunda entrega de si, inferindo em suas noites loucas, o dever de cumprir tais aparatos, shows de gracejos, contracenando a dramaturgia: quotidiano, real, doce e amargo, ao realismo dos camarotes. E nos salões, a passos largos, damas, mulheres belas viram cocotes...
Carmesim das almofadas e tapetes entre sombras e fachos de luz, esboça  insinuantes silhuetas e colore as paredes de  bordô.
Mulheres de vermelho, arrancam aplausos, descortinam as sedas, os brocados e cetins, as vedetes pomposas, fogosas em seus corpetes, mostrando a beleza dos traços, abrindo fendas nos vestidos, fechando sendas. Dos vestígios, esboçam risos contrafeitos...
Exigentes, em  corpo e mente eloquentes,  à luz de lampiões, as saias se levantam, remexem e se jogam no ritmo da dança. As ágeis mãos atendem a coreografia, perfeita sintonia entre a música e fumaça em acrobacias soltando a imaginação...  Afloram emoções, e salientam as presenças ausentes de quem ali reflete a solidão somente, por mais que esteja em companhias envolventes.
Mulheres e homens desfrutam as horas às claras em escuras ao bel prazer...  E a Belle Èpoque não mais que mente as intenções das falsas bocas sorridentes, do lazer que, digerindo fugas, transforma-se fugaz à beira dos prazeres, nada mais...
Mulheres do Moinho têm poses, e disputam a posse noturna. Intérpretes de personagens da própria vida, insegurança futura, amores mal resolvidos, semelhanças  em gritos de diferenças. Modismo e inclusão a altos preços, raízes do poder mundano...  Adotam a arte e profissão de dançarina, incorporam a cortesã que atiça e vinga e, por vingança, e decadência de estima,  torna-se a “Dama” da Noite em sua sede!
Sobrevivente da amarga sorte, das mil e uma noites de fascínio de gritos de loucura, bebidas, e luxúria!
Entorpece de sopros e palavras sensuais, homens famintos, artistas, intelectuais , machos iguais e fêmeas tais que a prosa e a boemia em  lábios quentes,  olhares embaçados, chegam a ser comoventes.
Rugem sentidos que sonhados foram e, em detrimento, doídos ais do cais ao porto são apenas noturnos expoentes que se misturam às plumas e absintos suspirando verdades de sua sinas, inebriando- se dos frascos da memória camuflada temporariamente.  
Mulheres do Moinho, em seus trajes carmim, são "Damas da Noite", pois que seriam damas desde que nasceram, despidas  ou  vestidas, eternas  e belas Mulheres do Moinho, vestidas de Vermelho...
 
MARIA DAS GRAÇAS ARAÚJO CAMPOS.  OS VESTIDOS VERMELHOS DO MOINHO. Graça Campos. 09/04/2016 Santo Antônio do Itambé. MG/Brasil.
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