sábado, 29 de outubro de 2016

CANTO DAS ÁGUAS


Canto da águas
Ele nasce suspirando música, soprando partituras
em gotas persistentes. 
Vem trazendo lembranças de encontros e abraços de mar,
assovios do vento em concertos. 
Observa os mitos, e, misticamente,
se mescla nos corpos da dança, das meninas “profanas”?
Irmanados em águas salgadas, partilham mistérios...
Doce e sal!


É o canto das águas que faz parceria e, na contradança,
acalanta e desliza seus sonhos meninos,
sereias cirandam.
Ele canta, encanta e conta histórias... 
Vai levando leveza de folhas, lamento de flores que, ao se despencarem, pedem, imploram que as deixem ali, 
pois, nascidas, que brotam no aconchego dos montes...

São caminhos que andam às vezes calados,
outras vezes em prantos cantados.
Às margens, surpresas, detalhes, natureza,
entalhes que o tempo artista esculpiu.
Belas verdes cabeleiras se debruçam
e, em sombras, se banham
Narcisas...
E as cantigas se ouvem ao longe,
notáveis cantoras,
benditas cachoeiras. 

Corre canto, traz risos banhistas,
refresca a alma, corredeira. 
E me ensina a cantar as cantigas da vida...

Maria das Graças Araújo Campos
Graça Campos, 28/10/2016

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