terça-feira, 8 de agosto de 2017

BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo)...



Pai, em tua bagagem há riso de bom-humor, humano calor, sorriso/simpatia, onde mora o menino José, o moço velho e o sábio amigo. Dedicação, força, coragem,  garra aos montes... Sabedoria, amor e proteção! Provedor desprendido, que se diz “Homem rico”!
Sim, tudo e mais... Dessa riqueza referida aos teus tesouros, os filhos.
Vens de um tempo onde décadas lhe ampliaram o olhar ao mundo, ao ser! Provaste de questões políticas, períodos de guerra, a segunda mundial, regimes ditadores... E, como sabes contar! O viajor pegou carona nos conhecimentos e, talentoso, apreendeu, nas malas, a fala desenvolta, oralidade correta e expressiva. Das estradas, exímio condutor, consciente no volante de caminhões, cargas pesadas, tornando a luta diária sob-rodas, a certeza do sustento em  leveza e conforto à família.
Menino José, que vem de longe, bem nascido  no seio de família numerosa, dos Araújos d’além-mar e brasileiros. O mineiro, guerreiro de “Conquistas”!  Veem- se tão perto, propósitos divinos, que bem se dizem: _ “Deus escreve certo”! Pois, acertou em cheio!  O menino com apenas 8 anos, já escrevia e lia, a frequentar a escolinha da fazenda Bacuri, teve de entregar a mão à palmatória, desenvolvendo a escrita sem partidos, além de inteligência e bons costumes.
Acostumou-se às asperezas de época, sem mesmo se acostumar! Acostumou-se ao conforto  pelo esforço, tão logo ganhou asas, o arteiro, e ansioso em suas buscas, assim que tomou porte de moço, ganhou coragem de enfrentar a lida por si, às exigências da sobrevivência. (Amoroso, sentiu deixar os pais, mas sempre os visitava).
Em suas tarefas, mostrou agilidade e competência na área mecânica, do manuseio à manutenção de máquinas de grande porte. Um dia, fora observado, e, logo, convidado, a  acompanhar a empresa RAS- Companhia de Estradas e Rodagens.
Jovem, bonito, elegante, e prosa boa, o menino ainda hoje, mora na sapiência de um moço velho, carregando consigo, a fartura de uma vivência inenarrável! São só 92 anos com memória perfeita, e ele se conserva saudável!
Dia desses, passamos uma tarde tão calma, e tão prazerosa acompanhada do café da Lúcia e bolo e abraços. E, no protagonismo,  as narrativas, os causos reais. Emocionados,  todos, ouvíamos os fatos, data histórica, dia anterior àquele encontro. E não seria diferente  a presença de um largo sorriso que, por sinal, foi o grande motivo da emoção. 
Eram 65 anos na lembrança do moço que, pela primeira vez, avistava e pisava em terras serranas em companhia do amigo, engenheiro, Dr. Edésio! A aventura durou uma semana, partindo da capital BH, com destino a Serro. E os olhos do menino Zé de Paula brilharam! 
O transporte, um caminhão que fora do exército, rumo à Estrada Real, onde a Serra da Vacaria quebrava as molas de quantas pedras em plena via. Assim, foram as paradas obrigatórias, seguir viagem? Só após removê-las. O tal caminhão chegou a Conceição do Mato Dentro.
Por ali ficou. Carregou carga pesada  e se cansou. Afinal, D7 Caterpillar tem lá, suas toneladas!
Foi assim que pai chegou ao Serro, em 11 de junho de 1952.  Isso, antes de passar com o trator de esteira nas águas do Rio do Ouro Fino. Foram recebidos pela família Neném de Melo com café e boas-vindas!
Mais à frente, havia a ponte de madeira, sem chance de suportar o peso das máquinas, e o jeito foi passar dentro do rio, e cheio, devido á enchente ocorrida naquele período. Conseguiram passar nas águas, no terreno do Sr. Toninho (Antônio de Aloízio), em seguida pelas terras de Sr. Astério. Mais à frente, avistaram o SERRO!
Aí, abriram estradas, fizeram grandes amizades. Alguns se casaram, constituíram suas famílias, outros, não! O menino José, por sorte do destino, havia de se aventurar, pois, pelos planos divinos, a bela mulher serrana representava a matriz, maternidade que eu aguardava para vir à Terra em minhas raízes mais profundas!

Então, meu pai querido! Como é bonita a vida! Quantas bênçãos envolvendo a gente para que a vida renasça em forma de menina! Menina curiosa,  antes calada a observar minúcias em questões, o que entendo agora na maturidade muito falante!Quanta prosa! Parece fermento crescendo ideias e evoluindo e, na receita, firmeza, para não me derreter em lágrimas, enquanto ouço tuas histórias reais.

Obrigada, menino Zé! Obrigada, pai amado! Feliz dia!
Te amo!
Bjssssss
Foto 12/06/2017


Maria das Graças Araújo Campos. BAGAGEM 9.2 (onde mora o menino e o velho amigo).
08/08/2017.
Graça Campos



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Comunicar... Tarefa promissora, além de mero verbo!

Foto: Arquivo Pessoal.

Potencial compromisso dos mais responsáveis, o dom da palavra falada e/ou escrita, etc. E comum a todos em geral!
Dizem que a palavra vale prata e o silêncio vale ouro. No entanto, deixemos à mercê das releituras, classificar entre clichês, ou novas denominações.
No momento, opto por conceituar o dito dentre as proverbiais, claro, vindo a calhar em situações umas e outras. Contudo, nem sempre consta ou confere-se ao idealismo...
Comunicar, atividade de ultrapassar os textos, olhares, gestos, imagens, e desejar compartilhar, tornar comum, dividir multiplicando toda e qualquer ação, todo e qualquer sonho, tudo ao nada, nada ao todo, ao que compensa e descompensa, ao que real importa e ao que se julga, tanto subjugando quanto valorizando.
Enfim, ao léu, ao escarcéu, se se perde a ponta do cipó, que urja o desejo de buscar os nós e desatá-los. Fora grilhões, avante a compaixão! Abaixo o ruminar notícias desprovidas de significâncias elevadas! Desatem corredeiras de benquerença e bem fazer! Tomara Deus, o tempo se abasteça e pensamentos transbordem canções vivazes...
Aí, certamente vamos fazer valer os grandes feitos em pequenos gestos, como se, dentro do palheiro, haja o achado, se encontre a agulha de coser, de refazer, de crer e buscar sempre!
Comunicar... Tarefa promissora de ventos zéfiros, catando palavras como flores e encontrando abrigos em aromas de beijos e asas...
Assim, a fé e esperança vão dominar as bocas e as mentes, e haverá campos de girassóis mirando a gente...
Comunicar experiências sem luxo, assim como se desnudando sem pressa, porque o show fica por conta da transparência!

Maria das Graças Araújo Campos. Comunicar... Tarefa promissora, além de mero verbo!

Graça Campos, 07/08/2017.
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